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vicio da poesia

Category Archives: Poesia Antiga

A mão do amor… poema de Ibn Jafäya

17 Sábado Maio 2014

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga, Raros/Curiosos

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Ibn Jafäya, Poesia do Al-Andaluz

Iluminura 12 600

A memória de amores felizes consegue dar-nos poemas onde a magia do vivido transparece.

São pouco frequentes na poesia da tradição ocidental. Não assim entre os poetas do Al-Andaluz junto de quem o gosto de cantar a felicidade do amor carnal ia de par com o poetar sobre as outras transcendências da vida.

 

A mão do amor vestiu-nos,

durante a noite, com uma túnica de abraços

que só a mão da aurora

veio por fim rasgar.

 

Para um fim-de-semana feliz é bastante!

 

Poema de Ibn Jafäya (1058-1138) em tradução de David Mourão-Ferreira in Vozes da Poesia Europeia – I.

Com mais vagar virá noticia circunstanciada sobre o poeta: vida e obra.

 

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Vinho e amor — um poema de Ibn Baqî em duas versões

16 Sexta-feira Maio 2014

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga, Raros/Curiosos

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Ibn Baqî, Poesia do Al-Andaluz

Miniatura persa 01A

Vinho e amor, combinação sublime que a poesia canta nos mais variados registos, surge em quase todas as tradições poéticas que o prazer não temem. Hoje, um poema do cancioneiro herdado do Al-Andaluz, transcrito em duas versões. O poeta, esse foi Ibn Baqî  (?-1150).

De Ibn Baqî apenas sei que nasceu em Toledo. Segundo as fontes consultadas terá sido um poeta errante desde a juventude, partindo cedo para Saragoça, passando a Córdova e mais tarde Sevilha. Terá atravessado o estreito de Gibraltar até Marrocos, de onde, na sua continuada busca e insatisfação (diz-se que era muito orgulhoso de si) regressou à Andaluzia natal, onde morreu em 1150.

 

O poema, todo ele excitação e força, tem nas versões de Jorge Sousa Braga, primeiro, e David Mourão-Ferreira, depois, resultados equivalentes na dissemelhança das opções de tradução.

 

Cena de Amor

 

Enquanto a noite arrastava a sua cauda de sombra

dei-lhe a beber vinho escuro e espesso como o pó de almíscar

E estreitei-a contra mim como um guerreiro estreita a espada

e as suas tranças pendiam dos meus ombros como talins

 

Quando por fim se rendeu ao sono afastei-a de mim

Afastei-a do meu peito

para que não adormecesse sobre uma almofada palpitante

 

Versão de Jorge Sousa Braga

 

*

Quando a noite arrastava a sua cauda de sombra,

dei-lhe a beber um vinho escuro e espesso

como o almíscar em pó

que se sorve pelas narinas.

 

Apertei-a com força, como o valente aperta a espada,

e as suas tranças eram correias de couro

que de meus ombros afinal pendessem…

 

Até que finalmente a afastei de mim

(de mim, a quem estava abraçada…)

quando ao peso do sono se rendeu.

 

Sim, afastei-a do peito que a amava

— para que não dormisse, em sobressalto,

sobre uma tão incómoda almofada

que só por causa dela palpitava.

 

Versão de David Mourão-Ferreira

Notícia bibliográfica

 

Tradução de Jorge Sousa Braga in O Vinho e as Rosas, Antologia de poemas sobre a embriaguês, Assírio & Alvim, Lisboa, 1995.

 

Tradução de David Mourão-Ferreira in Vozes da Poesia Europeia – I, Colóquio Letras nº163, Lisboa Janeiro-Abril de 2003.

 

Traduções feitas a partir de fontes indirectas, e que serão em David Mourão-Ferreira a histórica versão castelhana de Emilio Garcia Gomez, não sendo a fonte indicada para a tradução de Jorge Sousa Braga,

 

Mahmud Sobh, El diván de la poesía árabe oriental y andalusí, Visor Libros, Madrid, 2012.

 

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A Cíntia — uma elegia de Propércio

13 Terça-feira Maio 2014

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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David Mourão-Ferreira, Propércio

Charles André van Loo - retrato de rapariga 530

Contemporâneo que foi de Horácio, e pouco mais velho que Ovídio, Propércio viveu na segunda metade do século I antes de Cristo.

