• Autor
  • O Blog

vicio da poesia

Category Archives: Convite à arte

Domingo à tarde, o poema de Alfred Lichtenstein com paisagens urbanas de Egon Schiele

10 Domingo Mar 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Alfred Lichtenstein, Egon Schiele

Egon Schiele - suburbios

Deixemos entrar no meio das harmonias de que aqui falo um pouco da crueza do mundo que aos nossos olhos se expõe, apenas consintamos à vista circular em redor.

Egon Schiele - casas com roupas penduradas 2

Não obstante o poema de Alfred Lichtenstein (1889-1914) ser do inicio do século XX (1912), há uma realidade de miséria material e humana que perdura nas nossas sociedades e grita para que dêmos por ela.

Egon Schiele - casas amarelas

No poema, alguns detalhes são-nos hoje estranhos, mas a atmosfera em domingo de província ou de periferia urbana permanece reconhecível.

Egon Schiele - Cidade de Krumau 1915-16

Em ruas podres acampa o casario,
Sobre cuja bossa baço sol clareia.
Um cão de luxo perfumado e com cio
Atira ao mundo olhares de quem esgazeia

De fraldas cheias gritam bebés zangados.
Numa janela, a apanhar moscas, está um moço.
Um comboio no céu, sobre ventosos prados,
Vai pintando lento e longo traço grosso.

Como máquinas matraqueiam ferraduras.
Cheios de pó chegam ginastas ruidosos.
Lançam-se gritos brutais de tascas escuras.
Mas são cortados por inóspita maviosos.

Nos lupanares, onde s atletas lutam,
Difuso entardecer já tudo engole.
Um realejo uiva e criadas cantam.
Um homem esmaga mulher podre e mole.

La ciudad vieja

A pintura de paisagens urbanas de Egon Schiele (1890-1918) que acompanha o poema é grosso modo sua contemporânea. Género menos frequente na obra do pintor, no pesado do seu colorido, ela dá conta da atmosfera de pobreza e necessidade que também hoje se vive nos centros históricos semi-abandonados e em vastas zonas de arrabalde das grandes cidades.

Egon Schiele - casas com roupas penduradas

Termino com um pungente retrato de mãe e filha, também de Egon Schiele, dando conta de uma realidade que, afinal, permanece.

Egon Schiele - Mae e filha 500

A tradução portuguesa do poema é de João Barrento.

Para os eventuais conhecedores do alemão, segue o original do poema:

Sonntagnachmittag

Auf faulen Straßen lagern Häuserrudel,
Um deren Buckel graue Sonne hellt.
Ein parfümierter, halbverrückter kleiner Pudel
Wirft wüste Augen in die große Welt.

In einem Fenster fängt ein Junge Fliegen.
Ein arg beschmiertes Baby ärgert sich.
Am Himmel fährt ein Zug, wo windge Wiesen liegen;
Malt langsam einen langen dicken Strich.

Wie Schreibmaschinen klappen Droschkenhufe.
Und lärmend kommt ein staubger Turnverein.
Aus Kutscherkneipen stürzen sich brutale Rufe.
Doch feine Glocken dringen auf sie ein.

In Rummelplätzen, wo Athleten ringen,
Wird alles dunkler schon und ungenau.
Ein Leierkasten heult und Küchenmädchen singen.
Ein Mann zertrümmert eine morsche Frau.

 

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Herberto Helder e O AMOR EM VISITA no Dia da Mulher

08 Sexta-feira Mar 2013

Posted by viciodapoesia in Cânone XXI, Convite à arte, Poetas e Poemas

≈ 1 Comentário

Etiquetas

Herberto Helder, Matisse

Matisse_Henri-Zulma

Para quem anda distraído, ou ocupado nas imensas ninharias da vida, celebra o mundo neste dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher.
Assunto maior e recorrente no blog – A Mulher – aproveito a comemoração para, com pouca conversa, transcrever o longo poema/oração de Herberto Helder (1930) O AMOR EM VISITA, um entre aquela menos que duzia de obras-primas absolutas da poesia portuguesa do século XX, pela primeira vez publicado em 1958 e sucessivamente retocado.

Poema de exaltação do amor pela mulher, que a abrir nos diz:

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.

