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vicio da poesia

Tag Archives: Fernando Pessoa

Uma Ode de Ricardo Reis

29 Quinta-feira Nov 2012

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

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Fernando Pessoa, Ricardo Reis

Em resposta à angústia da crise venho com uma Ode de Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa (1888-1935), para quem o e a desconheça.

Na famosa carta a Adolfo Casais Monteiro, que outro dia transcreverei, Fernando Pessoa conta assim o aparecimento do heterónimo Ricardo Reis:

Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir – instintiva e subconscientemente – uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, …
É o heterónimo Alberto Caeiro, o Mestre a quem o poeta se dirige a abrir a Ode:

Mestre, são plácidas / Todas as horas / Que nós perdemos, / Se no perdê-las, / Qual numa jarra, / Nós pomos flores.

Afirmado ao que vem: a placidez do viver é erigida como propósito, na ausência de estremecimentos vãos ou sobressaltos,

Mas decorrê-la, / Tranquilos, plácidos, / Tendo as crianças / Por nossas mestras, / E os olhos cheios / De Natureza…

é na oposição viver a vida / passar por ela, que a Ode se desenvolve,

Não há tristezas / Nem alegrias / Na nossa vida. / Assim saibamos, / Sábios incautos, / Não a viver,

e destacá-lo mais seria esquartejar o poema. Vamos pois, a ele, sem delongas.

Ode

Mestre, são plácidas
Todas as horas
Que nós perdemos,
Se no perdê-las,
Qual numa jarra,
Nós pomos flores.

Não há tristezas
Nem alegrias
Na nossa vida.
Assim saibamos,
Sábios incautos,
Não a viver,

Mas decorrê-la,
Tranquilos, plácidos,
Tendo as crianças
Por nossas mestras,
E os olhos cheios
De Natureza…

À beira-rio,
À beira-estrada,
Conforme calha,
Sempre no mesmo
Leve descanso
De estar vivendo.

O tempo passa,
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quasi
Maliciosos,
Sentir-nos ir.

Não vale a pena
Fazer um gesto.
Não se resiste
Ao deus atroz
Que os próprios filhos
Devora sempre.

Colhamos flores.
Molhemos leves
As nossas mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também.

Girassóis sempre
Fitando o sol,
Da vida iremos
Tranquilos, tendo
Nem o remorso
De ter vivido.

12-06-1914

Edição de Manuela Parreira da Silva

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Partir, e Álvaro de Campos na bagagem

28 Sábado Jul 2012

Posted by viciodapoesia in Convite à fotografia, Poetas e Poemas

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Álvaro de Campos, carlos mendonça lopes, Fernando Pessoa

Com as férias em perspectiva, o sentimento da viagem surge-me em contradição. Partir, sim! Buscar o quê? Repouso pede-me o corpo. Aventura, reclama a imaginação. Não direi como Álvaro de Campos que “Nunca…Perco…Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,“, mas o desconforto do desconhecido ganha um peso que é ao fim e ao cabo uma espécie de “opressão [que] se infiltra no fundo do meu coração.“

I

Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea –
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem –
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.

O heterónimo de Fernando Pessoa disse muitas vezes algo do que sinto. Felizmente nunca me sinto Álvaro de Campos mas a espaços tropeço nos seus versos com um fugaz sentimento de identificação. A catarse pela poesia pode acontecer. Ler o que em silêncio cogito introduz a distância que devolve a lucidez. E se num primeiro momento domina o “Volta amanhã, realidade! / Basta por hoje, gentes! / ​Adia-te, presente absoluto! / ​Mais vale não ser que ser assim. “, há uma vontade interior que cresce e “Ergo-me de repente todos os Césares. / ​Vou definitivamente arrumar a mala. / Arre, hei de arrumá-la e fechá-la; / ​Hei de vê-la levar de aqui, / ​Hei de existir independentemente dela.” .

II

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
​Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incómodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
​Acendo o cigarro para adiar a viagem,
​Para adiar todas as viagens.
​Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
​Adia-te, presente absoluto!
​Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
​E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
​Tenho por força que arrumar a mala,
​A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
​Tenho que existir a arrumar malas.
​A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
​Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
​Sei só que tenho que arrumar a mala,
​E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
​E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
​Vou definitivamente arrumar a mala.
​Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
​Hei de vê-la levar de aqui,
​Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
​Salvo erro, naturalmente.
​Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
​Fim.