Nascido provavelmente em Assis, numa família de posses, vítima da guerra civil, cedo foi para Roma tentar carreira forense ou na política. Seduzido pelo ambiente literário e mundano da capital do mundo, ei-lo poeta com o livro I das elegias publicado em 28a.C.

A marca história da sua vida foi a opção por consagrar a existência, como poeta e cidadão ao serviço da puella [amada] em detrimento da res publica [coisa pública] como era prática e exigência social da época.

Apaixonado por uma mundana, Cíntia, a sua vida e poesia foram uma afirmação da liberdade de escolha do indivíduo perante o autoritarismo de uma moral pública invasora.  

Na elegia 15 do Livro II fala o poeta de uma grande noite de amor. Na variedade de linha de pensamento e estilo que caracteriza as suas elegias, o poeta aproveita para aconselhar a nudez na prática do amor.

…

aprende que em amor os olhos são quem manda

…

 

e também declarar a eterna paixão por Cíntia, a amada. Corroborando aquilo que foi uma sua escolha de vida, defende a opção pelo amor em detrimento da glória pela guerra, pois, como na  elegia 5 do livro III escreveu a abrir:

 

Pacis Amor deus est, pacem veneramur amantes:

 

O Amor é um deus de paz. / Só a paz veneramos /nós outros, os amantes.

 

(tradução de David Mourão-Ferreira)

 

Entrego-vos a um extenso fragmento da elegia 15 do Livro II, a qual possui um total de 52 versos,  numa bela versão de David Mourão-Ferreira (1927-1996).

A Cíntia

 

Oh, que feliz me sinto! Ó noite assinalável

com uma pedra branca! E tu, pequena cama,

p’lo prazer que me deste, eis-te santificada…

Que murmúrios, à luz duma velada lâmpada!

E que luta, depois com a luz apagada!

Tão breve ao meu ardor a túnica interpunha,

como, de seios nus, comigo enfim lutava!

Se me via a dormir, logo os lábios depunha

em meus olhos, dizendo: “Indolente, assim jazes?…”

E os braços de nós dois renovavam abraços;

e meus beijos sem fim detinham-se em teus lábios.

 

É Vénus profanar amarmo-nos na treva:

aprende que em amor os olhos são quem manda.

Ao tê-la visto nua abandonar o leito

é que Páris, então, por Helena se inflama…

E Endimião vai nu ante a irmã de Febo

e nus, ele e a deusa, assim vão para a cama…

Se te obstinas tu a deitar-te vestida,

toda te rasgarei: sentirás minhas mãos…

E mais longe eu hei-de ir, se o furor me domina:

há-de ver-te marcada a tua própria mãe!

Deixa esse pudor a quem já teve filhos,

tu que não tens sequer descaídas as mamas…

Mas nós, enquanto o Fado assim o determina,

sigamos com amor os olhos saciando!

E venha então a noite; e que nunca termine…

E que o dia jamais tenha dia seguinte!

 

…

 

É errado supor que o amor tenha fim:

o verdadeiro amor, esse, nunca termina.

Desentranhe-se a terra em frutos inesperados,

agitem-se no Sol os mais negros cavalos,

à nascente retorne o volume dos rios,

fiquem secos no mar os húmidos abismos:

nem mesmo assim darei a outra o meu amor,

pois vivo lhe pertenço, e lhe pertenço morto.

 

Possa eu, a seu lado, iguais noites passar,

terei a ilusão de que sou imortal:

a ilusão de haver longamente vivido,

mesmo que só me reste um só ano de vida!

Se toda a gente assim desejasse estar vivo,

não ‘staríamos nós de outros erros cativos:

e nem armas cruéis nem navios de guerra

manteriam em Roma os cuidados que a cercam.

 

Elegias, Livro II, 15, vv. 1-26 e 29-46

 

Notícia bibliográfica

 

Tradução de David Mourão-Ferreira in Vozes da Poesia Europeia – I, Colóquio Letras nº163, Janeiro-Abril de 2003.

 

Aproveito para indicar ao leitor curioso a magnífica edição dos quatro livros de Elegías de Propércio com o texto latino e tradução em espanhol (pois desconheço qualquer integral em portugês) preparada por Francisco Moya e António Ruiz de Elvira, em edição Cátedra, Madrid, 2001.