Com o poema caminhamos na musica encantatória do verso, e percorremos, entre o instante e o eterno, a vertigem do amor:

Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
– Porém, tu sempre me incendeias.

sabendo que no final e sempre:

Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.

O AMOR EM VISITA

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.

Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas –
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes.
Ele – imagem vertiginosa e alta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.

Em cada mulher existe uma morte silenciosa.
E enquanto o dorso imagina, sob os dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
– Oh cabra no vento e na urze, mulher nua sob
as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora
da morte e da alegria.

Dai-me uma mulher tão nova como a resina
e o cheiro da terra.
Com uma flecha em meu flanco, cantarei.
E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,
cantarei seu sorriso ardendo,
suas mamas de pura substância,
a curva quente dos cabelos.
Beberei sua boca, para depois cantar a morte
e a alegria da morte.

Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro
pescoço de planta,
onde uma chama comece a florir o espírito.
À tona da sua face se moverão as águas,
dentro da sua face estará a pedra da noite.
– Então cantarei a exaltante alegria da morte.

Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
– Porém, tu sempre me incendeias.
Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite
imagem pungente
com seu deus esmagado e ascendido.
– Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.
Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espada
se perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra – invento para ti a música, a loucura
e o mar.

Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo –
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada
beleza.

Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.

Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida – e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém
teu silêncio de fogo e leite repõe
a força maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor. As coisas nascem de ti
como as luas nascem dos campos fecundos,
os instantes começam da tua oferenda
como as guitarras tiram seu início da música nocturna.

Mais inocente que as árvores, mais vasta
que a pedra e a morte,
a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,
tinge a aurora pobre,
insiste de violência a imobilidade aquática.
E os astros quebram-se em luz sobre
as casas, a cidade arrebata-se,
os bichos erguem seus olhos dementes,
arde a madeira – para que tudo cante
pelo teu poder fechado.
Com minha face cheia de teu espanto e beleza,
eu sei quanto és o íntimo pudor
e a água inicial de outros sentidos.

Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.

Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
– Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.
Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes.

Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
– Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.

Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
– o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.

Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
– E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.

Se te aprendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
– No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue.

Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
– Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.

As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamente
a nossa vida. As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros
do crepúsculo
– aspiram longamente a nossa vida.

Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho,
no mosto aberto
– no amor mais terrível do que a vida.

Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.

E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.

De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.
Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável –
em cada espasmo eu morrerei contigo.

E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água – e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.

Transcrevi a versão publicada em OU O POEMA CONTÍNUO, edição da obra poética de Herberto Helder, na forma definitiva de 2004, publicada por Assírio & Alvim em Setembro de 2004.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Mais Álvaro de Campos – Ai, Margarida, …

06 Quarta-feira Mar 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Álvaro de Campos, Edward Burra, Fernando Pessoa

Edward Burra 1905-1976 Tate

Mesmo nas mais aparentes bagatelas poéticas encontramos sobre que reflectir ao ler a poesia de Fernando Pessoa.

Nesta brincadeira sobre a leviandade e o amor, o diálogo entre o casal revela o contraste frequente entre homem e mulher, na oposição entre a fantasia masculina e o pragmatismo feminino.

A forma poética, prenhe de trivialidades, forçou o autor a declarar no final da conversa/poema tratar-se do resultado de uma bebedeira.

Ai, Margarida,
Se eu te désse a minha vida,
Que farias tu com ella?
– Tirava os brincos do prego,
casava c’um homem cego
E ia morar para a Estrella.

Mas, Margarida,
Se eu te désse a minha vida,
Que diria tua mãe?
– (Ella conhece-me a fundo.)
Que ha muito parvo no mundo,
E que eras parvo tambem.

E, Margarida,
Se eu te désse a minha vida
No sentido de morrer?
– Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.

Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fôsse senão poesia?
– Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem effeito.
Nesta casa não se fia.

Comunicado pelo Engenheiro Naval

Sr. Alvaro de Campos em estado

de inconsciencia

alcoolica.

