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vicio da poesia

Category Archives: Convite à arte

Tarde de amores — visão de Filinto Elysio e a tradução do original de Ovídio

16 Sexta-feira Ago 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Crónicas, Poesia Antiga

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Filinto Elysio, Giorgio Morandi, Ovídio

Morandi_Giorgio-Still_Life-c._1925…
O quarto decorado em tons pastel lembrava uma pintura de Morandi, transpirava uma atmosfera diáfana e convidava ao repouso. A luz coada pelas cortinas punha sobre os móveis encerados um dourado acolhedor. Ao longe, pela janela, espreitava o mar fundido num céu sublime, a brisa suave da tarde esvoaçava os cortinados e lambia os corpos em êxtase, deitados sobre o prazer.

No remanso da paixão contava-lhe histórias infantis. A magia que o êxtase criara prolongava-se agora no calor da voz e nas caricias que suavemente acompanhavam as peripécias ali inventadas…

fragmento de novela inédita.

Morandi_Giorgio-Passage 1913

Por estas tardes de brasa lembro-me frequentemente do poema 5 do Livro I da obra Amores de Ovídio (43 a.C -17/18 d.C.).

Corria uma tórrida tarde de Verão do ano passado quando deixei no blog a leitura do poema por David Mourão-Ferreira. Hoje a ele regresso com a visão de Filinto Elísio (1734-1819) e as convenções que o século XVIII permitia, mesmo quando o poema fosse publicado sob pseudónimo, como aconteceu.

Partia o dia em meio o sol calmoso;
Reclino o corpo a descansar no leito,
Mas aberta janela, e mal cerrada;
Qual usa premoiar a luz nos bosques,
Qual crepúsculo deixa, ao despedir-se,
Febo, ou foge a noite, à vista da alva,
Luz, que convém às moças vergonhosas,
E em que o tímido pejo ache escondrijo.
Eis vem Corina, em mal cingidas roupas,
(Sólta a madeixa e níveo peito oculta)
Qual Semíramis ( diz-se) ao leito fôra,
Gentil, e fôra Laís, de muitos dama.
Dispo-lhe a roupa, (que empecíamos pouco
De rara!) Ela pugnava por cobrir-se;
Mas, como que não quer vencer, pugnava.
Mal esteve ante meus olhos toda nua,
Não lhe vi um senão no corpo todo.
Quais vi, quais os palpei, ombros e braços!
Quais maminhas tão guapas de empalmá-las!
Que liso o ventre desce do alto peito!
Que cintura, e infantis, roliças coxas!
Que mais direi! mimoso é quanto hei visto,
E toda com o meu corpo a cingi nua.
Que há mais que ouvir? Cansámos, descansámos;
Corram-me a fio tais os meios-dias.

Filinto Elísio assinado com o pseudónimo Gregório da Silva Pinto.

Acrescento em fim de festa a viva tradução directa a partir do original latino, por Carlos Ascenso André.

Fazia calor e o dia já tinha cumprido metade das suas horas;
pousei em cima da cama o corpo para lhe dar descanso.
Uma parte da janela estava aberta, a outra parte fechada;
assim era a luz, como a que os bosques costuma deixar entrever,
como a penumbra do crepúsculo, à hora em que o sol se esvai,
ou quando a noite já se foi e não nasceu, ainda, o dia;
essa é a luz que deve amostrar-se a jovens recatadas;
nela, a timidez e a vergonha encontram refúgio.
Eis que surge Corina, resguardada e envolta na sua túnica,
os cabelos caídos de ambos os lados do colo resplandecente,
assim formosa entrava Semíramis no quarto,
diz-se, e Laís, amada por tantos homens.
Arranquei-lhe a túnica; e não é que me estorvassem muito a sua transparência,
mas ela porfiava por estar coberta daquela túnica;
pois que porfiava assim como quem não quer vencer,
foi vencida sem custo, com a sua própria ajuda.
Quando ela surgiu diante de meus olhos, o manto caído aos pés,
no corpo inteiro nem uma só mácula se me mostrou:
Que ombros! Que braços eu vi e toquei!
A beleza dos seios, como se pôs a jeito dos meus afagos!
Como era liso, abaixo da linha do peito, o ventre!
Que grandiosidade e perfeição nas coxas! Que frescura nas pernas!
Que mais minúcias direi? Nada vi que não mereça elogio,
e foi a nudez do seu corpo que apertei contra o meu.
O resto, quem o não sabe? Depois da fadiga, repousámos ambos.
Assim possam correr muitas vezes as minhas tardes!