 

Para interessados na História da Literatura de Roma Antiga, a edição da FCG da obra do mesmo nome, com direcção de Mario Citroni, é companhia indispensável. Edição em Lisboa, 2006.

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A Ceifeira, poema de Luís Augusto Palmeirim com passagem por Sophia

24 Quinta-feira Abr 2014

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poesia Antiga, Poetas e Poemas

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Luis Augusto Palmeirim, Malevitch, Sophia de Mello Breyner Andresen

Ceifeiras 1929-33Em outros artigos do blog já referi o que de relevante me pareceu sobre a poesia de Luís Augusto Palmeirim (1825-1893) e o contexto de época em que a escreveu. Hoje venho com um poema onde um tipo de mulher do povo se elogia — A Ceifeira, num tempo em que apenas as burguesas eram matéria de inspiração poética.  

 

Profissão felizmente extinta pela tecnologia, a ceifa era uma actividade duríssima e sobre ela temos vasta produção literária no século XX, sobretudo entre os escritores neo-realistas. Nas lutas dos trabalhadores rurais por melhores condições de vida coube a uma ceifeira, Catarina Eufémia (1928-1954), o destino de heroína, ao cair morta às balas da polícia. É a esta mulher, a certa altura tornada símbolo, que Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) dedica um poema belíssimo e simultaneamente uma notável reflexão sobre Justiça e ser Mulher — inocência frontal que não recua:

 Mulher com pau vermelho 1932-33

Catarina Eufémia

 

O primeiro tema da reflexão grega é a justiça

E eu penso nesse instante em que ficaste exposta

Estavas grávida porém não recuaste

Porque a tua lição é esta: fazer frente

 

Pois não deste homem por ti

E não ficaste em casa a cozinhar intrigas

Segundo o antiquíssimo método oblíquo das mulheres

Nem usaste de manobra ou de calúnia

E não serviste apenas para chorar os mortos

 

Tinha chegado o tempo

Em que era preciso que alguém não recuasse

E a terra bebeu um sangue duas vezes puro

 

Porque eras a mulher e não somente a fêmea

Eras a inocência frontal que não recua

Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste

E a busca da justiça continua

 

Publicado em Dual, 1972, transcrito de Obra Poética, Editorial Caminho, Lisboa, 2011.

Raparigas no campo 1928É outro o universo em que o poema de Luís Augusto Palmeirim se move. É a graça feminil da mulher que o poeta canta, realçando como valores de beleza, ao contrário do estereótipo da época, a pele trigueira, queimada pelo sol.

A Ceifeira

 

Há quem diga por inveja

Que és feia por ser trigueira;

Dizem as damas da corte,

Deixai-as dizer ceifeira.

 

Quisera que elas te vissem

Feita senhora festeira,

Que me dissessem depois,

Se eras ou não feiticeira!

 

Que vissem com que requebros

Tu vais a mercar na feira,

Que vissem como inocente

Vais depois pular na eira.

 

Mariquinhas de olhos pretos,

Mimosa—gentil ceifeira,

És bela por caprichosa,

És linda por ser trigueira.

 

Hei-de ir à festa e de longe

Ver-te na dança ligeira,

A ver se coras na dança,

A ver se tens quem te queira.

 

Hei-de ir depois alcançar-te

No atalho, mesmo à beira,

E dizer-te que na dança

Eras gentil, a primeira.

 

A dizer-te que eras linda

Como aurora prazenteira;

A contar-te que na festa

Eras só, sem companheira.

 

A contar-te que não perdes

Por te chamarem trigueira,

A ti, rainha da festa

Mimosa—gentil ceifeira.

 

A ti que eu vi assentada

Ontem à noite à lareira,

Crendo deveras num conto,

Num conto de feiticeira.

 

A ti que vergas a cinta,

Como se verga a palmeira,

Que tens escrita no rosto

Inspiraçâo verdadeira.

 

A ti que dormes com o Cristo  

Pendente da cabeceira;

Que só choraste na vida,

Uma vez—por brincadeira!

 

A quem chamam, por inveja,

A Mariquinhas trigueira;

Porque sabem que és de todas

A mais mimosa ceifeira!

 

Porque tens nos olhos negros

O condão de dar cegueira,

A quem os fita de perto,

Com atenção verdadeira.