Transcrição ortográfica conforme a edição crítica de Teresa Rita Lopes do Livro de Versos de Álvaro de Campos, Editorial Estampa, 1993.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Apostilla por Alvaro de Campos ou a reflexão de Fernando Pessoa sobre carpe diem

05 Terça-feira Mar 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Álvaro de Campos, Fernando Pessoa, Modigliani

Modigliani_Amedeo-The_Young_Apprentice

Deixei há pouco tempo no blog um artigo em torno da Ode a Leucónoe de Horácio. Nele, a defesa do aproveitar a vida que passa sem preocupação pelo amanhã é o assunto. Carpe diem, é a ideia expressa em latim, e desde Horácio surge a espaços na poesia. Encontrámo-la no poema A vida, de Páladas, que aqui também deixei, e hoje retomo-a com o eco que a expressão encontrou em Álvaro de Campos, no poema Apostilla. Aqui, é a peculiar forma da reflexão Pessoana que se desenvolve através do seu heterónimo, interrogando-se sobre o que aproveitar o tempo significa.

Apostilla

Aproveitar o tempo!
Mas o que é o tempo, para que eu o aproveite?
Aproveitar o tempo!
Nenhum dia sem linha…
O trabalho honesto e superior…
O trabalho á Virgilio, á Milton…
Mas é tam diffícil ser honesto ou ser superior!
É tam pouco provavel ser Milton ou ser Virgilio!

Aproveitar o tempo!
Tirar da alma os bocados precisos – nem mais nem menos –
Para com elles juntar os cubos ajustados
Que fazem gravuras certas na história
(E estão certas também do lado de baixo que se não vê)…
Pôr as sensações em castello de cartas, pobre China dos serões,
E os pensamentos em dominó, egual contra egual,
E a vontade em carambola diffícil…
Imagens de jogos ou de paciencias ou de passatempos –
Imagens da vida, imagens das vidas. Imagens da Vida…

Verbalismo…
Sim, verbalismo…
Aproveitar o tempo!
Não ter um minuto que o exame de consciencia desconheça…
Não ter um acto indefinido nem facticio…
Não ter um movimento desconforme com propositos…
Boas maneiras da alma…
Elegancia de persistir…

Aproveitar o tempo!
Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro.
Meu cerebro está prompto como um fardo posto ao canto.
Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste.
Aproveitar o tempo!
Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos.
Aproveitei-os ou não?
Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros minutos?!

(Passageira que viajavas tantas vezes no mesmo compartimento comigo
No comboio suburbano,
Chegaste a interessar-te por mim?
Aproveitei o tempo olhando para ti
Qual foi o rhythmo do nosso socego no comboio andante?
Qual foi o entendimento que não chegámos a ter?
Qual foi a vida que houve nisto? Que foi isto á vida?)

Aproveitar o tempo!…
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!
Deixem-me ser uma folha de arvore, titillada por brisas,
A poeira de uma estrada, involuntaria e sòsinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O peão do garoto, que vae a parar,
E oscilla, no mesmo movimento que o da terra,
E estremece, no mesmo movimento que o da alma,
E cahe, como cahem os deuses, no chão do Destino.

11/4/1928 – data do testemunho dactilografado.
Poema publicado em O Noticias Ilustrado, 27/2/1928.

Transcrição ortográfica conforme a edição crítica de Teresa Rita Lopes do Livro de Versos de Álvaro de Campos, Editorial Estampa, Lisboa, 1993.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Entre o eterno e o efémero: os jardins de Monet

05 Terça-feira Mar 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Claude Monet

Monet - mulher no jardim 1866Claude Monet (1840-1926), na incessante busca de guardar o efémero do visível na eternidade da tela, dando conta das cambiantes com que a luz matiza a paisagem, pintou ao longo da vida jardins, e neles cristalizou uma evanescente realidade que nos toca no imponderável do seu insinuado colorido.

Nas primeiras telas, e escolhi a mais antiga de 1866, há ainda alguma precisão no desenho, o qual se vai esbatendo com os anos na abstracção da pincelada, mas encontramos também o que viria a ser a marca do mestre, aquela mágica atmosfera em que a alma mergulha ao contemplar a realidade do quadro, e que nestas pinturas quase faz sentir o perfume das flores.

Monet jardins 02

Nas imagens que escolhi, as mulheres, quando presentes, transmitem a fragilidade das flores, e com elas seguimos ao encontro do inefável.

