• Autor
  • O Blog

vicio da poesia

Category Archives: Poetas e Poemas

Poemas para o Verão: poema de Wallace Stevens

04 Sábado Ago 2012

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Maria Helena Vieira da Silva, Wallace Stevens

A noite de Verão é como uma perfeição de pensamento. escreveu Wallace Stevens (1879-1955) no poema que hoje arquivo.

Não sei de outra forma mais exacta para exprimir o que em noites de Verão por vezes acontece, como hoje. Corre uma brisa suave que o som do saxofone de Ben Webster embala. O ar quente envolve-se de um acre, potente e delicioso cheiro a resina de pinheiro, e num quase mágico momento o tempo pára. Não há antes nem depois, apenas a harmonia de um céu onde a lua esplende, o cheiro inebria os sentidos, e o  som do saxofone decanta a emoção. É o Verão, são as ferias de Verão!

E o mundo estava calmo. A verdade num mundo calmo, / No qual não há outro sentido, a própria verdade / / Está calma, ela própria é verão e noite, …

Leia-se o poema na totalidade:

A casa estava silenciosa e o mundo estava calmo.
O leitor tornava-se no livro, e a noite de verão

Era como a essência consciente do livro.
A casa estava silenciosa e o mundo estava calmo.

As palavras eram pronunciadas como se não houvesse livro,
A não ser o leitor inclinado sobre a página,

A desejar inclinar-se, a desejar extremamente ser
O letrado para quem o seu livro é verdadeiro, para quem

A noite de verão é como uma perfeição de pensamento.
A casa estava silenciosa porque assim tinha de estar.

O silêncio fazia parte do sentido, parte do espirito:
Era a perfeição no seu acesso à página.

E o mundo estava calmo. A verdade num mundo calmo,
No qual não há outro sentido, a própria verdade

Está calma, ela própria é verão e noite, ela própria
É o leitor em tardia vigília, inclinado, lendo.

In Transport to Summer (1947), tradução de David Mourão-Ferreira.

Não sei de melhor companhia pictórica para este poema que alguma pintura de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) com que acompanhei o artigo e de quem escolho uma das suas bibliotecas para fecho.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Notícias do Paraíso, também por Zbigniew Herbert (1924 – 1998)

03 Sexta-feira Ago 2012

Posted by viciodapoesia in Convite à fotografia, Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

carlos mendonça lopes, Zbigniew Herbert

Anoitecera há pouco.

Por quilómetros estendia-se o areal deserto.

No horizonte do mar surgiam ao longe as silhuetas dos apanhadores de conquilha.

Do azul rosado do poente ergue-se majestosa a lua, cheia, neste Agosto de prazer.

Corre sobre o mar uma ligeira brisa temperando o ar quente que se mantém acima dos 30ºC.
Lambendo a areia da baixa-mar vêm as ondas mansas marulhar junto ao corpo que deitado se enleva nesta doçura de paraíso. E o banho, inevitável, surge. Qual Adão antes do pecado original, mergulho e aí vou, em movimentos que parecem surgir naturalmente, no indescritível prazer do fluir da água até ao mais recôndito da alma.

É de um outro paraíso que nos fala o poema de Zbigniew Herbert (1924 – 1998) que hoje transcrevo. Eivado dos pressupostos cristãos e longe do panteísmo por onde acima andei, afirma ele, como verdade revelada, que “na verdade no paraíso vive-se melhor do que em qualquer outro lado“. Todos aceitamos que sim. Por isso mesmo se chama paraíso!
De qualquer forma, é comovente a visão que nos descreve dos proletários celestes: envergonhados debaixo ds braços carregam as suas asas como violinos.
Ao genial poeta polaco regressarei com mais detalhe.