Temos assim que para o verso de maior escândalo no poema:

forma papillarum quam fuit apta premi!

Filinto Elysio no descaro do pseudónimo nos dá no final do século XVIII

Quais maminhas tão guapas de empalmá-las!

E o nosso jovem tradutor no século XXI lê:

A beleza dos seios, como se pôs a jeito dos meus afagos!

Venha um professor de latim dilucidar as opções de tradução, porque em poesia, Filinto Elysio continua melhor, ainda que o empalmá-las surja hoje quase calão. Mas na verdade, fuit apta premi transmite um prontas a cingir, espremer, o que nestes preparos de cama é o natural. E empalmar dá mais a medida da coisa, que afago.

Nota bibliográfica
O poema por Filinto Elysio consta do Tomo 5º das suas Obras Completas, Paris, Na oficina de A. bobée, 1818. Modernizei a ortografia.

Ovídio, Amores, tradução de Carlos Ascenso André, Livros Cotovia, Lisboa, 2006.

Nota iconográfica

A pintura de Giorgio Morandi (1890-1964), dá a cor. O que de tarde acontece fica para a imaginação de quem lê, um dos prazeres da literatura.

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Volto com uma máxima de La Rochefoucauld e naturezas-mortas do barroco

14 Quarta-feira Ago 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Crónicas

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La Rochefoucauld

Beert_Osias-Oysters_and_PastriesConservar a saúde através de uma dieta rigorosa é uma doença muito maçadora.

La Rochefoucauld

Adriaenssen_Alexander-Still-Life_with_FishNos prazeres de existir conta-se o prazer da mesa, mas vivemos um tempo em que as preocupações alimentares estão omnipresentes, empurrando as pessoas para sentimentos de culpa decorrentes do que comem, absolutamente desadequadas.

Foi pelo século XVII que a pintura, com o triunfo da Reforma nos países do norte da Europa, abandonou o monopólio dos assuntos religiosos ou mitológicos e passou a dar conta da vida quotidiana. Nesse novo universo pictórico encontramos um mundo perdido, mas o que se comia continua a ser-nos familiar.

Nesta pintura de género chamada, encontramos mercados, cozinhas inundadas de caça, frutas e legumes, encontramos mesas repletas, e também uma que outra alegoria onde uma caveira espreita, lembrando como os prazeres matam os espíritos religiosos. Esta é a minha interpretação ainda que entre os estudiosos seja aceite que numa mesa de iguarias uma caveira continua a representar a vaidade como em outros tipos de representação.

Confesso que até ter lido o ensaio hoje clássico de Norbert Schneider, Still Life, esta pintura de géneros alimentares me dizia muito pouco. Apenas o seu realismo por momentos me chamava a atenção. Colocada em contexto, percebemos como ela acompanha alterações culturais profundas, na raiz do mundo moderno. E para o curioso da história do quotidiano é um infinito manancial de informação e prazer. Entre vasilhas, utensílios, decoração de ambientes e por aí fora há um sem-fim de informação a recolher.

Feito o circunlóquio, passemos à curta escolha, para não cansar.

Beyeren_Abraham_van-Large_Still-life_with_Lobster

Royen_Willem_Frederik_van-Peaches_and_Grapes

Sanchez_Cotan_Juan-Still-Life_with_Game_Fowl

Melendez_Luis_Eugenio-Still-Life 1770

MELÉNDEZ, Luis - natureza morta com figos 1760

Dijck_Floris_Claesz_van-Laid_Table

Ledesma_Blas_de-Still_Life_with_Asparagus_Artichokes_Lemons_and_CherriesTermino com esta cenoura-fenómeno pintada em 1699 por Willem Frederik van Royen.

Royen_Willem_Frederik_van-The_Carrot 1699

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Uma obra de Hiroshige, pretexto para a ironia poética de Wislawa Szymborska

13 Terça-feira Ago 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poetas e Poemas

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Hiroshige, Wislawa Szymborska

Hiroshige (1797-1858) - 100 vistas de Edo - 52 - Chuvada súbita em Atake originalAs pessoas na ponte

Estranho planeta e estranhas as pessoas que aí vivem.
Sucumbem ao tempo, mas não querem reconhecê-lo.
Têm maneiras de exprimir o seu protesto,
fazendo pinturas como, por exemplo, esta.