Monet jardins 03

Monet jardins 01

Monet jardins 08

Monet jardins 11

Monet jardins 06A

Monet jardins 09

Monet jardins 12

 

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Alvaro de Campos – O Binómio de Newton

04 Segunda-feira Mar 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poetas e Poemas, Prosas

≈ 6 comentários

Etiquetas

Álvaro de Campos, Fernando Pessoa, Newton

Venus de Milo - Louvre

A uns causa estranheza, a outros, onde me incluo, a comparação feita no poema de Alvaro de Campos entre a Vénus de Milo (escultura grega da colecção do museu do Louvre), arquétipo da beleza feminina pelos séculos, e o binómio de Newton, (solução matemática para um problema de cálculo descoberta pelo físico e matemático inglês, Sir Isaac Newton (1643-1727)), parece justíssima e um golpe de génio poético, a sua formulação.

O binomio de Newton é tão bello como a Venus de Milo.
O que ha é pouca gente para dar por isso.

(Alvaro de Campos)

óóóó—óóóóóó óóó—óóóóóóó óóóóóóóó

(O vento lá fóra)

Acompanho o poema com os seus protagonistas: a abrir, uma foto da Vénus de Milo, da colecção do museu do Louvre, e a seguir, a explicitação matemática do binómio de Newton.

A formulação do binómio de Newton escreve-se  da seguinte forma:
onde os coeficientes  são chamados coeficientes binomiais e definem-se como: onde  e  são inteiros,  e  é o fatorial de x.
O coeficiente binomial  traduz, em análise combinatória, o número combinações de n elementos agrupados k a k.

Quando atacado de insónias, leitor(a), é bom remédio manualmente desenvolver o cálculo arbitrando o x e y da vida, e escolher n e k à medida da insónia. (Deixo à vossa imaginação a matemática da coisa). Rapidamente chega o sono repousante.

Bons sonhos!

Nota bibliográfica

Transcrevi a versão ortográfica de Teresa Rita Lopes na sua edição crítica do Livro de Versos de Álvaro de Campos, o heterónimo de Fernando Pessoa (1888-1935), Editorial Estampa, Lisboa, 1993.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Um nu na floresta – Jean-Baptiste-Camile Corot

03 Domingo Mar 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Corot

Jean-Baptiste-Camille Corot 01O pessoal antigo socorria-se de pretextos, os mais diversos, para pintar mulheres nuas. Ele eram odaliscas, ele eram Afrodites, ele eram Vénus, e por aí fora. Lá por meados do século XIX, com o triunfo do realismo nas artes e uma substancial alteração da moral em França, as mulheres começam a surgir sem roupa nas pinturas, dispensando os pretextos mitológicos. E quando chegamos ao final do século XIX, consolidada uma certa liberdade visual, os banhos de mulheres nuas em grupo e ao ar livre, abundam.

Ingres pintou, a par de Courbet, e de forma naturalista, algumas as mais belas, dando à pintura a palpitação da carne. No entanto, a escolha de hoje cai sobre uma obra de Jean-Baptiste-Camile Corot (1796-1875), e é quase singular na obra do mestre, cuja actividade pictórica se desenvolveu sobretudo na paisagem.

A pintura, na harmonia do colorido e na serenidade da pose, convida à suave contemplação do belo corpo da jovem que se penteia, e aqui fica em detalhe.

Jean-Baptiste-Camille Corot 02

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

E. E. Cummings — dois poemas

27 Quarta-feira Fev 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poetas e Poemas

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

E. E. Cummings, Marc Chagall

Chagall_Marc-Russian_Village_under_the_Moon

Em repouso do sublime, trago hoje dois curtos poemas de E. E. Cummings (1894-1962).

São poemas que celebram a mulher amada, nos antípodas da proverbial ironia, ou mesmo sarcasmo, do poeta, cristalizada nos conhecidos versos:

as senhoras de Cambridge que vivem em almas mobiladas
são desgraciosas e têm pensamentos confortáveis
…

Para a mulher amada encontra não uma alma mobilada, mas

a lua esconde-se no /cabelo dela.,

belos versos a que outros se acrescentam:

quando o meu amor vem ter comigo é
um pouco como música,…

Espero ter-lhe aberto o apetite e deixo-o, leitor, com os poemas na totalidade.

