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vicio da poesia

Category Archives: Crónicas

100.000 visitas ao blog – Obrigado!

29 Sexta-feira Mar 2013

Posted by viciodapoesia in Crónicas

≈ 5 comentários

Hoje foram ultrapassadas 100.000 (cem mil) visitas ao blog.

Um enorme OBRIGADO a todos os que, com o seu interesse, contribuíram para este surpreendente número em pouco mais de 3 anos de vida, num blog maioritariamente dedicado à poesia.

Destas 100.000 visitas, quase 80.000 aconteceram o ano passado e já este ano.

O blog cresce em audiência de forma exponencial, e este 2013 vai com uma média de 245 visitas diárias. Com todos vós faremos a poesia mais presente à nossa volta. OBRIGADO LEITORES!

Autor do blogA foto é de Elizabeth Lamego Grant, fotógrafa por paixão, a quem daqui agradeço o fotografado sorriso, e com ele apresentar-me aos leitores do blog em prazenteira face.

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Diadapoesia comemorado com Alvaro de Campos e iluminado por Baselitz

22 Sexta-feira Mar 2013

Posted by viciodapoesia in Crónicas

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Álvaro de Campos, Fernando Pessoa, Georg Baselitz

Baselitz_Georg-Rebel

Confesso que me passou completamente ao lado a existência de um Dia Mundial da Poesia. De resto, encontrava-me em estado de felicidade absoluta, fazendo da vida pura poesia. Mas como estes eventos esperam comemoração, entrego ao engenheiro Campos a responsabilidade da coisa.

Vai com um dia de atraso, pois o homem, ontem, talvez se encontrasse entre eflúvios alcoólicos.

Tenho escripto mais versos que verdade.
Tenho escripto principalmente
Porque outros teem escripto.
Se nunca tivesse havido poetas no mundo,
Seria eu capaz de ser o primeiro?
Nunca!
Seria um individuo perfeitamente consentivel,
Teria casa propria e moral.
Senhora Gertrudes!
Limpou mal este quarto:
Tire-me essas idéas de aqui!

O poema foi atribuído a Alvaro de Campos por Teresa Rita Lopes, e publicado pela primeira vez no volume II da sua obra, PESSOA POR CONHECER, Editorial Estampa, Lisboa, 1990.

As pinturas que acompanham o artigo a abrir e a fechar são do pintor alemão Georg Baselitz (1938).

Baselitz_Georg-Male_Nude

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Veneza em 2 poemas de Aleksandr Blok e pintura de Canaletto

21 Quinta-feira Fev 2013

Posted by viciodapoesia in Crónicas

≈ 2 comentários

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Aleksandr Blok, Canaletto

Canaletto - 1732 a

À imagem iconográfica de Canaletto (1697-1768) com que abre o artigo, dando a ver a Veneza do século XVIII, que em grande parte hoje se conserva, acrescento 2 poemas de Aleksandr Blok (1880-1921), poeta russo, o mais velho daquela geração que sucumbiu ao avançar da revolução soviética para o estalinismo, triturando todos os movimentos artísticos de vanguarda que a revolução permitira e desenvolvera.

Veneza II

Pelas lagunas, frio vento.
Gôndolas – mudas tumbas.
Esta noite, jovem e doente,
Sob a coluna do leão sucumbes.

Na torre, com uma canção de chumbo,
Os gigantes dão a hora noturna.
Na laguna lunar Marcos mergulha
Sua iconóstase soturna.

Nas sombras das galerias dos palácios,
À palidez da lua –  passos.
Salomé, esgueirando-se, passeia
Minha cabeça em sangue nos seus braços.

Tudo dorme – palácios, canais, gente.
Só o passo deslizante da princesa
Só – sobre o peito negro – uma cabeça
Contempla a treva em torno com tristeza.

Veneza III

O barulho da vida já não dura.
A maré de inquietudes se quebranta.
E no veludo negro o vento canta
Minha vida futura.