Nada de singular à primeira vista.
Vê-se a água.
Vê-se uma das suas margens.
Vê-se uma piroga navegando penosa contra a corrente.
Vê-se a ponte sobre a água e vêem-se as pessoas na ponte.
As pessoas visivelmente apressam o passo,
porque de uma nuvem negra
desatou a chover torrencialmente.

A questão é que nada mais se passa.
A nuvem não muda de cor nem de forma.
A chuva não aumenta nem cessa.
A piroga navega sem se mexer.
As pessoas na ponte correm
no mesmíssimo lugar de ainda há pouco.

É difícil não fazer aqui um comentário:
Isto não é uma pintura inocente.
O tempo aqui foi suspenso.
Deixaram de contar com as suas leis.
Negaram-lhe a influencia que tem
no desenrolar dos acontecimentos.
Menosprezaram-no e ultrajaram-no.

Por obra de um rebelde.
Um tal Hiroshige Utagawa,
(uma criatura que, aliás, há muito
e como deve ser, morreu),
o tempo tropeçou e caiu.

Talvez seja só uma travessura sem significado,
uma brincadeira à escala de umas galáxias,
em todo o caso, porém,
acrescentemos o seguinte:

Há gerações que é de bom tom
ter esta pintura em grande apreço,
deleitar-se com ela, emocionar-se.

Mas há aqueles, a quem isto não basta.
Ouvem até o murmúrio da chuva,
sentem frio das gotas na nuca e nas costas,
olham para a ponte e para as pessoas,
como se ali se vissem retratados
naquela corrida que nunca mais chega ao fim,
naquele caminho que fim não tem,
eternamente por palmilhar,
e acreditam na sua desfaçatez
que assim é na realidade.

Tradução de Teresa Fernandes Swiatkewicz, in Wislawa Szymborska, Um Passo da Arte Eterna, Esfera do Caos Editores, Lisboa 2013.

O fluir do tempo em nós e a representação visual que o cristaliza são, numa primeira leitura, a matéria da reflexão poética de Wislawa Szymborska (1923-2013) neste poema, a propósito de uma gravura famosa de Hiroshige (1797-1858).

Se na segunda estrofe a gravura de Hiroshige é descrita, e trata-se da gravura 52 — Chuvada súbita em Atake — do ciclo Cem vistas de Edo, e com isso poder-se considerar estarmos perante um poema ecfrástico, na medida em que descreve uma obra de arte, todo o resto do poema vai noutras direcções.

Como sempre na poesia desta mulher genial, na simplicidade da linguagem moram as mais profundas reflexões sobre o existir: leia-se de novo toda a última estrofe do poema.

Nele temos o pretexto para nos questionarmos como olhamos as obras de artes visuais no seu significado intrínseco e na sua relação connosco. Depois, o tempo, o que nos acontece, e o que do seu fluir aproveitamos. Há na vida o tempo de a viver e o seu percurso, o caminho por onde a vivemos, seguindo.

A ponte, ligação entre dois pontos, origem e destino, é um não lugar para parar ou cristalizar, e os passos de quem vive aprisionado nesta ponte simbólica, onde o tempo parou, levam-no a caminhar sem sair do mesmo sitio. A ironia nesta poesia revela-se no afirmar o contrário do que escreve.

Embora se possa fazer uma leitura política dos versos

O tempo aqui foi suspenso.
Deixaram de contar com as suas leis.
Negaram-lhe a influencia que tem
no desenrolar dos acontecimentos.
Menosprezaram-no e ultrajaram-no.

na circunstancia da sua criação ( o poema foi publicado em 1986 no livro As Pessoas na Ponte, antes, portanto da queda do Muro de Berlim), o poema no seu todo transcende-a. Ele convida-nos a reflectir em como há um eu e o cosmos que, se estiver sempre presente em nós, nos permite saber com segurança onde pertencemos e para onde vamos, sabendo sempre também, que as coisas não continuarão a ser como são (Brecht) diferentes nós, portanto, dos que

naquele caminho que fim não tem,
eternamente por palmilhar,
e acreditam na sua desfaçatez
que assim é na realidade.