Notícias do Paraíso

No paraíso a semana de trabalho é de trinta horas
os salários são elevados e os preços descem regularmente
o trabalho manual não é cansativo (devido à reduzida gravidade)
derrubar árvores não é mais pesado do que dactilografar
o sistema social é estável e as leis são sábias
na verdade no paraíso vive-se melhor do que em qualquer outro lado

A principio era para ter sido diferente
círculos luminosos coros e graus de abstracção
mas não foram capazes de separar completamente
o espirito da carne de tal modo que quem chega
traz sempre uma gota de gordura uma fibra de músculo
foi necessário enfrentar as consequências
misturar um grão de absoluto com um grão de argila
mais um desvio da doutrina o ultimo desvio
só o apostolo João o entreviu: ressuscitaremos na carne

São poucos os que acreditam em Deus
isso é só para aqueles cem por cento pneuma
os outros ouvem os comunicados sobre milagres e dilúvios
um dia Deus revelar-se-á a todos
quando irá isso acontecer ninguém sabe

Como agora todos os sábados ao meio-dia
as sirenes tocam docemente
e das fábricas saem os proletários celestes
envergonhados debaixo ds braços carregam as suas asas como violinos

Tradução de Jorge Sousa Braga a partir da versão inglesa de Czeslaw Milosz.

Publicado por Assírio & Alvim, Lisboa 2009

 

 

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Antes da viagem – poema de Eugenio Montale

01 Quarta-feira Ago 2012

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

≈ 1 Comentário

Etiquetas

Eugenio Montale

Os sentimentos que preludiam a viagem, são complexos e diversificados. Há dias deixei as filosóficas reflexões de Álvaro de Campos sobre o partir.

Trouxe também ao blog o incomensurável desejo de Mallarmé, de tudo deixar para trás, descrito no seu Brisa marinha.

Hoje, longe da grandiloquência, eis o prosaísmo perto do homem comum sentido Antes da viagem, e contado pelo Nobel italiano Eugenio Montale (1896-1981).

Antes da viagem

Antes da viagem perscrutam-se os horários,
as correspondências, as paragens, as dormidas
e as reservas (de quantos quartos com banho
ou duche, de uma cama ou duas, ou mesmo um flat);
consultam-se
guias Hachette e guias dos museus,
trocam-se valores, cambiam-se
francos por escudos, rublos por copeques;
antes da viagem informa-se
algum amigo ou parente, controlam-se
malas e passaportes, completa-se
o vestuário, compra-se uma recarga
de laminas de barba, dá-se eventualmente
uma olhadela ao testamento, pura
superstição, já que os desastres aéreos
em percentagem são hoje nada:

antes
da viagem está-se tranquilo, mas com a suspeita
de que a sabedoria é não nos movermos, e de que o prazer
de regressar tem afinal um custo exagerado.
E depois parte-se e tudo está OK e tudo
vai pelo melhor, e é inútil.

E agora o que será
a minha viagem?
Com excessivo cuidado a venho eu estudando
sem dela saber nada. Um imprevisto
é a única esperança. Mas dizem-me
que é tolice dizê-lo.

Tradução de David Mourão-Ferreirra

Independentemente de os leitores consultarem
guias Hachette e guias dos museus, deixo alguns posters convidando à viagem para variados destinos.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Partir, e Álvaro de Campos na bagagem

28 Sábado Jul 2012

Posted by viciodapoesia in Convite à fotografia, Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Álvaro de Campos, carlos mendonça lopes, Fernando Pessoa

Com as férias em perspectiva, o sentimento da viagem surge-me em contradição. Partir, sim! Buscar o quê? Repouso pede-me o corpo. Aventura, reclama a imaginação. Não direi como Álvaro de Campos que “Nunca…Perco…Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,“, mas o desconforto do desconhecido ganha um peso que é ao fim e ao cabo uma espécie de “opressão [que] se infiltra no fundo do meu coração.“

I

Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea –
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem –
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.

O heterónimo de Fernando Pessoa disse muitas vezes algo do que sinto. Felizmente nunca me sinto Álvaro de Campos mas a espaços tropeço nos seus versos com um fugaz sentimento de identificação. A catarse pela poesia pode acontecer. Ler o que em silêncio cogito introduz a distância que devolve a lucidez. E se num primeiro momento domina o “Volta amanhã, realidade! / Basta por hoje, gentes! / ​Adia-te, presente absoluto! / ​Mais vale não ser que ser assim. “, há uma vontade interior que cresce e “Ergo-me de repente todos os Césares. / ​Vou definitivamente arrumar a mala. / Arre, hei de arrumá-la e fechá-la; / ​Hei de vê-la levar de aqui, / ​Hei de existir independentemente dela.” .