Afinal não sou o poeta, mas alguém que anseia ir ao encontro das raízes, e vou para Tavira, sem o desejo de que “Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro, / ​E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.“
Que o infinito permaneça longe de mim, desejo!

Nota talvez desnecessária

O heterónimo Álvaro de Campos criado por Fenando Pessoa, foi concebido como tendo nascido em Tavira, minha terra natal, como é sobejamente conhecido dos leitores habituais do blog.

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O cansaço de Álvaro de Campos

06 Sexta-feira Jan 2012

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

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Álvaro de Campos, Fernando Pessoa

20120106-185928.jpg

Estou cansado, é claro

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto-
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço –
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas –
Essas e o que falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada –
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço…

Não, não é cansaço…

Não, não é cansaço…
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo…

Não, cansaço não é…
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta –
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como…
Sim, ou por sofrer como…
Isso mesmo, como…

Como quê?…
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!…

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Fernando Pessoa – Carta da Corcunda para o Serralheiro lida por Maria do Céu Guerra

10 Quarta-feira Ago 2011

Posted by viciodapoesia in A mulher imaginada

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Fernando Pessoa, Maria do Céu Guerra

Publicado pela primeira vez em PESSOA POR CONHECER, Carta da Corcunda para o Serralheiro é um texto pungente e na elegância aterradora da sua sinceridade, aperta o coração ouvi-lo lido por Maria do Céu Guerra.

Hoje tenho a honra e o enorme privilégio de poder facultar aos leitores do blog uma gravação dessa leitura.

https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/viciodapoesiamedia/Maria+Jose+de+Fernando+Pessoa+lido+por+Maria+do+Ceu+Guerra.mp3

A carta da Corcunda para o Serralheiro

Senhor António:

O senhor nunca ha de ver esta carta. Nem eu a hei de ver segunda vez porque estou tuberculosa, mas eu quero escrever-lhe ainda que o senhor o nao saiba, porque se não escrevo abafo.

O senhor não sabe quem eu sou, isto é, sabe mas não sabe a valer. Tem-me visto á janella quando o senhor passa para a officina e eu olho para si, porque o espero a chegar, e sei a hora que o senhor chega. Deve sempre ter pensado sem importância na corcunda do primeiro andar da casa amarella, mas eu não penso senão em si. Sei que o senhor tem uma amante, que é aquella rapariga loura alta e bonita; eu tenho inveja d’ella mas não tenho ciúmes de si porque não tenho direito a ter nada, nem mesmo ciúmes. Eu gosto de si porque gosto de si, e tenho pena de não ser outra mulher, com outro corpo e outro feitio, e poder ir á rua e fallar comsigo ainda que o senhor me não desse razão de nada, mas eu estimava conhecel-o de fallar.

O senhor é tudo quanto me tem valido na minha doença e eu estou-lhe agradecida sem que o senhor o saiba. Eu nunca poderia ter ninguem que gostasse de mim como se gosta das pessoas que teem o corpo de que se pode gostar, mas eu tenho o direito de gostar sem que gostem de mim, e tambem tenho o direito de chorar, que não se negue a ninguem.

Eu gostava de morrer depois de lhe fallar a primeira vez mas nunca terei coragem nem maneiras de lhe fallar. Gostava que o senhor soubesse que eu gostava muito de si, mas tenho medo que se o senhor soubesse não se importasse nada, e eu tenho pena já de saber que isso é absolutamente certo antes de saber qualquer coisa, que eu mesmo não vou procurar saber.

Eu sou corcunda desde a nascença e sempre riram de mim. Dizem que todas as corcundas são más, mas eu nunca quiz mal a ninguem. Alem d’isso sou doente, e nunca tive alma, por causa da doença, para ter grandes raivas. Tenho dezanove annos e nunca sei para que é que cheguei a ter tanta edade, e doente, e sem ninguem que tivesse pena de mim a não ser por eu ser corcunda, que é o menos, porque é a alma que me doe, e não o corpo, pois a corcunda não faz dor.

Eu até gostava de saber como é a sua vida com a sua amiga, porque como é uma vida que eu nunca posso ter – e agora menos que nem vida tenho – gostava de saber tudo.

Desculpe escrever-lhe tanto sem o conhecer, mas o senhor não vae ler isto, e mesmo que lesse nem sabia que era comsigo e nao ligava importancia em qualquer caso, mas gostaria que pensasse que é triste ser marreca e viver sempre só á janella, e ter mãe e irmãs que gostam da gente mas sem ninguem que goste de nós, porque tudo isso é natural e é a familia, e o que faltava é que nem isso houvesse para uma boneca com os ossos ás avessas como eu sou, como eu já ouvi dizer.