Hiroshige pertence àquela pouco mais de meia-dúzia de artistas geniais que em Edo, hoje Tóquio, entre o meados do século XVIII e meados do século XIX, praticaram a gravura.

Género popular de grande consumo, a gravura sobre papel é no seu conjunto um vasto acervo de obras-primas de arte visual, desenvolvidas num quadro de codificação estrita e numa estética de profunda originalidade.

Tecnicamente cada gravura é obra de três artistas: o criador do desenho, a quem posteriormente a obra é atribuída, o gravador do desenho na madeira e o impressor encarregado de aplicar a cor sobre o papel. A sofisticação técnica do produto final no período áureo do inicio do século XIX, sobretudo no retrato, com a aplicação de mica em pó em algumas zonas da gravura e as nuances de brilho nas vestes dos personagens, acrescenta um requinte esquis a muitas destas gravuras.

Nesta gravura japonesa do período Edo, Ukiyo-e chamada, se o impacto estético é inescapável, a sua leitura emocional é bastante problemática para um ocidental. Repartindo-se por uma enorme variedade de assuntos, encontramos no entanto cinco grandes grupos de representação: retrato, cenas de quotidiano, paisagem, seres vivos (animais e plantas) e erótica, conhecida no ocidente por Shunga.

Na pintura de paisagem ou cenas de quotidiano, a que esta gravura de Hiroshige pertence, a ausência de perspectiva na composição e de escala entre os motivos, garante, para o nosso olhar, a novidade da representação. Depois chega-nos a incompreensão do representado, se forem para nós desconhecidos com algum detalhe tanto a história como a cultura japonesas.

Nota
Encontra o visitante curioso algumas gravuras japonesas da minha colecção no blog-arquivo Gravura Japonesa, cuja ligação pode ser encontrada na coluna da esquerda. Na página do bolg no Facebook pode ver-se um álbum com o conjunto das gravuras de Hokusai, outro mestre do mesmo período, 36 vistas do Monte Fuji.

Outros conjuntos temáticos destes mestres podem ser facilmente encontrados na net.

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Vasos Gregos

11 Domingo Ago 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte

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Vasos Gregos

A Kantheros

Kantheros

Os vasos de cerâmica gregos são, na sua requintada elegância de formas e decoração, peças de enorme beleza. Depois, enquanto testemunhos materiais de uma civilização extinta, permitem na sua iconografia perceber em primeira mão um quotidiano que as fontes escritas muitas vezes apenas deixam supor.

Isto mesmo nos diz a nossa grande helenista Maria Helena da Rocha Pereira no imprescindível livro Estudos de História da Cultura Clássica, volume I, Cultura Grega, ed FCG:

O estudo dos vasos substitui para nós a pintura perdida e ensina-nos qual foi a sua evolução, mostrando-nos inclusivamente a passagem do desenho bidimensional a tridimensional; deleita-nos como verdadeira arte que é; e documenta-nos sobre os mais variados aspectos da vida e da cultura grega.

A Skyphos Skyphos

Seja-se ou não admirador da cultura da Grécia antiga nos variados vestígios que se conhecem, da estatuária à poesia, nenhum olhar fica insensível à estonteante beleza daquelas formas a que a pintura de figuras vermelhas sobre fundo preto ou vice-versa, acrescenta o impacto da sua originalidade.

 

A Ânfora (quebrada)Ânfora (quebrada)

Está fora do propósito do blog a transcrição de informação que noutros locais pode ser obtida, qual seja a descrição sobre o significado e identificação dos personagem figurantes das pinturas destes vasos e das cenas que neles se representam. São tanto peripécias da vida dos deuses como da interacção dos mortais com eles, ou ainda episódios memoráveis de história e quotidiano cujo eco por vezes se encontra nos testemunhos escritos.

A Calix krater

Poucas vezes terei olhado tão maravilhado uma sala de museu quanto a sala dos vasos gregos do museu de arte antiga em Berlim. Escolho a imagem de alguns que dão conta do que referi. Cada forma possui um nome e das que pude identificar acrescento-o com a imagem.