II

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
​Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incómodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
​Acendo o cigarro para adiar a viagem,
​Para adiar todas as viagens.
​Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
​Adia-te, presente absoluto!
​Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
​E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
​Tenho por força que arrumar a mala,
​A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
​Tenho que existir a arrumar malas.
​A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
​Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
​Sei só que tenho que arrumar a mala,
​E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
​E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
​Vou definitivamente arrumar a mala.
​Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
​Hei de vê-la levar de aqui,
​Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
​Salvo erro, naturalmente.
​Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
​Fim.

Afinal não sou o poeta, mas alguém que anseia ir ao encontro das raízes, e vou para Tavira, sem o desejo de que “Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro, / ​E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.“
Que o infinito permaneça longe de mim, desejo!

Nota talvez desnecessária

O heterónimo Álvaro de Campos criado por Fenando Pessoa, foi concebido como tendo nascido em Tavira, minha terra natal, como é sobejamente conhecido dos leitores habituais do blog.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Figos: prazer e memória com poesia de Eugénio de Andrade

20 Sexta-feira Jul 2012

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Crónicas, Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Eugénio de Andrade, Figos, Giovanna Garzoni, Tavira

Ardidos que estão milhares de hectares de arvoredo na tragédia do incêndio de ontem, no seu rescaldo, a dureza da perda levará as gentes a um esforço redobrado de recuperação, e a paisagem agora nua e calcinada reverdecerá, como pelos séculos em que estas terras têm sido habitadas, a espaços aconteceu. De toda a vegetação queimada, são as figueiras perdidas que mais lamento.

A Figueira

Este poema começa no verão,
os ramos da figueira a rasar
a terra convidavam a estender-me
à sua sombra. Nela
me refugiava como num rio.
A mãe ralhava: A sombra
da figueira é maligna, dizia.
Eu não acreditava, bem sabia
como cintilavam maduros e abertos
seus frutos aos dentes matinais.
Ali esperei por essas coisas
reservadas aos sonhos. Uma flauta
longínqua tocava numa écloga
apenas lida. A poesia roçava-
me o corpo desperto até ao osso,
procurava-me com tal evidência
que eu sofria por não poder dar-lhe
figura: pernas, braços, olhos, boca.
Mas naquele céu verde da Agosto
apenas me roçava, e partia.

Apenas aflorados neste poema de Eugénio de Andrade (1923-2005), os figos frescos são fruta frágil com exigências caprichosas no seu amadurecimento e apanha, pelo menos para os aficionados. A hora ideal para os apanhar e comer directamente da árvore é o alvorecer, quando a “brandura” derramada pela noite ainda permanece. Apanhados e comidos durante o dia ou mesmo ao entardecer de uma daquelas tardes de verão do Sul, onde o calor brilha no restolho dourado, ao som do zumbido das cigarras, são receita certa para problemas intestinais. Ao entrever as delicias das próximas férias, é neles que penso, e pouco mais. Mar e nadar, certamente. Mas a incerteza sobre a multidão mitiga-me o entusiasmo. Num horizonte de nada fazer, à oportunidade de reencontrar as comidas de boa memória, redobra-me o entusiasmo de partir.
Alimento de excelência no Sul, prepará-los e gozá-los ao longo do ano foi matéria de invenção das gentes onde o figo abunda. Por exemplo, associo o Dia de Todos-os-Santos sobretudo aos figos. Nas terras do Sul foi desde que me recordo um dia festivo, ficando para o dia seguinte, 2 de Novembro, a celebração dos mortos, no que se chamava Dia de Finados. Finados, aqueles para quem a vida chegou ao fim, Apenas recentemente o Dia de Finados se sobrepôs ao Dia de Todos-os-Santos.
Como qualquer dia festivo também o Dia de Todos-os-Santos tinha, e tem para quem ainda pratica, as suas comidas de celebração, e neste dia, no meu berço Natal, são os figos, e os doces com figo, os reis: figos cheios (figos recheados com chocolate, açúcar e canela e ligeiramente torrados no forno), bombons de figo (pasta de figo moído, açúcar, canela e algo mais que faz o segredo da receita), enrolado em pequenas bolas guardadas em papel colorido, e estrelas (figos abertos em três pontas unidos dois a dois com miolos de amêndoa na extremidade e passados ligeiramente pelo calor do forno para colar). Estas especialidades da época, que felizmente a minha mãe não dispensa e continua a fazer, remetem-me para o tempo da despreocupada infância.
São os figos que me trazem a única memória de uma bisavó.
Comecei na escola paga quando fiz três anos. Era a escola da menina Emília. Não existindo infantários, as primeiras letras eram ensinadas aos meninos e meninas naqueles anos cinquenta, em casas particulares, por uma senhora que organizava esta escola doméstica, paga chamada, pois este ensino tinha uma mensalidade, ao contrário do ensino oficial e obrigatório a partir dos sete anos, que era gratuito. Nas famílias com mais necessidades as crianças apenas começavam a aprendizagem das letras nesta escola oficial, e assim se fazia a diferenciação para a vida. Quando cheguei ao ensino oficial lia, escrevia e sabia a matemática elementar (tabuada) como apenas a outra meia dúzia na minha situação o sabiam entre cerca de 30 rapazes.
Voltando à bisavó, morava na mesma rua da menina Emília. A escola ficava ao cimo da rua do Malfor, perto da passagem de nível, ou seja, do cruzamento da rua com a linha de comboio. A casa da bisavó era um pouco mais abaixo. Quando terminada a escola regressava à tarde a casa, passava-lhe junto à porta. Habitualmente estava à janela e muitas vezes chamava-me para lanchar. Nestas visitas, o prémio que recordo era tentar tirar-lhe de dentro dos bolsos das saias alguns figos secos ou torrados que sempre lá estavam, e que ela na brincadeira esquivava. Não sei de outros que, comidos depois, me soubessem melhor.