Talvez despertarei noutro lugar,
Quem sabe nesta terra entristecida,
E algumas vezes hei de suspirar
Pensando em sonho nesta vida?

Mercador, padre, arrais, neto de um doge,
Quem me fará viver? Que criatura
Há de forjar com minha mãe futura
Na noite escura a vida que me foge?

Quem sabe até, ao escutar o canto
Da jovem veneziana, comovido,
O meu futuro pai por entre o encanto
Da canção já me tenha pressentido?

Quem sabe em algum século vindouro
A mim, criança, a sorte me consente
Abrir as pálpebras, tremulamente,
Junto à coluna do leão de ouro?

Mãe, o que canta este áfono instrumento?
Talvez a fantasia já te embale
E me protejas com teu santo xale
Da laguna e do vento?

Não! O que é, o que foi – tudo está vivo!
Fantasias, visões, ideias – tudo!
A onda do oceano recidivo
As despeja na noite de veludo!

Traduções de Augusto de Campos, in poesia da recusa, Perspectiva, São Paulo, 2006.

Apenas a biografia e a peculiar disposição do poeta Aleksandr Blok explica esta atmosfera de morte que percorre os seus poemas evocando Veneza, os quais integram os Versos Italianos de 1909.

Provavelmente a cidade que ele conheceu não foi a Veneza que em meados dos anos 70 conheci e me apaixonou como a mais bela das cidades, onde a ausência de ruído automóvel e o som dos passos no empedrado de calçadas e pontes fazia o mundo parecer de uma magia fora do meu tempo.

Hoje, a avalanche turística permanente fez desaparecer grande parte dessa magia, mas há um encanto que permanece e faz desejar voltar a Veneza, sempre.

Termino com mais 3 vistas de Veneza pelo pincel mágico de Canaletto.

Canaletto - 1728

Canaletto - 1732 b

Canaletto - 1732

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Carpe diem, Odes, Livro 1, 11, de Horácio, no 500º artigo do blog

03 Domingo Fev 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Crónicas, Poesia Antiga

≈ 3 comentários

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Horacio, Picasso

Picasso_Pablo-Figures_on_a_BeachPublico hoje o quingentésimo artigo no blog. Longe de veleidades de especialista, e apenas como homem comum que encontra prazer nas matérias do intelecto e do corpo, tenho preenchido o blog com artigos ao sabor do que ao espírito me ocorre, flanando nos acasos de leituras e acontecimentos.

No propósito de atribuir um significado especial a este artigo, de alguma maneira simbólico deste escrever, escolhi a Ode a Leucónoe de Horácio (65 a.C.- 8 a.C.), ode nº11 do Livro 1 das Odes, conhecida pelo seu último verso:

carpe diem, quam minimum credula postero.

Esta ode tem, ao longo dos séculos, despedaçado os esforços daqueles que defendem uma vida de sacrifício em prol de um além de maravilhas. E a ode dirigida a uma mulher, Leucónoe, diz tão só: não sabemos que vida nos espera para além da morte, os deuses sabem o que nos convém ainda que o não entendamos, por isso, aproveita o dia que passa.

Isto é dito na concisão do latim, numa forma poética que não cessa de encantar gerações e a que as traduções apenas trazem uma pálida aproximação.

Antes de passar às traduções, e para o leitor poder saborear o verso, aqui fica o original em latim:

1 Tu ne quaesieris — scire nefas — quem mihi, quem tibi
2 finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
3 temptaris numeros. Ut melius, quidquid erit, pati,
4 seu plures hiemes, seu tribuit Iuppiter ultimam,

5 quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
6 Tyrrhenum: sapias, vina liques, et spatio brevi
7 spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit invida
8 aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.

Começo uma volta pelas traduções que conheço, com um fragmento da ode inserido em Literatura de Roma Antiga.