Ânforas

A Ânfora

A Ânfora (2)

A Ânfora (5)

Calix krater

A Calix krater (3)Jarros de vinho

A Jarro de vinho (4)

A Jarro de vinho Hydria

A Hydria Kylix

A Kylix

A Kylix (2)

A Kylix (9)

 Kyathos

A KyathosKrater de colunas

A Krater de colunas

A Krater de colunas (2)

Krater de sino

A Krater de sino

Krater de volutas

A Krater de volutas

Pelike

A Pelike

Lekythos

A Lekythos

Além dos estudos de peças pontuais neste ou naquele museu, e das referências em historias de conjunto da arte da Grécia Antiga, a monografia Greek Vases, obra colectiva sobre a colecção do museu berlinense, edição Scala Publishers, 2012, faz um informado e fascinante estudo de cerca de meia centena dos vasos desta colecção. O clássico estude de Martin Robertson, de que conheço a tradução francesa, La Peinture Grecque, edição SKIRA, 1992, é a não perder.

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Desejo e despedida em dois poemas de Aleksandr Púchkin

06 Terça-feira Ago 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poesia Antiga

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Aleksandr Púchkin, Berthe Morisot

Berthe Morisot 1879Corremos o mundo lendo poesia e por todo o lado encontramos, como factor identitário de humanidade, o canto do amor e seus desacertos. Disso mesmo acabo por ir dando conta ao longo dos tempos nas escolhas que faço para o blog. Hoje vamos até à Rússia do século XIX e ao seu poeta literariamente fundador, Aleksandr Púchkin (1799-1837).

Aleksandr Púchkin (1799-1837) num primeiro poema, quando o amor é avassalador, escreve como Queima o sangue um fogo de desejo, / De desejo a alma é ferida,

*

Queima o sangue um fogo de desejo,
De desejo a alma é ferida,
Dá-me os teus lábios: o teu beijo
É o meu vinho e minha mirra.
Reclina para mim a cabeça
Ternamente, faz que eu durma
Sereno até que sopre um dia alegre
E se dissipe a névoa noturna.
[1825]

Tradução directa do russo de Nina Guerra e Filipe Guerra

Quando acaba, e nunca é abruptamente, como se sabe, — Algumas brasas desse amor estão ainda a arder; —, nem sempre existe a grandeza de alma de que este segundo poema, Eu amei-te…, dá mostras:

Tão terna, tão sinceramente te amei, / Que peço a Deus que outro te ame assim.

Eu amei-te…

Eu amei-te; mesmo agora devo confessar,
Algumas brasas desse amor estão ainda a arder;
Mas não deixes que isso te faça sofrer,
Não quero que nada te possa inquietar.
O meu amor por ti era um amor desesperado,
Tímido, por vezes, e ciumento por fim.
Tão terna, tão sinceramente te amei,
Que peço a Deus que outro te ame assim.

Versão portuguesa de Jorge Sousa Braga

Nota iconográfica

A imagem que abre o artigo é de uma pintura de Berthe Morisot (1841-1895), primeiro, modelo de Manet, e depois sua cunhada. Vivendo de perto o movimento impressionista em França, Berthe Morisot consegue uma individualidade na sua pintura em que a paleta e a pincelada são as marcas distintivas, tanto na delicadeza com que pratica o retrato, como na composição quando pinta a paisagem, quais estas pinturas com que encerro o artigo.

Berthe Morisot 1875

Morisot_Berthe-Girl_in_a_Boat_with_Geese

Morisot_Berthe-Woman_in_a_Garden

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Depois do banho, os nus de Renoir

01 Quinta-feira Ago 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte

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Renoir, Yosano Akiko

Renoir_Pierre-Auguste-After_the_Bath-1910-IIDizia-me há pouco tempo uma amiga: eu seria tão feliz se agora se usassem as mulheres gordas!

A pressão do ar do tempo sobre as escolhas de cada um na tentativa de continuar pertencendo ao seu meio conduz, em geral, a uma insatisfação consigo que muitas vezes desemboca na depressão com o seu caudal de infelicidade associada.

Ter o conhecimento da história ajuda, e muito, a colocar em perspectiva os valores passageiros de que o nosso meio de relação se alimenta.