Despeço-me de toda esta evocação, onde afinal foi do passar do tempo que falei, com Prato de Figos, poema de Eugénio de Andrade em que uma metáfora do envelhecimento se escreve.

Prato de Figos

Também a poesia é filha
da necessidade —
esta que me chega um pouco já
fora do tempo
deixou de ser a sumarenta alegria
do sol sobre a boca;
esta, perdida a fresca
e nacarada pele adolescente,
mais parece um desses figos
secos ao sol de muitos dias
que num inverno sempre se encontram
postos num prato
para comeres junto ao fogo.

Vai o artigo acompanhado pelas apetitosas pinturas de Giovanna Garzoni (1600-1670).

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Dois poemas de Jaime Gil de Biedma

01 Domingo Jul 2012

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Jai

Gosto da poesia de Jaime Gil de Biedma (1929-1990), naquele casamento entre a preocupação social e a reflexão intimista, onde o erotismo tantas vezes transborda.
Já aqui deixei do poeta, o ano passado, Pandémica e Celeste. Era Verão, as memórias assaltavam-me, e a poesia surgiu como lenitivo. Hoje não é exactamente o caso, ainda que seja Verão.
Com a economia a dominar-nos a atenção, pensei trazer-vos do poeta Apologia e Petição, poema sobre fatalidade e mau governo, dando conta das tragédias de países e povos. Serve o poema para Espanha, hoje, mas também para nós, basta ler onde está Espanha, Portugal. Mas resolvi de outro modo. No mesmo livro, Moralidades, onde este Apologia e Petição se encontra, existem entre outros, dois poemas onde o efémero do amor e a sua nostalgia se dão a ler. E foram esses que acabei por decidir transcrever.

São poemas em que a passagem do tempo sobre o amor se reflecte. Primeiro na constância, em Manhã de ontem, de hoje:

Eu penso
em como passou o tempo,
e recordo-te assim.

depois, na nostalgia do quase amor se um encontro fugaz, em Paris, postal do céu:

Era nos bons tempos da minha juventude,
…
e da formosa história
de quase amor.

Afinal, amor que deixou marcas:

Como sonho vivido há muito tempo,
como aquela canção
desses dias, assim volta ao coração,
num instante, numa intensidade, a história
do nosso amor,

É provável que aquela canção / desses dias fosse Les feuilles mortes, noutro poema do livro explicitamente evocada: Elegia e recordação da canção francesa, e de que aqui no blog existe a versão de Juliette Greco . De Brassens, cujas canções são referidas em Paris, postal do céu, poderá o leitor encontrar uma canção – Le Blason – aqui no blog. Mas é tempo de passar aos poemas na integra.

Manhã de ontem, de hoje

É a chuva sobre o mar.
E à janela aberta,
contemplando-a descansas
a fronte na vidraça.