Não indagues — sacrílego é sabê-lo — que fim nos tenham, a mim e a ti, destinado os deuses
…
melhor será suportar o que vier
…

sê sábia, coa o vinho e encerra em curto espaço a longa esperança.
Ainda estamos a falar, e já o tempo malfazejo nos terá escapado:
colhe o hoje e preocupa-te o menos possível com o amanhã

Continuemos neste percurso com a versão, poeticamente conseguida, de David Mourão-Ferreira:

Não procures, Leucónoe — ímpio será sabê-lo —,
que fim a nós os dois os deuses destinaram;
não consultes sequer os números babilónicos:
melhor é aceitar! E venha o que vier!
Quer Júpiter te dê inda muitos Invernos,
quer seja o derradeiro este que ora desfaz
nos rochedos hostis ondas do mar Tirreno,
vive com sensatez destilando o teu vinho
e, como a vida é breve, encurta a longa esp’rança.
De inveja o tempo voa enquanto nós falamos:
trata pois de colher o dia, o dia de hoje,
que nunca o de amanhã merece confiança.

Sigo com duas traduções a que chamaria, talvez, filológicas, pela sua tentativa de devolver em português o significado literal das expressões do poema original.

Primeiro, a mais antiga, da ilustre e operosa professora Maria Helena da Rocha Pereira:

Não pudemos, Leucónoe, saber — que não é lícito — qual o fim
que os deuses a ti ou a mim quererão dar,
nem arriscar os cálculos babilónios. Quão melhor é sofrer o que vier,
quer sejam muitos os invernos que Jove nos der, quer seja o último
este, que agora atira o Mar Tirreno contra as roídas rochas.
Sê sensata, filtra o teu vinho e amolda a curto espaço
uma longa esperança. Enquanto falamos, terá fugido o invejoso tempo.
Colhe a flor do dia, pouco fiando do que depois vier a suceder.

Agora a recente tradução de Pedro Braga Falcão substancialmente devedora da anterior, sobretudo nos versos 6 e 7:

Tu não perguntes ( é-nos proibido pelos deuses saber) que fim a mim, a ti,
os deuses deram, Leucónoe, nem ensaies cálculos babilónicos.
Como é melhor suportar o que quer que o futuro reserve,
quer Júpiter muitos invernos nos tenha concedido, quer um último,

este que agora o Tirreno mar quebranta ante os rochedos que se lhe opõem.
Sê sensata, decanta o vinho, e faz de uma longa esperança
um breve momento. Enquanto falamos, já invejoso terá fugido o tempo:
colhe cada dia, confiando o menos possível no amanhã.

Colhendo a lição das traduções anteriores, termino a propor uma minha versão para tão intemporal poema:

Não indagues, Leucónoe — sacrílego é sabê-lo — que fim, a mim e a ti,
os deuses destinaram, nem astrológicas(*)
previsões procures. Melhor é suportar o que vier,
quer muitos invernos Júpiter nos dê, quer seja o último,
este, que agora desfaz nas gastas rochas, as ondas do mar Tirreno.
Sê sensata, decanta o vinho, amolda à vida breve
a longa expectativa. Nós falamos, e o invejoso tempo voa:
colhe cada dia, acredita pouco no que amanhã virá.

(*) nec Babylonios traduzível por cálculos babilónicos ou babilónios, refere-se à arte da astrologia desenvolvida na Babilónia, e muito em voga entre os romanos à época, daí a versão que preferi.

Noticia bibliográfica

Tradução de David Mourão-Ferreira in Vozes da Poesia Europeia I, Revista Colóquio Letras, nº163

Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira in ROMANA, 6ªedição aumentada, Guimarães, 2010

Tradução de Pedro Braga Falcão in Horácio, Odes, Livros Cotovia, 2008

Fragmento in Literatura de Roma Antiga, Direcção de Mario Citroni, FCG, 2006. A revisão da tradução da obra é de Walter de Sousa Medeiros

Duas notas sobre a ilustração do artigo

Só podiam ser obras de Picasso dando conta do prazer de viver, as ilustrações para o artigo. Pela obra do artista, uma permanente alegoria desse prazer, e pelo meu gosto pessoal, que nesta obra encontro fonte de recorrente felicidade. E nela, o hedonismo da praia, o mar, o corpo ao sol, afinal o prazer do hoje, na sedução do beijo da amada que abre o artigo, e a inocente brincadeira familiar com que o fecho.