 

Só te falta alva capela,

Das flores da laranjeira,

Que a todos diga que a noiva

Era ainda há pouco a festeira.

 

Que nos dê a triste nova,

Que pela vez derradeira,

Vemos de perto tão perto

Aquela fronte fagueira.

 

A quem as mais, por despique,

Vendo a formosa ceifeira,

Diziam — coitada dela

Sendo assim morre solteira!

 

Transcrito de Poesias, 1ª edição, Imprensa Nacional, 1851.

Modernizei a ortografia.

Ceifeiras

No confronto destes poemas surge, gritante, a distância entre a exigência intelectual que a poesia pode ser e ter, e a graciosidade rítmica que consola o leitor poupando-o ao “enfado” da reflexão. E nesse confronto medimos também a distância que separa hoje o gosto do leitor, do gosto dos leitores de há 150 anos, se tivermos em conta quanto ambos os poetas foram populares no tempo que viveram.

 

Acompanham o artigo imagens de pinturas de Kasimir Malevitch (1879-1935).

 

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Sonhos, Um sonho — poemas de Edgar Allan Poe

15 Terça-feira Abr 2014

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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Edgar Allan Poe

Dalí -  Segundo a cabeça de Juliano de Medicis em Florença - 1982

Sonhos! Que à vida dão tenaz matiz,

Sonhos, desejo de acontecimentos, são eles que nos movem, fazendo-nos, e ao mundo, mudar com eles. Mas não é destes sonhos que os dois poemas de Edgar Allan Poe (1809-1849) nos falam. Antes remetem para a nostalgia do vivido: Ah, que fosse sempre um sonho a mocidade!

 

É complexo o nosso eu interior, e na multiplicidade significante dos sonhos muitas vezes nos enleamos. Não tanto nos sonhos para onde o sono nos leva e a psicanálise escrutina, mas naquele acordado sonhar que nos confunde e por vezes faz misturar indistintamente desejo e realidade, afastando-nos do pragmatismo que permite traçar o caminho entre o sonho e a sua materialização.

Que faz senão sonhar sempre acordado / Aquele que olha de soslaio / As coisas em redor, e com um raio / Apontado para o passado?

 

Demos à vida o sonho. Que mais podia haver de tão brilhante / No astro claro da Verdade?

 

Sonhos

 

Ah, que fosse sempre um sonho a mocidade!

E minha alma apenas despertasse à luz

Da manhã que vem com a eternidade;

Sim! pesasse o sonho embora como cruz,

Melhor me serviria ao coração

(Desde sempre, nesta terra de dormência,

Um caos de tumulto e funda paixão…)

Do que a vida desperta da existência.

 

Oh, pudesse ser assim… um sonho eterno

E constante… como esses que eu tive, incríveis,

Em rapaz… se tais coisas fossem possíveis,

Para quê querer ainda o Céu superno!

Pois em sonhos gozei a chama do Verão

No azul celeste, nos campos brilhantes…

Sem pejo, deixei o próprio coração

Em climas por mim criados… tão distantes

Do meu próprio lar, com ideias dos seres

Que eu inventava… oh, que mais podia eu ver?

 

Por uma vez, só uma… e essa hora ousada

Jamais posso eu esquecer (uma energia

Me tinha encantado)… houve uma brisa fria

Que desceu à noite e deixou, de abalada,

Sua forma em minha alma… ou o clarão

Da lua — quem sabe? — gelou o meu sono,

Ou os astros… ou o que fosse… esse sonho

Foi como o vento à noite… que passe então.

 

Embora num só sonho… eu fui feliz,

Fui tão feliz… E eu amo essa tontura…

Sonhos! Que à vida dão tenaz matiz,

Ou propiciam a contenda obscura

Da símile face ao real — e à vista

Delirante trazem coisas mais formosas

Do Céu e do Amor (e são nossas conquistas!)

Do que jamais as teve a Esperança radiosa.

 

Um Sonho

 

Em visões do breu nocturno e incerto

Sonhei com o prazer de outrora…

Mas um sonho desperto, pela aurora,

Deixou-me o coração deserto.

 

Que faz senão sonhar sempre acordado

Aquele que olha de soslaio

As coisas em redor, e com um raio

Apontado para o passado?