Imagens de uns segundos,
quieto no contraluz,
claro, teu corpo fulge,
inda pla noite nu.

E voltas-te para mim,
a sorrir-me. Eu penso
em como passou o tempo,
e recordo-te assim.

Paris, postal do céu

Agora, vou contar-vos
como também estive em Paris, e fui ditoso.

Era nos bons tempos da minha juventude,
nos anos de abundância
do coração, quando deixar para trás os pais e a pátria
é sentir-se mais livre para sempre, e fui
no Verão, naquele Verão
da greve e das primeiras canções de Brassens,
e da formosa história
de quase amor.

Ainda vive na minha memória aquela noite,
recém-chegado. Contemplo ainda,
sob a Pont Saint Michel, pela mão, em silêncio,
a grande lua de Agosto suspensa entre as torres
de Notre Dame, e azul
de um impossível o rio tantas vezes sonhado
— It’s too romantic, como tu me disseste
ao afastar os lábios.

Em que sítio perdido
do teu país, em que recanto da América do Norte
e no quarto de quem, às horas mais soturnas,
quando sonhes morrer não importa em que braços,
e chegará, tal como
agora a mim me chega, esse calor de gentes
e a luz daquele céu tão rumoroso
tranquilo, sobre o Sena?

Como sonho vivido há muito tempo,
como aquela canção
desses dias, assim volta ao coração,
num instante, numa intensidade, a história
do nosso amor,
a confundir os dias e suas noites,
os momentos felizes,
as censuras

e aquela viagem — a caminho da cama —
num vagão do Metro Étoile-Nation.

O livro Moralidades foi publicado no México em 1966, só tendo surgido em Espanha, ao que julgo, 1985 por dificuldades com a censura franquista.
As traduções são de José Bento e podem encontrar-se em Antologia Poética, 2ª edição revista e aumentada publicada por Edições Cotovia, Lisboa em 2003

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Louvada seja – a Grécia de Odysséas Elytis

18 Segunda-feira Jun 2012

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

≈ 5 comentários

Etiquetas

Odysséas Elytis

Dizia há tempo alguém na televisão que desde a antiguidade clássica muita gente dormiu sobre a Grécia, e geneticamente os gregos hoje são diferentes dos gregos da antiguidade. Certamente. Mas há uma impregnação na pele em quem nasceu nos lugares repletos de historia que não se explica. Sinto-o quando na minha Tavira natal me perco nas ruelas medievais do morro de Santa Maria, ocupado em continuidade desde os Fenícios do tempo da Grécia arcaica, seguidamente por romanos, depois árabes vindos do Magrebe, judeus, e finalmente os cristãos medievais. Desta amálgama descende toda a população que por lá tem vivido.

A atmosfera do lugar, quando transmite um sentimento de pertença, constitui uma raiz sob a pele onde cada um se agarra. Não tenho dúvidas que o mesmo acontece com gregos hoje, nascidos na Grécia, em que essa ligação se fará sentir.

Agora que o mundo da economia se encontra suspenso das escolhas políticas dos gregos, trago ao blog um fragmento poético de Odysséas Elytis (1911-1995), poeta nacional grego do século XX, retirado do poema Áxion Estí (Louvada Seja).
Poema de recriação de uma tradição ancestral, recusa o metro convencional e desenvolve-se como uma escrita moderna falando do mundo que é o seu e de todos nós. O poema valeu ao autor a gloria nacional e o Prémio Nobel.
Escolho um fragmento entre tantos desejado, onde um eco especial de Trabalhos e Dias de Hesíodo se ouve, e com ele talvez convença algum leitor a procurar o poema na sua totalidade.