Picasso_Pablo-On_the_Beach

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Três imagens icónicas do século XX

02 Sábado Fev 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à fotografia, Crónicas

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Anita Ekberg, Citizen Kane, Dexter Gordon, Federico Fellini, Herman Leonard, La Dolce Vita, O Mundo a seus pés, Orson Welles

MBDCIKA EC019Hoje arquivo no blog duas imagens icónicas do poder e do sexo, os pólos em que a humanidade se move, produzidas pelo cinema.

Na foto acima, do filme Citizen Kane, O mundo a seus pés em português, até há pouco o melhor filme de sempre para alguma critica, Orson Welles, o actor e realizador, com o peso da sua figura sobredimensionada pela visão obliqua a partir de cima, olha-nos na ironia suficiente dos poderosos, pisando o mundo, imageticamente contido nas notícias dos jornais, que na historia do filme o homem domina e manipula. Retrato simbólico do poder nos nossos dias, onde dinheiro e comunicação social se combinam no controle insidioso do pensar e vontade das gentes.

la dolce vita2

Aqui, no filme de Federico Fellini, La Dolce Vita, Anita Ekberg esplende, de perfil, oferecendo a cara e o corpo à água que da Fontana Trevi cai, e sobre ela corre.

Na complexidade simbólica da fotografia, é a imagem conceptual da mulher como fonte de prazer o que instantaneamente lemos: cabelos longos, opulência de curvas e seios abundantes, sobrepõem-se ao contexto arquitectónico-escultural do enquadramento. Mas aí também a apreensão do olhar encontra alimento. Na fusão da carne esplêndida da mulher viva com as esculturas de pedra escorrendo água, é todo um mundo inanimado que subitamente, ao olhar, palpita fremente do desejo.
A água correndo sobre o corpo é o elemento indutor de toda esta atmosfera, na convocação instantânea da memória do prazer que o banho provoca em cada um de nós. Talvez o leitor esteja lembrado dos conselhos do Bispo de Sevilha à irmã sobre o banho como fonte de pecado, que em tempos aqui deixei.

Herman Leonard  Dexter gordon

Termino com outra foto icónica, mas desta vez dos prazeres da música e do vicio.

Dexter Gordon, nesta foto de Herman Leonard, na pose displicente, saxofone pousado, envolvido pelo fumo do cigarro, conta dos prazeres o que mil palavras não dizem e ao olhar se oferece.
Quando penso em jazz e no prazer da música é esta foto que à memória me ocorre.

Da explicitação dos prazeres do vicio deixo ao leitor a sua concretização.

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Viver sempre também cansa. diz-nos José Gomes Ferreira

17 Quinta-feira Jan 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Crónicas, Poetas e Poemas

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José Gomes Ferreira, Pierre Soulages

Soulages_Pierre-Peinture-2005-IIToca a todos, uma vez por outra, a saturação de viver um certo quotidiano:

Tudo é igual, mecânico e exacto.

e invade-nos um desejo de parar tudo, por-lhe um fim:

Pois não era mais humano / morrer por um bocadinho, / de vez em quando, / e recomeçar depois, / achando tudo mais novo?

sem que isso tenha em si qualquer vontade de suicídio, que não temporário:

Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses

Enfim, a insatisfação humana a governar-nos a vida.

É do que nos fala o poema de José Gomes Ferreira (1900-1985)

Viver sempre também cansa.

O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase-verde…
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.

Tudo é igual, mecânico e exacto.

Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida…

E obrigam-me a viver até à Morte!

Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?

Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima de um divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.

Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
“Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela.”

E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo…

O poema foi publicado pela primeira vez em 1931 na revista Presença, e é o poema com que o poeta abre a edição da sua poesia completa: Poeta Militante.