No caso das mulheres magras ou gordas, ao longo do século XX tivemos que, pelos anos 20 deviam ser magras; pelos anos 30, 40 melhor recheadas de formas; nos anos 50 a gloriosa Marilyn Monroe ditou lei, e a partir dos anos 60 começou a violência sob a silhueta feminina com a famosa Twiggy, conduzindo aos fenómenos de anorexia real ou aparente, que nos nossos dias ainda reinam, mesmo que uma figura à Zetta-Jones faça qualquer homem delirar em detrimento de uma ternurenta pele e osso.

Provavelmente com razão, há quem diga que são apenas os ditadores de moda, quando não gostam de mulheres, quem, usando a poderosa maquina de propaganda dos nossos dias, condiciona o gosto a estes despautérios.

Ainda que tenha sido adolescente nos anos 60, vibrei e vibro com a visão de uma mulher em quem as curvas estão no lugar certo, desenhando o corpo no caminho da fecundação. Formas de violoncelo chamou-lhe Man Ray a pretexto da famosa foto de Kiki de Montparnasse, de costas, e que anda pelo blog, algures.

O pintor Pierre-Auguste Renoir 1841-1919), amante dos prazeres da vida, durante mais de 40 anos, entre meados da década de 70 do século XIX e a primeira década do século XX, pintou jovens mulheres gordas, nuas. Colocou-as frequentemente frescas, na saída do banho, em atitude de naturalidade e perfeita satisfação com a imensidão do corpo que possuíam. É parte desse opus que agora arquivo no blog.

Renoir_Pierre-Auguste-Bather_Admiring_Herself_in_the_WaterMas antes da pintura deixo-vos um poema da japonesa Yosano Akiko (1878-1942) “poeta da paixão” chamada:

Depois do banho

visto-me frente ao espelho

e me contemplo.

Que ficou de ontem?

Um sorriso que flutua.

Renoir_Pierre-Auguste-Bather_Arranging_Her_HairPoderia escrever laudas sobre a maravilha de contenção com que este poema fala de depois do amor e da felicidade que transporta, mas hoje já chega. Vamos, presto, à pintura de Renoir.

Renoir_Pierre-Auguste-The_Great_Bathers_The_Nymphs 1919Começo pelas pinturas do fim da vida, como esta, executada em 1919, ano da morte do pintor, e avanço até às obras do inicio da maturidade.

Renoir_Pierre-Auguste-The_Bathers-c._1918-II

Renoir_Pierre-Auguste-Seated_Bather-1914-IIRenoir_Pierre-Auguste-The_Toilet-c._1900-II

Renoir_Pierre-Auguste-A_Seating_Bather

Renoir_Pierre-Auguste-La_Baigneuse_au_Griffon_Bather

Renoir_Pierre-Auguste-The_Toilet

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O verão segundo Alceu de Lesbos

28 Domingo Jul 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poesia Antiga, Poesia Grega

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Alceu de Lesbos, Picasso

Beach at La Garoupe (first version) - 1955-16Neste verão que se esconde, e a espaço nos abrasa, regresso com a poesia da antiga Grécia, terra habituada ao sol, cujos poetas nos deixaram uma leitura do mundo, cruzada com o capricho de deuses e heróis numa explicação do incompreensível, de inexcedível beleza.

É de Alceu de Lesbos (sec VII a.C.), poeta e soldado de quem nos chegou pouca da muita poesia sua de que há noticia, esta reflexão sobre o Verão — É a hora / em que as mulheres se tornam / mais fogosas e mais fracos / os homens —, onde de alguma forma retoma a reflexão de Hesíodo (séc VIII a.C.) em Trabalhos e Dias (versos 582-596) que há anos, pelo Outono transcrevi no blog.

Humedece de vinho a garganta, que o astro
já voltou. É penosa
a estação e tudo
esmorece com o calor. Entre
a folhagem, docemente
a cigarra canta… Floresce
o cardo. É a hora
em que as mulheres se tornam
mais fogosas e mais fracos
os homens, pois que Sírio
as cabeças abrasa e os joelhos.

A tradução é de Albano Martins e consta da Antologia da Poesia Grega Clássica, Edições Afrontamento, Porto, 2011.

Talvez algum erudito leitor nos saiba esclarecer quanto a semelhança entre estes fragmentos de Alceu e Hesíodo reflecte os processos de transmissão da poesia antiga até nós e traduz um conceito de originalidade autoral nos antípodas do que hoje prezamos.