Houve um dia que o senhor vinha para a officina e um gato se pegou á pancada com um cão aqui defronte da janella, e todos estivemos a ver, e o senhor parou, ao pé do Manuel das Barbas, na esquina do barbeiro, e depois olhou para mim para a janella, e viu-me a rir e riu também para mim, e essa foi a unica vez que o senhor esteve a sós commigo, por assim dizer, que isso nunca poderia eu esperar.

Tantas vezes, o senhor não imagina, andei á espera que houvesse outra coisa qualquer na rua quando o senhor passasse e eu pudesse outra vez ver o senhor a ver e talvez olhasse para mim e eu pudesse olhar para si e ver os seus olhos a direito para os meus.

Mas eu não consigo nada do que quero, nasci já assim, e até tenho que estar em cima de um estrado para poder estar á altura da janella.. passo todo o dia a ver illustrações e revistas de modas que emprestam á minha mãe, e estou sempre a pensar noutra coisa, tanto que quando me perguntam como era aquella saia ou quem é que estava no retrato onde está a Rainha de Inglaterra, eu ás vezes me envergonha de não saber, porque estive a ver coisas que não podem ser e que eu não posso deixar que me entrem na cabeça e me dêem alegria para eu depois ainda por cima ter vontade de chorar.

Depois todos me desculpam, e acham que sou tonta, mas não me julgam parva, porque ninguem julga isso, e eu chego a não ter pena da desculpa, porque assim não tenho que explicar porque é que estive distrahida.

Ainda me lembro d’aquelle dia que o senhor passou aqui ao Domingo com o fato azul claro. Não era azul claro, mas era uma sarja muito clara para o azul escuro que costuma ser. O senhor ia que parecia o proprio dia que estava lindo e eu nunca tive tanta inveja de toda a gente como nesse dia. Mas não tive inveja da sua amiga, a não ser que o senhor não fosse ter com ella mas com outra qualquer, porque eu não pensei senão em si, e foi porisso que invejei toda a gente, o que não percebo mas o certo é que é verdade.

Não é por ser corcunda que estou aqui sempre á janella, mas é que ainda por cima tenho uma espécie de rheumatismo nas pernas e não me posso mexer, e assim estou como se fosse paralytica, o que é uma maçada para todos cá em casa e eu sinto ter que ser toda a gente a aturar-me e a ter que me acceitar que o senhor não imagina. Eu ás vezes dá-me um desespero como se me pudesse atirar da janella abaixo, mas eu que figura teria a cahir da janella? Até  quem me visse cahir ria e a janella é tam baixa que eu nem morreria, mas era ainda mais maçada para os outros, e estou a ver-me na rua como uma macaca, com as pernas á vela e a corcunda a sahir pela blusa e toda a gente a querer ter pena mas a ter nojo ao mesmo tempo ou a rir se calhasse, porque a gente é como é não como tinha vontade de ser.

(…)

– e emfim porque lhe estou eu a escrever se lhe não vou mandar esta carta? [texto não lido]

O senhor que anda de um lado para o outro não sabr qual é o peso de a gente não ser ninguem. Eu estou á janella todo o dia e vejo toda a gente passar de um lado para o outro e ter um modo de vida e gosar e fallar a esta e áquella, e parece que sou um vaso com uma planta murcha que ficou aqui á janella por tirar de lá.

O senhor não pode imaginar, porque é bonito e tem saude o que é a gente ter nascido e não ser gente, e ver nos jornaes o que as pessoas fazem, e uns são ministros e andam de um lado para o outro a visitar todas as terras, e outros estão na vida da sociedade e casam e teem baptizados e estão doentes e fazem-lhe operações os mesmos medicos, e outros partem para as suas casas aqui e alli, e outros roubam e outros queixam-se, e uns fazem grandes crimes e ha artigos assignados por outros e retratos e annuncios com os nomes dos homens que vão comprar as modas ao estrangeiro, e tudo isso o senhor não imagina o que é para quem é um trapo como eu que ficou no parapeito da janella de limpar o signal redondo dos vasos quando a pintura é fresca por causa da agua.

Se o senhor soubesse isto tudo era capaz de de vez em quando me dizer adeus na rua, e eu gostava de se lhe poder pedir isso, porque o senhor não imagina, eu talvez não vivesse mais, que pouco é o que tenho de viver, mas eu ia mais feliz lá para onde se vae se soubesse que o senhor me dava os bons dias por acaso.