Mas antes de ouvir vento ou música
ao pôr-me a caminho para o ar livre

(eu subia uma areia vermelha sem fim
com o calcanhar apagando a História)

lutava com os lençóis Aquilo que procurava era
inocente e trémulo como a vinha
e fundo e sem marcas como a outra face do céu

Uma pouca de alma dentro da argila

Então falou e fez-se o mar
E eu vi e maravilhei-me

E nele semeou pequenos mundos à minha imagem e semelhança

Cavalos de pedra de crina erecta
e sossegadas ânforas
e colunas de golfinhos oblíquas

Íos Sikinos Séfiros Mílos

“Cada palavra com sua andorinha
para te trazer a Primavera no Verão” disse
E muitas oliveiras

pra que peneirem com as mãos a luz
e esta leve se derrame sobre o teu sono

e muitas as cigarras

para que não as sintas
tal como não sentes o pulso no teu punho

mas pouca água

para que a tenhas por divina e entendas o que significa a sua fala

e a árvore só consigo

sem rebanho
para que a faças amiga
e conheças o seu verdadeiro nome

rala sob os teus pés a terra

para que não tenhas onde alargar raízes
e não pares de buscar um pouco de fundo

e vasto por cima o céu

para que por ti sózinho leias a infinidade

ESTE
o mundo, o pequeno, o grande!

Noticia bibliográfica

O poema LOUVADA SEJA (ÁXION ESTÍ) foi publicado em tradução e posfácio de Manuel Resende, por Assírio & Alvim em 2004, de onde retirei o fragmento transcrito.

Nota final

Enquanto escrevia este texto ouvia em fundo o Concerto de Atenas de Charles Lloyd e Maria Farantouri, gravado ao vivo em Junho de 2010 e editado em cd por ECM.
Leitor curioso que tenha possibilidade, não deixe de ouvir deste concerto, no cd1, o Hino à Santíssima Trindade, peça do século III, bizantina e de ancestrais raízes helénicas, cantada na voz misteriosa de Maria Farantouri, a que o saxofone de Charles Lloyd acrescenta uma atmosfera de sonho e encanto. Ainda que todo o concerto seja uma pérola única e valha cada minuto da sua audição, esta peça é especial.

 

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

da fermosa benfeitoria (rimas obscenas) – livro e e-book

01 Terça-feira Maio 2012

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

carlos mendonça lopes

É com entusiasmo que vos falo da estreia em livro do meu heterónimo, Carlos Mendonça Lopes, com este da fermosa benfeitoria (rimas obscenas).

Somos da mesma idade embora ele insista em parecer mais novo. Quando me falou da ideia de publicar este livro, pensei: que falta de senso! Apesar de me parecer bom rapaz, tem às vezes pancada. E esta de insistir em publicar rimas obscenas, não lembrava ao diabo. Espero bem que brevemente dê a lume coisa mais séria. Mas o que segue é que, para lá do que está escrito no livro, e haverá quem goste e quem deteste (é a vida!), o livro ficou muito bonito. É também opinião de quem já o viu.
Deu-se ao trabalho de apresentar estas rimas seguindo o exemplo de Camilo Castelo Branco na abertura do livro Nostalgias, com um aviso aos distraídos:

Parafraseando Camilo Castelo Branco no seu Nostalgias (Ultima Prosa Rimada)  direi que estas rimas obscenas, a que não chamarei “poesias”, para não desflorar as virginais transcendencias da Grande Arte…   foram escritas como exercícios de desenfado ao correr dos anos, sem qualquer pretexto directo. As afinidades identificadas tornaram-se evidentes a posteriori, e dão conta de um demorado convívio com a poesia erótica do cânone ocidental.

Mas afinal de que trata o livro? perguntará o leitor cheio de curiosidade. Eis o assunto:

Num diálogo com alguma herança poética europeia entre a antiguidade clássica e o século XIX, e tomando o sexo por assunto, da fermosa benfeitoria  (rimas obscenas), ilustrado  com a reprodução de 16 pinturas da erótica japonesa de oitocentos, reúne  rimas originais de sabor popular, ecoando o mito do pintor  e  modelo  forjado  no século  XIX,  a poesia erótica  de Paul Verlaine,  os contos libertinos de La Fontaine,  a poesia de Catulo  e  Ovídio,  e os  poetas  Bocage  e  Junqueiro. Termina  com uma epifania decorrente da religião. No final as evocações poéticas são convenientemente dilucidadas.

Justifica-se o homem, para publicar este livro, ter aprendido com uma ex-namorada que o sexo deve ser matéria de conversação social. Ora aí tem leitor(a): Quando numa conversa de amigo(s) o leitor(a) puxa do seu iPhone ou iPad e começa a mostrar o livro, as imagens, as rimas, ou então, na sala, tira o livro da estante e o folheia, já está! A conversa instala-se e vai por aí adiante. O limite é o céu.