Iconografia

Acompanham o artigo duas visões de Picasso da praia em La Garoupe, sul de França, em 1955.

Beach at La Garoupe (second version) - 1955-15

 

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Arte de Camarões — máscaras

20 Sábado Jul 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte

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Arte da tradição africana, Arte de Camarões, Máscaras africanas

Camarões etnia Bafum 3No meu fascínio pelas possibilidades estéticas de representação do rosto humano avultam as máscaras da arte da tradição africana na sua aparentemente infinita criatividade.

Na apreciação destas esculturas não me interessam quaisquer considerações sobre a função e o quadro etnológico da peça. Apenas o seu resultado plástico me atrai.

eMuseumPlus136 etnia Bum CamarõesDeste vasto mundo escolho hoje para o blog algumas máscaras de diferentes etnias de Camarões pertencentes à colecção do museu etnológico de Berlim.

Camarões etnia Bafum 2São esculturas de enorme impacto visual que na representação do rosto impõem um jogo de volumes entre as diferentes componentes: olhos e bochechas, sobretudo, usando predominantemente formas arredondadas. O equilíbrio escultórico em cada peça é conseguido com a ornamentação da cabeça, variando como um todo a linha que acompanha o contorno do rosto.

O resultado é um conjunto estilisticamente identificável onde apenas a simetria do rosto é uma constante. A distorção facial praticada transmite a quase todas as máscaras escolhidas amicabilidade ao olhar, se não mesmo bonomia, resultando daí um enorme prazer na sua contemplação.

Camarões etnia Bamungum

Camarões etnia Kom  sec 19

Camarões etnia Bafum A

Camarões etnia Bamileke sec 19

 

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Itália seguido de Soneto, poemas de Álvares de Azevedo

18 Quinta-feira Jul 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Poesia Antiga

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Álvares de Azevedo, Ticiano

Titian-Danae-1544-IITerá sido certamente uma bela italiana — Pátria do meu amor! terra das glórias — quem esteve por detrás da sensual evocação — Lá na terra da vida e dos amores — que no poema Itália o jovem e malogrado poeta brasileiro Álvares de Azevedo (1831-1852) nos deixou, e onde o eterno da atracção ressuma.

Na singela forma poética do romantismo, Álvares de Azevedo deu-nos o calor da terra e a ardência da palpitação dos vinte anos, — A Itália do prazer, do amor insano, — em quadras de suave beleza melódica.

ITÁLIA

I
Lá na terra da vida e dos amores
Eu podia viver inda um momento…
Adormecer ao sol da primavera
Sobre o colo das virgens de Sorrento!

Eu podia viver — e porventura
Nos luares do amor amar a vida,
Dilatar-se minh’alma como o seio
Do pálido Romeu na despedida!

Eu podia na sombra dos amores
Tremer num beijo o coração sedento…
Nos seios da donzela delirante
Eu podia viver inda um momento!

Ó anjo de meu Deus! se nos meus sonhos
Não mentia o reflexo da ventura,
E se Deus me fadou nesta existência
Um instante de enlevo e de ternura…

Lá entre os laranjais, entre os loureiros,
Lá onde a noite seu aroma espalha,
Nas longas praias onde o mar suspira
Minh’alma exalarei no céu de Itália!

Ver a Italia e morrer!… Entre meus sonhos
Eu vejo-a de volúpia adormecida…
Nas tardes vaporentas se perfuma
E dorme, à noite, na ilusão da vida!

E, se eu devo expirar nos meus amores,
Nuns olhos de mulher amor bebendo,
Seja aos pés da morena Italiana,
Ouvindo-a suspirar, inda morrendo.

Lá na terra da vida e dos amores
Eu podia viver inda um momento,
Adormecer ao sol da primavera
Sobre o colo das virgens de Sorrento!

II

A Itália! sempre a Itália delirante!
E os ardentes saraus e as noites belas!
A Itália do prazer, do amor insano,
Do sonho fervoroso das donzelas!

E a gôndola sombria resvalando,
Cheia de amor, de cânticos e flores…
E a vaga que suspira à meia-noite
Embalando o mistério dos amores!

Ama-te o sol, ó terra da harmonia,
Do levante na brisa te perfumas,
Nas praias de ventura e primavera
Vai o mar estender seu véu d’escumas!