A Margarida costureira diz que lhe fallou uma vez, que lhe fallou torto porque o senhor se metteu com ella na rua aqui ao lado, e essa vez é que eu senti inveja a valer, eu confesso porque não lhe quero mentir, senti inveja porque metter-se alguem comnosco é a gente ser mulher, e eu não sou mulher nem homem, porque ninguem acha que eu sou nada a não ser uma especie de gente que está para aqui a encher o vão da janella e a aborrecer tudo que me vê, valha me Deus.

O Antonio (é o mesmo nome que o seu, mas que differença!) o Antonio da officina de automoveis disse uma vez a meu pae que toda a gente deve produzir qualquer coisa, que sem isso não ha direito a viver, que quem não trabalha não come e não ha direito a haver quem não trabalhe. E eu pensei que faço eu no mundo, que não faço nada senão estar á janella com toda a gente a mexer-se de um lado para o outro, sem ser paralytica, e tendo maneira de encontrar as pessoas de quem gosta, e depois poderia produzir á vontade o que fosse preciso porque tinha gosto para isso.

Adeus senhor Antonio, eu não tenho senão dias de vida e escrevo esta carta só para a guardar no peito como se fosse uma carta que o senhor me escrevesse em vez de eu a escrever a si. Eu desejo que o senhor tenha todas as felicidades que possa desejar e que nunca saiba de mim para não rir porque eu sei que não posso esperar mais.

Eu amo o senhor com toda a minha alma e toda a minha vida.

Ahi tem e estou a chorar.

Maria José

 

Este impressionante texto que Pessoa, ao contrário do que habitualmente lhe acontecia, completou e dactilografou é, se bem que inesperado, o auto-retrato mais acabado – e terrivel! – dessa “grande alma” que se sentia “ninguém”., são palavras da editora do texto, Teresa Rita Lopes, que um pouco antes escrevia:

A comiseração de Pessoa por si próprio vai atingir o seu mais alto grau e a sua expressão mais despersonalizada no monólogo duma Maria José, que incarna de forma extrema, metaforicamente, o ser aleijado, aborto do destino, que se vê ser na Carta da Corcunda para o Serralheiro.

Maria José é a voz feminina que, como tal, mais longamente se faz ouvir no universo pessoano. É a metáfora de uma alma “à janela”, como a do monólogo em situação incluído no Livro do Desassossego mas que é muito mais que a página de um diário:

Se a nossa vida fosse um eterno estar à janela, se assim ficassemos, como um fumo parado, sempre, tendo sempre o mesmo momento de crepusculo dolorindo a curva dos montes. Se assim ficassemos para além de sempre! (LD, 1,p.312, Atica 1982)

E acrescenta, mais longe, evocando como se o esquecesse um tu ausente:

Dói-me a alma… Um traço lento de fumo ergue-se e dispersa-se lá longe… um tédio inquieto faz-me não pensar mais em ti…

A voz feminina da Carta da Corcunda para o Serralheiro, assim mesmo intitulada, atinge o ponto máximo nessa escala da despersonalização que Pessoa percorria em todos os sentidos, estacionando em todos os degraus. Incarna esse “ninguém” que, na sua própria pessoa, Pessoa sofria sentir-se ser e que mima em Marcos Alves, Vicente Guedes (o da vida nulla), Bernado Soares (que todos os dias se proclama “ninguém”), Frederick Wyatt (o “coitadinho”), Barão de Teive (cuja vida é uma “batalha perdida no mapa”) e em todos esses outros que são estilhaços do espelho partido que se tornou.

Transcrevi longamente o texto em que Teresa Rita Lopes apresenta a Carta da Corcunda para o Serralheiro no vol. I de PESSOA POR CONHECER, sobretudo por se tratar de uma publicação rara e serem escassos ou nulos os comentários de enquadramento do texto na obra do poeta.

Enquanto leitor não especialista, interessam-me menos os aspectos de personalidade do poeta e de que forma se encontram disseminados na sua obra, que o impacto em mim provocado pela força do texto. Depois de o ler, e sobretudo depois de o ter ouvido lido por Maria do Céu Guerra, não mais olhei a deficiência com a indiferença distante que involuntariamente era a minha.

É uma daquelas obras-primas absolutas de que não saimos incólumes quando com elas nos cruzamos. Um enorme obrigado à Maria do Céu Guerra por a ter trazido até nós.