*
quando o meu amor vem ter comigo é
um pouco como música,um
pouco mais como uma cor curvando-se(por exemplo
laranja)

contra o silêncio,ou a escuridão….

a vinda do meu amor emite
um maravilhoso odor no meu pensamento,

devias ver quando a encontro
como a minha menor pulsação se torna menos.
E então toda a beleza dela é um torno

cujos quietos lábios me assassinam subitamente,

mas do meu cadáver a ferramenta o sorriso dela faz algo
subitamente luminoso e preciso

—e então somos Eu e Ela….

o que é isso que o realejo toca

**
a lua esconde-se no
cabelo dela.
O
lírio
do céu
cheio de todos os sonhos,
desce

encobre a sua brevidade em canto
cerca-a de intricados débeis pássaros
com margaridas e crepúsculos
Aprofunda-a,

Recita
sobre a sua
carne
as pérolas

da chuva uma a uma murmurando.

Tradução de Cecília Rego Pinheiro, in livrodepemas, ed Assírio & Alvim, 1999.

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Com a poesia de Frei Agostinho da Cruz

26 Terça-feira Fev 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poesia Antiga

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Albrecht Dürer, Frei Agostinho da Cruz

Dürer - Estudo de mãos 02A…
O mundo é sonho vão, que enleia a vida,
Quem nele está melhor, tem pior alma
E quem o desprezou, tem alma e vida.

Afasto-me hoje da prosaica poesia contaminada de quotidiano por onde tenho circulado, e dirijo-me para as auras poéticas da transcendência do ser, guiado pela inspiração de Frei Agostinho da Cruz (1540-1619).

Irmão mais novo do poeta Diogo Bernardes, fez-se monge capuchinho arrábido aos 20 anos e professou no conventinho da serra de Sintra, onde viveu até aos 65 anos. Por essa altura, em 1605, pediu para viver como eremita na serra da Arrábida.

Por vezes atormentada, a sua poesia é sobretudo uma contemplativa reflexão do homem que escreve num soneto que mais à frente transcrevo:

Perdi-me dentro de mim, como em deserto,

Ou num outro soneto:

Acostumado tinha o sofrimento / A um mal, que já de antigo não sentia,
…
Dantes somente amor me perseguia, / Agora amor, fortuna e pensamento.
…

Estes tormentos do mundo são mitigados com a fé religiosa onde o monge procura apoio, por exemplo nesta espécie de orações em soneto para protecção de sonhos pecaminosos ao deitar, e enlevo do dia, ao despertar:

Ao recolher à noite para dormir

Omnipotente Deus, que o sol criastes
Presidente da luz do claro dia,
E o governo da noite escura e fria
À inconstante lua encarregastes:

Por refugio das gentes ordenastes
O repousado sono que alivia
O diurno trabalho e agonia,
A que nossa natureza obrigastes.

Pois deste se aproveita o inimigo,
Representando em sonhos e alusões,
Com que a vossa majestade ofendamos:

Livrai-nos do mal dele, e do perigo
De seus ardis e torpes invenções,
Por que dormindo ainda vos sirvamos.

Ao levantar da cama

Graças vos dou, Senhor, que da escura
Noite e perigos dela me livrastes,
Deste dia ver a luz deixaste
A mim humilde vossa criatura.

Fazei que esta alma seja nele pura
E limpa de pecado, pois a amastes,
E para me salvar do céu baixastes,
Tomando a carne nossa a figura

Com todo coração, e de vontade,
Com a palavra, obra e pensamento
Vos sirva, louve e ame neste dia.

Louvando vossa eterna majestade,
A meu obrar dareis merecimento,
Para gozar no céu vossa alegria.

Na simplicidade da vida monástica e no encontro com a natureza, sentiu a proximidade e o conforto de Deus.

Façamos primeiro uma curta digressão por alguma da poesia inspirada na natureza da serra da Arrábida.

Na Serra D’Arrábida

No meio desta serra, onde se cria
Aquela saudade d’alma pura,
Que no duro penedo acha brandura,
Ardente fogo dentro n’água fria:

Ouço do passarinho a melodia,
Vejo vestir o bosque de verdura,
Variar-se no céu outra pintura,
Que em vários sentimentos me varia.

Pasmando de quam mal se gasta a vida
De quem na terra quer subir ao céu
Pois caminhar em fim ninguém duvida.