 

Aquele sonho santo… visionário,

Enquanto o mundo escarnecia,

Me acalentou, tal chama que irradia

Guiando uma alma solitária.

 

E embora aquela luz, na tempestade

E breu, tremesse lá distante…

Que mais podia haver de tão brilhante

No astro claro da Verdade?

 

Tradução de Margarida Vale de Gato

in Edgar Allan Poe, Obra Poética Completa, Edições tinta-da-china, Lisboa, 2009.

A imagem de abertura respeita a uma pintura de Salvador Dalí (1904-1989), Segundo a cabeça de Juliano de Medicis em Florença, de 1982.

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As horas de prazer voam ligeiras — sonetos de Joaquim Severino Ferrás de Campos

06 Domingo Abr 2014

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga, Poesia Portuguesa antiga, Raros/Curiosos

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Academia de Belas Letras de Lisboa, Joaquim Severino Ferrás de Campos, Nova Arcádia

Lagrenee - Echo e NarcisusA

Ainda que os leitores do blog, na sua maioria, permaneçam indiferentes a esta poesia antiga em que a suavidade do amor, seus prazeres e desenganos se espraia, continuo a mostrá-la depois de mais de duzentos anos guardada em livros raros. Hoje é mais um dos poetas da Nova Arcádia, Joaquim Severino Ferrás de Campos (1760-1813), Alcino Ulisiponense, de seu nome arcádico. Amigo de Bocage e do poeta Bingre, a sua poesia mereceu a ambos o elogio poético, e o comentário de Pato Moniz, de que alguma dela seria superior à poesia de Reis Quita.

A sua obra poética foi em grande parte reunida no volume Rimas, de onde transcrevo três sonetos. Neles, respira-se a mesma qualidade da poesia amorosa quinhentista ainda que envolvida por vezes na capa pastoril do edonismo arcádico. A todos subjaz uma filosofia do prazer: Enquanto o Fado nos concede a vida / De amor doces prazeres desfrutemos,

ainda que temperado pelo doce sofrimento do amor: Meu prazer em pesar foi convertendo; / … / Hoje levo a chorar um dia inteiro.

 

 

A um primeiro soneto com o enlevo do amor repassado de tristeza pela ausência da amada Lília:

O silêncio em que jaz a natureza /… /Me imprime na cansada fantasia / Mil saudosas imagens de tristeza.

 

segue-se um soneto onde o poeta lamenta o engano e a ingratidão de uma mesma ou diferente Lília:

 

Quanto iludido andei, quanto indiscreto, / Em crer seus juramentos fabulosos, / Nascidos só dum aparente afecto.

 

Termino com um terceiro soneto de convite a gozar o dia que passa — carpe diem — Às nossas almas liberdade dêmos / De se engolfarem na amorosa lida. subordinado ao mote: As horas de prazer voam ligeiras

 

Deixo-vos com os sonetos na totalidade.

 

Soneto VI

 

O silêncio em que jaz a natureza

No mais alto da noite escura, e fria,

Me imprime na cansada fantasia

Mil saudosas imagens de tristeza.

 

Tudo o que encerra a vasta redondeza

A gozar do repouso principia:

Só eu, que o cego amor tenho por guia

Corro após os encantos da beleza.

 

Cheio de mil saudades penetrantes,

Sem ver da minha Lilia o gesto brando,

Envio ao céu suspiros incessantes.

 

E por ir meus pesares mitigando,

Nas estrelas que vejo mais brilhantes

Estou seus lindos olhos contemplando.

 

Soneto X

 

Quantas vezes à sombra deste ulmeiro,

Que nas águas do Tejo se está vendo,

De Lilia no regaço adormecendo

Bendisse o meu ditoso cativeiro.

 

Mas quão depressa o Fado lisonjeiro

Meu prazer em pesar foi convertendo;

De Lilia a ingratidão, oh crime horrendo!

Hoje levo a chorar um dia inteiro.

 

Quanto iludido andei, quanto indiscreto,

Em crer seus juramentos fabulosos,

Nascidos só dum aparente afecto.

 

Mas quem diria, oh Numes rigorosos,

Que haviam empregar-se em torpe objecto

Olhos tão meigos, olhos tão formosos.

 

Mote

 

As horas de prazer voam ligeiras

 

Soneto XXI

 

Enquanto o Fado nos concede a vida

De amor doces prazeres desfrutemos,

Às nossas almas liberdade dêmos

De se engolfarem na amorosa lida.