Noticia Bibliográfica

PESSOA POR CONHECER I e II, é um conjunto em 2 volumes subtitulados: volume I – Roteiro para um expedição, e volume II – Textos para um novo mapa. Foram publicados por Editorial Estampa em 1990, e neles Teresa Rita Lopes deu o ponto de partida para a divulgação organizada da obra de Pessoa, como hoje a conhecemos na sua maior parte.

Nota: Na transcrição da Carta… conservei a ortografia da edição, a qual é a do dactiloescrito do poeta.

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A SUMMER ECSTASY / ÊXTASE DE VERÃO

02 Sábado Jul 2011

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

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Alexander Search, Fernando Pessoa

Recolhido ao fresco do ar condicionado neste verão que nos abrasa, leio poesia, e aguardo o que aconteceu ao poeta:

Junto a um dia de verão / Fiquei deitado a sonhar. / E de longe a luz, então, / Veio dentro de mim brilhar.

Infelizmente não me aconteceu nenhuma epifania como relata o poema:

Súbita flauta possivel / Em notas sem melodia / Brota, do fundo invisivel / De meu ser…

e continuo com a urgência do quotidiano, numa perfeita sintonia com o maravilhoso tempo que vivemos. Mas bem gostava de num sobressalto sentir como o poeta:

Sou outro ser. / Meus sentidos outros já. / A mão que oculta meu ver / Divina cegueira dá. /  Sou musica vinda dos céus, / Um tom dos dedos de Deus.

O poeta é Fernando Pessoa na pele de Alexander Search, o heterónimo pouco considerado. Ressoam no poema os primórdios do que viria a ser o panteísmo de Alberto Caeiro, aqui ainda confuso:

A poeira que ao sol baila / Pode ouvir-se sussurrar. / Tudo é expressão, tudo fala.

Deixo-vos com o poema na integra.

 

ÊXTASE DE VERÃO

 

Junto a um dia de verão

Fiquei deitado a sonhar.

E de longe a luz, então,

Veio dentro de mim brilhar.

Brilho vero e irreal

Por certo espiritual.

 

O interior então vi

Do verão, da terra, da aurora.

Os rios a correr ouvi

De Dentro. Nasci outrora

P’ra ver, em cada mistério,

Como Deus é tudo, inteiro.

 

A poeira que ao sol baila

Pode ouvir-se sussurrar.

Tudo é expressão, tudo fala.

A vista pode escutar.

Das coisas perdi visão.

Ideias, aladas são.

 

Os restos de horas passadas

Vogam em barcos à deriva

Cobertas de flores caladas,

Com meu sonho na descida

Até margens de mistério –

Este dia quente e eu.

 

E algo de um cobiçar,

Mas dum desejo diferente,

Sensação de algo faltar

Sem chegar a estar carente,

Mas que se vai dissolver

Antes que doa o prazer.

 

Um brilho de sombra tecido

Deste dia e de meu ser,

Água de fulgor trazido

Apenas para se ver,

Hiato, pausa, obscuro

Olhar a orla de tudo,

 

Súbita flauta possivel

Em notas sem melodia

Brota, do fundo invisivel

De meu ser, sua magia

E esvai-se do meu sentido

No pensamento perdido.

 

E olhai! Sou outro ser.

Meus sentidos outros já.

A mão que oculta meu ver

Divina cegueira dá.

Sou musica vinda dos céus,

Um tom dos dedos de Deus.

 

E como um principe coroado

Sinto orgulho e medo agora,

De céu e terra trajado.

A alma por dentro e fora,

É sol até aos confins.

Sonho mãos de serafins.

 

O poema, A SUMMER ECSTASY, foi traduzido por Luisa Freire e publicado a primeira vez pela tradutora em 1995, na edição bilingue da Poesia Inglesa de Fernando Pessoa. Traz o nº48 do livro THE MAD FIDDLER/O RABEQUISTA MÁGICO.

O livro foi editado por LIVROS HORIZONTE, LDA em 1995, e penso que a superlativa tradução dos poemas terá sido premiada por um dos prémios que de vez em quando fazem justiça ao trabalho que o merece.

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Merda! Sou lúcido. – Coitado do Álvaro de Campos!

23 Sexta-feira Abr 2010

Posted by viciodapoesia in Cânone XXI

≈ 3 comentários

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Fernando Pessoa

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa

Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,

Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;

E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha

(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:

Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,

E romantismo, sim, mas devagar…)


Sinto uma simpatia por essa gente toda,

Sobretudo quando não merece simpatia.