Aproveite e não se arrependerá, corra a comprá-lo. Encontra-o à venda fazendo click com o rato sobre o nome do livro ao longo do texto, ou aqui.

http://br.blurb.com/user/store/53carlos

A compra é simples. Segue as instruções do site, e abre a versão e-book do livro no iTunes em qualquer dos seus computadores, ou em iBook nos iPad e iPhone.

Ao abrir, começa a folhear e esquece-se do tempo. Serão horas de prazer de ver e ler. É, leitor(a), garanto-lhe, um livro de que não se irá cansar. A ele voltará uma e outra vez, a propósito ou sem propósito, apenas para desenfado em momento de tédio, ou em repouso de actividades mais intensas. Será o dinheiro mais bem gasto em livro electrónico que lhe aconteceu. Pretexto para conversa, assunto para diversão em grupo, as ocasiões para o usar e falar dele surgirão a cada passo. Vá por mim, e não se arrependerá. E isto enquanto espera pela luxuosa versão em papel de qualidade fotográfica, encadernado a tecido preto com sobrecapa a cores, que fará um sucesso na sua sala ou no seu quarto, e que também comprou, aqui.

http://br.blurb.com/user/store/53carlos

Quer ter uma ideia do livro? Ora veja:

Visualização parcial do livro da fermosa benfeitoria (rimas obscenas)

E se gostou do que viu,  partilhe com quem conhecer. Verá que lhe vão agradecer.

A ilustrações do livro são a reprodução de 16 pinturas eróticas japonesas sobre seda, do século XIX, de minha colecção, e que o poeta pediu de empréstimo para acompanhar as suas rimas. Três ou quatro delas já apareceram no blog e dão agora a volta ao mundo. As outras vêem pela primeira vez a luz da publicidade, no livro.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Comemorar Abril

24 Terça-feira Abr 2012

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Cantam amanhãs na radio, fingindo que são noticia.

Promessas de enganar tolos cobrem o ar pelo meio

vendendo com despudor

ideias de harmonia

extraídas uma vez mais

do bafiento baú

onde guardamos os sonhos que nos deram a tragédia

vivida com convicção.

 

Fecham-se as portas de Abril na mesquinhez da incúria

e na sobre-facturação dos guardiões encartados

enquanto a gente procura

as promessas consentidas

no seu caixote do lixo.

 

Sobre a mesa corre a vista

à procura do lugar sentado para o banquete

dos faustos da liberdade.

viciodapoesia

 


Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

A Primavera segundo Rilke

18 Quarta-feira Abr 2012

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Maria gabriela Llansol, Rainer Maria Rilke

Para esta Primavera que tarda, resolvi-me à transcrição de um belo poema de Rainer Maria Rilke (1875-1926), escrito em francês e traduzido por Maria Gabriela Llansol.

PRIMAVERA

I

Ó seiva das ramagens

de todas as árvores, ergue-se

a tua melodia,

acompanhando o canto

da nossa voz demasiado breve.

 

A diversidade das figuras

do teu antiquissimo abandono é tal

que só, durante umas breves medidas,

ó fecunda natureza,

te conseguimos acompanhar.

 

Quando a nossa voz se calar,

outras virão…

Mas, neste momento, que hei-de eu fazer,

para te fazer chegar o meu imenso

coração que te completa?

 

II

Tudo se prepara para mostrar

a alegria que esplende;

a terra, e tudo o mais, a postos

para nos deslumbrar. Brevemente.

 

Estamos no melhor lugar

para tudo olhar e entender;

teremos mesmo que dizer “basta” –

e fazer recuar o encantamento.

 

Se, ao menos, estivéssemos no seu âmago envolvente!

O excelente lugar, que é o nosso,

está ligeiramente demasiado exposto

a esse jogo tão comovente.é um facto.

 

III

A seiva sobe nos capilares

e, sem prevenir, mostra aos velhos

o ano íngreme que não hão-de escalar

e que, dentro deles, iça as velas para a partida.

 

O corpo (magoado por este rompante

da natureza bruta, que desconhece

que essas artérias, onde ela ainda ferve,

suportam mal um capitão impaciente)

 

nega-se a tão inesperada aventura;

e enquanto para sobreviver se contrai,

desconfiado, o corpo facilita à terra dura

o seu biscate de morte.