 

Deixa temores vãos, Laura querida,

E já que a sorte quer que nos amemos,

Vindoiros infortúnios arrostemos,

Que o dano, a um puro amor, não intimida.

 

Eu jurei de ser teu, tu de ser minha,

Promessas tais, meu Bem, são verdadeiras;

Guardado Amor para te amar me tinha.

 

Esquivar-te à ternura, ah não, não queiras;

Que o tempo corre, a morte se avizinha,

As horas do prazer voam ligeiras.

 

 

Fado é usado nos soneto com o significado de sorte;

Lisonjeiro é no soneto usado com o significado de atractivo, gostoso, aprazível;

Indiscreto significa no soneto imprudente;

(v. Dicionário de Morais)

 

Sonetos transcritos de RIMAS de Joaquim Severino Ferrás de Campos, na Oficina de Thaddeo Ferreira, Lisboa, 1794.

Modernizei a ortografia.

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Um soneto de João Baptista de Lara — Albano Ulisiponence na Nova Arcádia

31 Segunda-feira Mar 2014

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga, Raros/Curiosos

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Albano Ulisiponence, João Baptista de Lara

Karl Schmidt-Rottluff 09

Cansado pensamento, em paz me deixa / Respirar um momento sossegado
…
Não perturbes meu sono desejado / Mostrando-me um rival afortunado

A fadiga mental que o desgosto de amor provoca, tem neste soneto do final do século XVIII o recorte poético que quase a torna apetecida, tal a suavidade do verso para dela dar conta, a que se acrescenta o pedido de um sono sem sonhos com o rival que o substituiu.

Quando o frouxo Morfeu meus olhos fecha / Não perturbes meu sono desejado / Mostrando-me um rival afortunado

O soneto foi escrito por João Baptista de Lara (1764-1828), Albano Ulisiponence na Academia de Belas Letras de Lisboa, também conhecida por Nova Arcádia onde pontificou Bocage, e merece saltar do pó do esquecimento. Possui o número 26 no Almanak das Musas Parte I, publicado em 1793. Deixo-vos com o soneto em ortografia modernizada.

Soneto

Cansado pensamento, em paz me deixa
Respirar um momento sossegado
Assaz é tempo enfim que um desgraçado
Ponha termo ao seu pranto, à sua queixa.

Quando o frouxo Morfeu meus olhos fecha
Não perturbes meu sono desejado
Mostrando-me um rival afortunado
Que as armas contra mim, cruel desfecha.

Não sejas tu também meu inimigo,
Se é possível, permite que eu ignore
Ou me esqueça uma vez do meu perigo.

Mas aí de mim! Por mais que ao céu implore
O céu me nega em ti um doce abrigo
E faz que eu sem cessar suspire e chore.

João Baptista de Lara

A imagem que abre o artigo mostra uma pintura do alemão Karl Schmidt-Rottluf (1884-1976).

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Dia mundial da poesia em 2014

21 Sexta-feira Mar 2014

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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Herberto Helder

Gentio CaripúnaUns por distracção, outros por descuido, alguns por opção, há gente que mantém a poesia fora da vida. Não sabem o que perdem.

É para esses que a poesia é lembrada em dia certo de calendário, o que acontece hoje. Para os outros, aqueles a quem a poesia embrulha a vida, será uma efeméride um pouco sem sentido: escolher apenas um dia por ano celebrar a poesia…

 

Façamos o gosto ao mundo dando conta de como a poesia é universal e comum ao género humano, com dois poema dos Índios da Amazónia mudados para português por Herberto Hélder.

 

 

Beijo

 

Beijei-te a palma da mão,

tinha o cheiro a melão-de-água.

Beijei-te a palma da mão,

e os rins ficaram-me em fogo.

 

Lamento amoroso

 

Não quero mulher que tenha

muito delgadas as pernas,

Como venenosas serpes,

de medo que elas me apertem.

 

Não quero mulher que tenha

muito comprido o cabelo,

um molho de ervas espesso

onde acaso eu me perca.

 

Quando sem vida me veres,

sobre o meu corpo não chores:

deixa que a águia ao ver-me

seja a única que me chore.

 

Quando sem vida me veres,

deita-me à floresta negra:

o tatu há-de vir ver

a cova onde meter-me.