 

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Eurípedes, um fragmento de Ifigénia em Áulide

15 Terça-feira Jan 2013

Posted by viciodapoesia in Convite à arte, Crónicas, Poesia Antiga, Poesia Grega

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Eurípedes, Frans Floris

FLORIS, Frans - O julgamento de Páris 1548Dava hoje noticia a imprensa, de um inquérito não representativo ao Interesse Sexual Masculino, levado a cabo em Portugal, Croácia e Noruega.
A noticia concluía, não sei se o inquérito também, umas coisas variadas, destacando e apontando razões para um suposto desinteresse sexual em mais de 10% dos portugueses homens, na casa dos 30 anos.
Estes estudos explicam-se por si: são ocupação de alguém para durante algum tempo produzir qualquer coisa que permita seguir em frente ganhando a vida.
Expendidos vários argumentos para este resultado, um deles refere a perda de interesse sexual por excesso de convívio com a pornografia. Será! Poupo-vos a comentários. Digo-vos, apenas que ao ler tudo isto me ocorreu um fragmento de Eurípides (480-406a.C.):

Haja para mim graça / comedida e castos amores;
dos dons de Afrodite participe / mas evite os seus excessos.

Deixo-vos com a estrofe da primeira intervenção do coro de Ifigénia em Áulide, poema maravilhoso e cruel tragédia, nas palavras de André Bonnard, onde estes versos se contêm.

Felizes os que, com medida divina           543
e segundo a sabedoria,
tiveram parte nos prazeres de Afrodite,
com calma usando
o aguilhão furioso das paixões
quando Eros de loura cabeleira
os dardos ambos dispara das suas graças,
um para destino de felicidade,
outro para tormento de vida.
A este afasto eu, linda Cípris,
do meu tálamo.
Haja para mim graça
comedida e castos amores;
dos dons de Afrodite participe
mas evite os seus excessos.

A tradução é de Carlos Alberto Pais de Almeida, 2ªedição, FCG/JNICT, 1998

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Os números de 2012

30 Domingo Dez 2012

Posted by viciodapoesia in Crónicas

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Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

4,329 films were submitted to the 2012 Cannes Film Festival. This blog had 56.000 views in 2012. If each view were a film, this blog would power 13 Film Festivals

Clique aqui para ver o relatório completo

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Vejo, vendo-me, o que ninguém vê.

29 Sábado Dez 2012

Posted by viciodapoesia in Crónicas

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Uma janela da casa onde nasciVejo, vendo-me, o que ninguém vê.
Aqui, sentado na esplanada da minha infância, observo ao longe as palmeiras que morrem lentamente, assassinadas pelo mosquito vindo de África. As gentes passeiam lentamente no empedrado saturado.
Simultâneamente a tudo isso, vejo tendas de feirantes em sábado de aleluia, e miúdos correndo em torno dos tabuleiros de amêndoas confeitas, brancas, rosa e azul, e, centro de atenção e desejo inatingível, os enormes ovos de açúcar com amêndoa ao meio, de todos os mais cobiçados.
Vejo o tempo, o que vivi, e o que antes de mim passou, nestes muros e janelas em volta, impávidos, ao ciclo das estações.
Vejo o que não vê quem ao meu lado conversa e olha com agrado na pausa de curtas férias. E um consolo de alma desce sobre a tarde que lentamente se desvanece.

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O presépio da minha infância

24 Segunda-feira Dez 2012

Posted by viciodapoesia in Cânone XXI, Convite à arte, Crónicas

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Fernando Pessoa, Natal

UNKNOWN MASTER, German 1420É a poesia de Fernando Pessoa um poço inesgotável, onde a cada mergulho a alma se nos prende e se desvenda. Nesta vasta obra há pouco sobre o Natal, mas basta o arqui-conhecido poema Natal. Na província neva/…, para ficar dito em definitivo o que em desolada solidão sente quem na vida caminha Coração oposto ao mundo.