 

IV

É a seiva que dá cabo

dos velhos e dos hesitantes

quando de súbito, flutua nas ruas

um nada malsão que corrói a atmosfera.

 

Todos esses que já não têm força

para erguer no céu as asas

são convidados ao divórcio

que os confunde com o pó da terra.

 

É a doçura que os abre

com a sua suprema ponta afiada,

e, aos que ainda resistem, um afago sobrevém

para os deitar ao nada.

 

V

Para que serviria a doçura

se não fosse capaz,

terna e inefável,

de nos causar pânico?

 

Está tão para além

de qualquer violencia

que, quando se solta,

ninguém lhe apara o golpe.

 

VI

No inverno, a morte homicida

entra pelas casas adentro,

à procura da irmã, à procura do pai,

para os enfeitar de violino.

 

Mas quando a terra se agita

sob a enxada da Primavera,

é plas ruas que ela anda,

a dizer “olá” a quem passa.

 

VII

É da costela de Adão

que Eva foi tirada;

mas, quando a sua vida se acaba,

para onde vai ela, moribunda?

 

Adão será a sua tumba?

Será preciso, quando está cansada,

arranjar um lugar, só para ela,

num homem impermeável?

Profunda reflexão sobre a brevidade da vida em contraste com a imperturbável perenidade da natureza,

I

…

C’est pendant quelques mesures

seulement que nous suivons

les multiples figures

de ton long abandon,

ô abondante nature,

 

Quand il faudra nous taire,

d’autres continueront…

Mais à présent comment faire

pour te rendre mon

grand coeur complémentaire?

é também da morte que nos fala, sobretudo nas três quadras de III, e ainda nesta belíssima forma de referir a visita da morte: leur joue du violon.

VI

En hiver, la morte meurtrière

entre dans les maisions;

elle cherche la soeu, le père,

et leur joue du violon.

Temos ainda em IV e V uma ambivalência na doçura que salva para a vida, ou conduz à morte:

sont invités au divorce  / qui à la terre les mêle.

Termina o poema com a enigmática interrogação do destino do homem e da mulher:

C‘est de la côte d’Adam

qu’on a retiré Ève;

mais quand sa vie s’achève,

oú va-t-elle, mourant?

 

Adam serait-il son tombeau?

Faut-il, lorsqu’elle se lasse,

lui ménager une place

dans un homme bien clos?

Passando com a maior leveza do trivial ao transcendente, a leitura da poesia de Rilke introduz-nos no mistério da palavra, estimulando no leitor a busca da multiplicidade de sentidos envolvidos no dizer poético.

Nota

O poema encontra-se no livro FRUTOS E APONTAMENTOS, tradução livre por Maria Gabriela Llansol, dos poemas de Rainer Maria Rilke escritos em francês.

É uma edição Relógio d’Água, 1996.

Optei por acompanhar os curtos comentários ao poema com o original francês para que, pelo menos os leitores que dominam a língua, tenham a percepção das, por vezes controversas, opções da tradutora.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...
← Older posts
Newer posts →

Visitas ao Blog

  • 2.368.573 hits

Introduza o seu endereço de email para seguir este blog. Receberá notificação de novos artigos por email.

Junte-se a 898 outros subscritores

Página inicial

  • Ir para a Página Inicial

Posts + populares

  • Vozes dos Animais - poema de Pedro Diniz
  • As três Graças - escultura de Canova e um poema de Rufino
  • Vasos Gregos

Artigos Recentes

  • Sonetos atribuíveis ao Infante D. Luís
  • Oh doce noite! Oh cama venturosa!— Anónimo espanhol do siglo de oro
  • Um poema de Salvador Espriu

Arquivos

Categorias

Site no WordPress.com.

Privacy & Cookies: This site uses cookies. By continuing to use this website, you agree to their use.
To find out more, including how to control cookies, see here: Cookie Policy
  • Subscrever Subscrito
    • vicio da poesia
    • Junte-se a 898 outros subscritores
    • Already have a WordPress.com account? Log in now.
    • vicio da poesia
    • Subscrever Subscrito
    • Registar
    • Iniciar sessão
    • Denunciar este conteúdo
    • Ver Site no Leitor
    • Manage subscriptions
    • Minimizar esta barra
 

A carregar comentários...
 

    %d