 

Poemas publicados em Poemas Ameríndios, poemas mudados para português por Herberto Helder, Assírio & Alvim, Lisboa, 1997.

O jovem representado a abrir esta celebração anual, foi desenhado por anónimo quando da Viagem Filisófica ao Amazonas efectuada por Alexandre Rodrigues Ferreira em 1783-1792, e seria o que lhe chamaram Gentio Caripúna vivendo nas cachoeiras de cima do Rio da Madeira. Não tenho dificuldade em imaginar que partilharia os sentimentos expressos nos poemas transcritos, e vindos daquelas regiões.

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Shakespeare — soneto 28 em traduções de Carlos de Oliveira e Vasco Graça Moura

18 Terça-feira Mar 2014

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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Carlos de Oliveira, Jean-Honoré Fragonard, Shakespeare, Vasco Graça Moura

Fragonard,_Inspiration 1769Há um sofrimento de amor na distância do(a) amado(a) que ao rescrever o soneto 28 de Shakespeare (1564-1616), Carlos de Oliveira (1921-1981) torna explícito. Não assim a versão de Vasco Graça Moura (1942) que, ao procurar respeitar a rima e utilizar um preciosismo de linguagem de sabor antigo, conserva a ambiguidade que o original também autoriza.

 

Eis as duas versões seguidas do original.

 

 

Soneto 28 reescrito por Carlos de Oliveira

 

Como voltar feliz ao meu trabalho

se a noite não me deu nenhum sossego?

A noite, o dia, cartas dum baralho

sempre trocadas neste jogo cego.

Eles dois, inimigos de mãos dadas,

me torturam, envolvem no seu cerco

de fadiga, de dúbias madrugadas:

e tu, quanto mais sofro mais te perco.

Digo ao dia que brilhas para ele,

Que desfazes as nuvens do seu rosto;

digo à noite sem estrelas que és o mel

na sua pele escura: o oiro, o gosto.

  Mas dia a dia alonga-se a jornada

  e cada noite a noite é mais fechada.

 

Transcrito de Obras de Carlos de Oliveira, Editorial Caminho, Lisboa, 1992.

 

Soneto 28 em versão de Vasco Graça Moura

 

Posso voltar à leda condição

sem ter descanso ao menos que me anime?

O dia oprime e vir a noite é vão,

a noite ao dia, o dia à noite oprime,

reinos adversos que em consentimento

se dão as mãos a torturar-me-me e basta,

um por fadiga, o outro por lamento

de mais penar que mais de ti me afasta.

Que és claro digo ao dia a ver se agrado,

que lhe dás graça indo as nuvens altas,

e à noite lisonjeio o turvo estado,

que a não haver estrelas tu a esmaltas.

  Longas penas diárias traz-me o dia,

  maior pena noturna a noite cria.

 

Transcrito de Os Sonetos de Shakespeare versão integral, Desenhos de Jorge Martins, Bretrand Editora, Lisboa, 2007.

 

SONNET 28

 

How can I then return in happy plight,

That am debarred the benefit of rest?

When day’s oppression is not eased by night,

But day by night and night by day oppressed?

And each (though enemies to either’s reign)

Do in consent shake hands to torture me,

The one by toil, the other to complain

How far I toil, still farther off from thee.

I tell the day to please him thou art bright,

And dost him grace when clouds do blot the heaven;

So flatter I the swart-complexioned night,

When sparkling stars twire not thou gild’st the even.

  But day doth daily draw my sorrows longer,

  And night doth nightly make grief’s length seem stronger.

 

Transcrito de Complete Sonnets and Poems, edited by Colin Burrow, Oxford University Press, 2002.

 

Acompanha o artigo a imagem de uma pintura de Jean-Honoré Fragonard (1732-1806) — Inspiração.

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A viagem de Brandão ao Paraíso

10 Segunda-feira Mar 2014

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poesia Antiga, Raros/Curiosos

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Etiquetas

Benedeit, Bosch

Triptych of Garden of Earthly Delights (central panel) det8

São os leitores do blog pessoas de austero gosto e ocupadas em elevados pensamentos. Procurando ir ao seu encontro, o que nem sempre se proporciona, transcrevo a visita que Brandão, abade irlandês, terá feito ao paraíso terreal no século VI.