NATAL  

Natal. Na província neva.
Nos lares aconchegados
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

Era pela feira de Outubro que naquele virar dos anos cinquenta a chegada próxima do Natal nos conduzia, crianças de vida modesta numa sociedade de bens escassos.

Aí começava a preparação do presépio com a compra de figurinhas de barro, umas novas para acrescentar variedade à composição, outras para substituir algumas entretanto quebradas. Era o dinheiro amealhado em longos meses, às vezes todo o ano, que permitia essas compras. Depois seguiam-se os trabalhos de preparação e montagem do cenário para o presépio. Tratava-se de uma vasta estrutura com quase dois metros de frente e mais de um metro de fundo construída com réguas de madeira às quais se pregavam raízes de canas. Estas raízes de canas, tuberculos rijos e com formas caprichosas, permitiam uma arquitecuta espacial variada. Pregadas em anfiteatro, desciam das alturas ao fundo, e confluíam na gruta, em baixo e quase ao centro, na frente, onde nasceria o deus menino.
O propósito era criar um vasto cenário deixando imaginar montanhas e vales, por onde andaria e viveria gente, que à chegada do Natal saberiam da boa nova e desciam até à gruta para ver e adorar o deus nascido. Eram esta gente e animais, casas e alfaias, as figurinhas de barro compradas na feira. Ao cenário acrescentava-se musgo e searas (grãos de trigo postos a germinar semanas antes em tacinhas de vidro).
E como se fazia a base do cenário? Pregadas as raízes às tábuas na disposição que iria permitir o relevo, a esta estrutura colava-se papal Kraft, integralmente coberto de um dos lados com cola de farinha, a qual, uma vez seca fixava o papel às raízes e acrescentava-lhe a rigidez e resistência suficiente para nele pousar sem rasgar as figuras de barro.
A cola de farinha era feita com farinha e água, cozida ao fogo. Depois de bem seca a cola, toda a estrutura era pintada com uma solução de dioxénio, a qual por ser de um castanho transparente, permitia nuances de cor sobre o papel creme e já manchado pelo repasse da cola. Uma vez seco o dioxénio e ficando a contento o cenário de montanha que queríamos, tratava-se de polvilhar a estrutura com purpurina dourada e prateada de forma que surgissem reflexos na estrutura, quando iluminada.
Com todo este trabalho tinha passado Outubro e Novembro. Além de carrear todo o material, escolher e ensaiar o cenário a construir, havia também a construção em cartolina do castelo do presépio, e de casas para espalhar pela paisagem. O castelo era a obra-prima de cada ano a fazer, pela vastidão e variedade de torres e ameias, fazendo lembrar um castelo das iluminuras dos irmãos Limbourg, que em tempos deixei algures no blog.
Concluídas as tarefas, e de posse de todos os elementos: figuras, musgo, searas, luzes, tratava-se de as dispor no cenário e inaugurar o presépio, nem sempre no primeiro de Dezembro mas seguramente nos primeiros dias do mês. Quando era montado na montra da loja de meu pai, colocava-se um pano no exterior enquanto a montagem durava, e anos houve em que a miudagem apercebendo-se, ali se juntava e esperava a retirada do pano para primeiro ver o presépio e as suas novidades. Depois, ao longo dos dias, na saída da escola, lá passavam e ficavam a olhar, uns, sem mais, outros discutindo este ou aquele detalhe que gostavam ou não.

Era o tempo de pôr o sapato à chaminé na véspera de Natal à noite, e acreditar que por ali o Pai Natal desceria com um ou dois presentes e pouco mais de meia dúzia de pequenos chocolates, enchendo o sapatinho com os secretos sonhos que só ele conhecia. Hoje, as chaminés vedadas por exaustores não permitem, nem à mais tenra infância, a ilusão da descida do Pai Natal, dando forma a desejos acalentados longamente.

Este acreditar que a magia do bem é possível, acompanha pela vida quem a sentiu, e torna a esperança na felicidade, indestrutível.
Oxalá o mesmo se passe consigo, leitor.

Feliz Natal!

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