Menos da vida estreita que escolheu,
Dos seus mais escolhidos mais seguida,
Christo Jesu, que numa Cruz morreu.

Da contemplação a mesma

Dos solitários bosques a verdura,
Nas duras penedias sustentada,
N’esta serra, do mar largo cercada,
Me move a contemplar mais fermosura.

Que tem quem tem na terra mór ventura,
Nos mais altos estados arriscada,
Se não tem a vontade registada
Nas mãos do Criador da criatura?

A folha que no bosque verde estava,
Em breve espaço cai, perdida a flor,
Que tantas esperanças sustentava.

Por isso considere o pecador,
Se quando na pintura se enlevava
Não se enlevava mais no seu pintor.

Da poesia que deixou, alguma foi publicada parcialmente a partir de cancioneiros manuscritos, já bem entrado o século XVIII. O conjunto da obra aguarda ainda, ao que suponho, uma edição crítica.

No sabor maneirista destes sonetos encontramos o homem incerto de si, em suave conflito com as paixões terrenas e de pensamento virado para o além.

*
No silêncio da noite, em que vigio,
Desterrado da terra o pensamento,
No que dentro nesta alma represento,
Ora me aquento mais, ora me esfrio.

E pera temperar fogo com frio,
Em que me esfrio mais, ou mais me aquento,
Dos efeitos do puro sentimento
Na minha saudade choro e rio.

Depois destes contrários temperados
Na môr quietação, na môr brandura
Meus pensamentos ficam sepultados:

Temperada a frieza na quentura
Do meu divino amor tão apurados,
Que me deixam em paz na sepultura.

Chora os desvarios da sua desaproveitada mocidade

Ó montes altos, vales abatidos,
Verdes ribeiras de correntes rios,
Ora por baixo de bosques sombrios,
Ora por largos campos estendidos:

Onde mais claros vejo repetidos
Meus mal considerados desvarios
De pensamentos vãos, baixos e frios,
Emendados tão mal, quão mal sentidos.

Passei a mocidade sem proveito,
Antes contra meu Deus acrescentando
Culpas a quantas culpas tenho feito.

Cuja pena a velhice está purgando
Para passar da morte o passo estreito,
Se não se no seu sangue for nadando.

Da emenda

Concluído me tenho a mim comigo
De deixar o caminho que levava,
Vendo com razoes claras quanto errava
Em não me desviar do mais antigo.

Pois no trabalho seu, por môr perigo
Meu amigo consigo a mim me achava;
E quando no meu mal algum buscava,
Achava-me comigo sem amigo.

Agora dei a volta por caminhos
De solitários bosques enramados
De feras bravas, mansos passarinhos.

Que inda que entre os espinhos conversados,
Mais quero pés descalços entre espinhos,
Que dos homens humanos espinhados.

À sua inalterável confiança em Deus

Ancorou-me a velhice no remanso
Deste mar oceano, largo e brando,
Onde não tenho já que andar remando,
Nem querer noutra parte melhor lanço.

Neste repouso meu, em que me lanço,
E me levanto sempre desejando,
As forças se me vão acrescentando
Para alcançar um bem que não alcanço.

E tendo já no mar ferro lançado,
A confiança minha não se altera,
Por mais que o bravo mar vejo alterado.

Antes mais firma e forte preservera,
Que quem só no seu Deus tem ancorado,
Do bem se logra já, que ter espera.

À morte

Os correios da morte são chegados
Por caminhos antigos, impedidos
Mal com meus olhos, mL com meus ouvidos,
ML com meus pés, do chão mal levantados.

E mal, por não chorar bem meus pecados,
Que sendo sete, e cinco meus sentidos,
Por serem tantas vezes repetidos,
Impossível será serem contados.

Se não viera a morte acompanhada
De conta, que dar devo tão estreita,
Não fora tão penosa imaginada.

Mas a que vivo e morto tenho feita,
Tenho com meu Senhor na Cruz pregada,
Onde o ladrão contrito não se enjeita.

*

Contentamentos meus que já passastes,
Trocando a vida alegre, que vivia,
Por este mal, que passo, que um só dia
Me não deixam, depois que me deixastes.

Acabar me convém, pois acabastes
De dar-me o desengano, que encobria
Uma esperança vã, que me trazia
Contente, a qual também me já tirastes.