Vai a lua sedenta e vagabunda
O teu berço banhar na luz saudosa,
As tuas noites estrelar de sonhos
E beijar-te na fronte vaporosa!

Pátria do meu amor! terra das glórias
Que o génio consagrou, que sonha o povo…
Agora que murcharam teus loureiros
Fora doce em teu seio amar de novo…

Amar tuas montanhas e as torrentes
E esse mar onde bóia alcion dormindo,
Onde as ilhas se azulam no ocidente,
Como nuvens, à tarde, se esvaindo…

Aonde, à noite, o pescador moreno
Pela baía no batel se escoa…
E murmurando, nas canções de Armida,
Treme aos fogos errantes da canoa…

Onde amou Rafael, onde sonhava
No seio ardente da mulher divina,
E talvez desmaiou no teu perfume
E suspirou com ele a Fornarina…

E juntos, ao lar, num beijo errante
Desfolhavam os sonhos da ventura
E bebiam na lua e no silêncio
Os eflúvios da tua formusura!

Ó anjo de meu Deus, se nos meus sonhos
A promessa do amor me não mentia,
Concede um pouco ao infeliz poeta
Uma hora da ilusão que o embebia!

Concede ao sonhador, que tão-somente
Entre delírios palpitou d’enleio,
Numa hora de paixão e de harmonia
Dessa Itália do amor morrer no seio!

Oh! a terra da vida e dos amores
Eu podia sonhar inda um momento,
Na seios da donzela delirante
Apertar o meu peito macilento!

Maio, 1851. – S. Paulo

A obra de Álvares de Azevedo (1831-1852) não faz parte do conhecimento generalizados dos que em Portugal gostam de poesia. Para abrir o apetite ao conhecimento da sua obra, onde o realismo poético de Cesário Verde por vezes se antecipa, termino com um soneto em que um delicado erotismo espreita — Era mais bela! o seio palpitando… / Negros olhos, as pálpebras abrindo… /Formas nuas no leito resvalando…

Soneto

Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada…
— Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando…
Negros olhos, as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…

Não terias de mim, meu anjo lindo!
Por ti — as noites eu velei chorando,
Por ti — nos sonhos morrerei sorrindo!

Acompanha o artigo uma das belas Danae pintadas por Ticiano (1488/90-1576), esta de 1544. A modelo faz jus ao delírio poético que acabámos de ler.

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Cartazes dos irmãos Stenberg

17 Quarta-feira Jul 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte

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Cartazes publicitários, Stenberg

O General 1927No inicio da revolução russa, nos anos 20 do século passado, antes da subida ao poder de Estaline, o cartaz como meio de propaganda ganhou uma espantosa eficácia comunicativa através do uso de uma linguagem plástica inovadora saída directamente do construtivismo enquanto movimento estético. Quase todos os artistas plásticos em actividade o praticaram, mas foram os irmãos Stenberg quem produziu em maior número verdadeiras obras plásticas que sobrevivem para além da mensagem publicitaria ou de propaganda.

Entre as largas dezenas de cartazes conhecidos faço uma pequena escolha que arquivo no blog.

Os mais famosos serão talvez os cartazes feitos para os filmes A General de Buster Keaton (Pamplinas) com que abri o post, e o cartaz para anunciar o filme de Dziga Vertov, O Homem da Máquina de Filmar com que fecho a escolha. Pelo meio outros cartazes de semelhante apelo plástico. Nestes outros, é sobretudo o movimento que as composições transmitem, associado ao cromatismo contrastado onde o preto adensa o mistério, não da mensagem, mas do conteúdo que se anuncia, provocando a curiosidade, o que garante a vida autónoma do cartaz, convidando a olhar para além da informação.

A combinação da sobreposição de planos à maneira do cubismo, recusando a perspectiva clássica, com a abstracção geométrica na definição dos espaços, e a inserção de elementos realistas nas figuras humanas, fazendo lembrar técnicas vindas da colagem e do movimento DaDa, são a matriz do resultado plástico onde o grafismo das palavras joga um papel plástico decisivo.

Um homem sem medo

Qual dos dois 1927

Na primavera 1929

The Punch 1921

Poster Design by Vladimir and Georgii Stenberg 24

1929

O homem da maquina de filmar 1929

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