 

…

Eles navegaram quarenta dias no alto-mar

…

Sob a protecção do rei divino

Se acercaram da neblina espessa

Que envolvia aquele lugar do Paraíso.

…

Era a neblina tão cerrada e escura

Que engolia quem nela entrasse

…

Ao acercarem-se viram a nuvem partir-se ao meio

E abrir um espaço com a largura de uma rua

…

Durante três dias navegaram velozes

Por aquele caminho certo e seguro.

…

E ao longe avistaram o Paraíso.

Viram primeiro uma alta muralha

Erguida a direito até às nuvens.

…

Triptych of Garden of Earthly Delights (left wing) det4Introduzidos que estão os leitores no quadro temporal e geográfico da viagem, talvez se perguntem agora:

Mas afinal quem era este Brandão?

 

O Abade Brandão, homem que era

De muito siso, prudente e sagaz,

…

 

E que queria da vida?

 

Queria saber antes ainda da sua morte

Como é a casa onde só os bons podem entrar

E qual o lugar aos maus destinado

Triptych of Garden of Earthly Delights (central panel) det9

Pelos vistos Deus concedeu-lhe o desejo. Aí vai uma parte da história. O resto conta-a Benedeit em A viagem de São Brandão.

 

Visão do Paraíso

 

Abriu-se a porta de par em par

E eles entraram na verdadeira glória.

Seguiu adiante o formoso donzel

Que lhes foi mostrando o Paraíso.

Formosíssimos bosques rios e ribeiras

Cobrem e sulcam aquela terra.

São um jardim as pradarias

Florido tapete das mais belas flores.

Como em lugar piedoso e santo

As flores exalam suaves aromas.

Árvores frondosas flores preciosas

Variados frutos de raro perfume.

Não se vêem ortigas e cardos não há

Não crescem silvas nem matagais.

Árvores e ervas flores e plantas

Tudo desprende suave doçura.

As árvores dão frutos abrem-se as flores

Em cada dia de qualquer estação.

Os dias de verbosas todos os dias

Nas árvores medram as flores e a fruta

Nos bosques pastam veados sem conto

Saborosos peixes nadam nos rios

Nos Campos correm regatos de leite.

É uma terra abundante e farta!

Como o rocio caído do céu

O mel escorre de arbustos e juncos.

Generoso em ouro e pedras de preço

Ergue-se um monte como um tesouro.

Ali é eterno o esplendor do sol

O vento e a brisa não movem um pelo

E não há uma nuvem a pairar no ar

Roubando ao sol claridade e luz.

Quem ali morar penas não sofre

Nem há nenhum mal que lhe toque em sorte

Borrasca ou calor o gelo e o frio

A fome e a sede ou a vil miséria.

A sua riqueza será abundante

De tudo terá mais que à vontade.

Sem nada perder é certo e seguro

No dia a dia tudo há-de achar.

Brandão deleitou-se na alegria

Daquela hora que parece breve.

Ele bem queria ver e gozar

Demorar o olhar sem tempo nem pressa.

O donzel o levou por ali adentro

E muitas coisas lhe foi ensinando

E descrevendo com muitas minúcias

Prazeres e delícias que haverá de gozar.

Foi o donzel com o abade atrás

Até um monte de ciprestes coberto.

Do cume do monte ele viu maravilhas

Que estas palavras não podem contar.

Ele viu os anjos e também os ouviu

Cantar a alegria pela sua chegada.

Jamais escutara tão suave melodia

Tão branda e tão doce que fazia sofrer

E de seu natural não entendia

Não sabia gozar tão imensa glória.

Disse o donzel:  “Regressemos agora!

Mais adiante não vos posso levar

Mais vos mostrar não é permitido

Embora haja ainda muito a saber.

…

Triptych of Garden of Earthly Delights (central panel) det7Tal como Brandão, quando ao paraíso voltar o resto verá, assim os leitores das outras maravilhas saberão quando desta vida partirem…

 

Transcrevi da tradução de José Domingos Morais, edição Assírio & Alvim, Lisboa 2005.

Triptych of Garden of Earthly Delights (central panel) det2Acompanham o artigo imagens do tríptico de Hieronymus Bosch (1450-1516), O Jardim das Delícias.

Bosch_Hieronymus-The_Garden_of_Earthly_Delights

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