Os olhos, que Amor sempre guiava
Aonde eu tinha firme o pensamento,
Quando vossa presença os alegrava;

Agora chorarão vosso apartamento,
Que lhe tirou um bem, que os sustentava,
E só de vós ficou o sentimento.

Depois desta curta visita onde alguns momentos poéticos nos consolam, termino com a transcrição completa dos sonetos citados no inicio.

*

Acostumado tinha o sofrimento
A um mal, que já de antigo não sentia,
E posto que era grave, nele via
Que o uso diminui o sentimento.

Ordenaram-me os céus novo tormento
No tempo, que esperei nova alegria;
Dantes somente amor me perseguia,
Agora amor, fortuna e pensamento.

A lembrança dos bens, que noutro estado
Teve este peito meu, que em chamas arde,
Está levando sempre meu cuidado.

Choro a noite, a manhã, a sesta e a tarde,
Mas não devo estar desesperado,
Pois não se escusa a morte, inda que tarde.

*

Perdi-me dentro de mim, como em deserto,
Minha alma está metida em labirinto,
Continuo contradigo o que consinto,
Cem mil discursos faço, em nada acerto.

Velo seguro o dano, o bem incerto,
Comigo porfiando me desminto,
O que mais atormente, menos sinto,
O bem fogo, quando está mais certo.

E se as asas levanta o pensamento
Àquela parte onde está escondida
A causa deste vario movimento.

Transforma-se por não ser conhecida,
Por que quer apesar do sofrimento
Pôr as armas da morte em mão da vida.

Os sonetos transcritos, com modernização da ortografia, constam de Poesia Inéditas de Frei Agostinho da Cruz, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1924.

O desenho com as mãos em prece, que abre o artigo é do pintor alemão Albrecht Dürer (1471-1528), tal como o desenho de um velho com que encerro esta espiritual visita

Durer_Albrecht-Study_of_a_Man_Aged_93

 

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...

Veneza pelo pincel de Francesco Guardi

21 Quinta-feira Fev 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte

≈ Deixe um comentário

Etiquetas

Francesco Guardi

guard299

São irresistíveis as pinturas de Francesco Guardi (1712-1793) sobre Veneza. Fazendo uso daquele peculiar colorido que transforma as vistas de Veneza em imagens de sonho, a técnica de pintura, em que edifícios e gente são apenas insinuados na sua mancha identificável, transmite simultaneamente o prazer do reconhecimento e da estranheza, convidando o olhar a demoradamente nelas passear. Deixo-vos com uma pequena escolha.

guard312

guard313

14

Partilhar:

  • Tweet
  • Email a link to a friend (Abre numa nova janela) E-mail
  • Partilhar no Tumblr
  • Share on WhatsApp (Abre numa nova janela) WhatsApp
  • Share on Telegram (Abre numa nova janela) Telegram
Gosto Carregando...
← Older posts
Newer posts →

Visitas ao Blog

  • 2.367.595 hits

Introduza o seu endereço de email para seguir este blog. Receberá notificação de novos artigos por email.

Junte-se a 898 outros subscritores

Página inicial

  • Ir para a Página Inicial

Posts + populares

  • Vozes dos Animais - poema de Pedro Diniz
  • Lição sobre a água — poema de António Gedeão
  • Belas mulheres do século XV e um soneto de Petrarca

Artigos Recentes

  • Sonetos atribuíveis ao Infante D. Luís
  • Oh doce noite! Oh cama venturosa!— Anónimo espanhol do siglo de oro
  • Um poema de Salvador Espriu

Arquivos

Categorias

Create a free website or blog at WordPress.com.

Privacy & Cookies: This site uses cookies. By continuing to use this website, you agree to their use.
To find out more, including how to control cookies, see here: Cookie Policy
  • Subscrever Subscrito
    • vicio da poesia
    • Junte-se a 898 outros subscritores
    • Already have a WordPress.com account? Log in now.
    • vicio da poesia
    • Subscrever Subscrito
    • Registar
    • Iniciar sessão
    • Denunciar este conteúdo
    • Ver Site no Leitor
    • Manage subscriptions
    • Minimizar esta barra
 

A carregar comentários...
 

    %d