Sim, eu sou também vadio e pedinte,

E sou-o também por minha culpa.

Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:

É estar ao lado da escala social,

É não ser adaptável ás normas da vida,

Às normas reais ou sentimentais da vida –

Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,

Não ser pobre a valer, operário explorado,

Não ser doente de uma doença incurável,

Não ser sedento de justiça ou capitão de cavalaria,

Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas

Que se fartam de letras porque têm razão para chorar lágrimas,

E se revoltam contra a vida social porque têm razão para isso supor.


Não: tudo menos ter razão!

Tudo menos importar-me com a humanidade!

Tudo menos ceder ao humanitarismo!

De que serve uma sensação se há uma razão exterior para ela?


Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,

Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:

É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,

É ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.


Tudo mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.

Tudo mais é ter fome e não ter que vestir.

E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente

Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.

Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,

E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.


Coitado do Álvaro de Campos!

Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!

Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!

Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,

Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,

Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele

Pobre que não era pobre, que tinha olhos tristes por profissão.


Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!

Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!


E, sim, coitado dele!

Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,

Que são pedintes e pedem,

Porque a alma humana é um abismo.


Eu é que sei. Coitado dele!


Que bom poder-me revoltar num comicio dentro da minha alma!

Mas até nem parvo sou!

Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.

Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.


Não me queiram converter a convicção: sou lúcido.

Já disse: sou lúcido.

Nada de estéticas com coração: sou lúcido.

Merda! Sou lúcido.


Nos vinte anos, quando cheguei à poesia de Álvaro de Campos nas velhinhas edições da Ática, este foi dos poemas que marcou de forma indelével a minha relação com a poesia de Fernando Pessoa.

Confrontado com pedintes na rua, vejo-me e revejo-me no gesto largo, liberal e moscovita de dar Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele /Pobre.

Este poema é um antídoto quando começo a contemplar-me e a ter pena de mim, Porque a alma humana é um abismo, e me sinto Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações! / Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!

Chego ao fim do poema, e a força da exclamação Merda! Sou lúcido. desperta-me e devolve-me à realidade.


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Espirrar até à metafisica

20 Terça-feira Abr 2010

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

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Fernando Pessoa

 

Republicado com modificações em Nov 2015

 

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Um soneto de Antero de Quental

11 Segunda-feira Jan 2010

Posted by viciodapoesia in Cânone XXI

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António Sérgio, Antero de Quental, Fernando Pessoa, João de Deus, Oliveira Martins

Por mais ligados à matéria que nos sintamos, cedo ou tarde a experiência metafísica bate-nos à porta.

É recente em mim a presença de Deus. Não um Deus cosido a qualquer catecismo, mas um Deus explicação do transcendente, como o de Antero de Quental, de quem trago hoje um soneto.

Em Antero de Quental, poeta-filósofo que foi, e mestre maior do soneto em português, a presença de Deus é recorrente.

Dos seus sonetos disse Oliveira Martins no prefácio que acompanhou a edição em livro:

[Hão-de] encontrar um acolhimento amoroso em todas as almas de eleição, e durar enquanto houver corações aflitos, e enquanto se falar a linguagem portuguesa.

Este prefácio, para quem não conheça o perfil de Antero, é na sua justeza e concisão, o lugar onde podemos aproximar-nos do homem e do poeta.

Por outro lado, o estudo de António Sérgio na edição que preparou dos Sonetos, embora estimulante nas suas interpretações, deixa pouco espaço para uma leitura pela via do sentimento.

Para os curiosos da biografia do poeta aqui fica um endereço da rede com uma biografia de confiança

Poeta do transcendente em mim, visão perfeita daquele verso de Fernando Pessoa O que em mim sente stá pensando, de resto coincidente com a caracterização que já Oliveira Martins fazia  de Antero no prefácio aos seus Sonetos

“É um poeta que sente, mas é um raciocínio que pensa. Pensa o que sente; sente o que pensa.”,

os seus sonetos acompanham-nos pela vida logo que os conhecemos.

Enviando por carta a João de Deus o soneto que escolhi, diz-lhe Antero:

E agora aí vai um soneto. Será talvez o primeiro de que gostes por mais alguma coisa que só pela forma.

 

O meu pessimismo tem-se desvanecido com esta vida contemplativa no meio da boa natureza. Reconheci que andar por toda a parte a proclamar, com voz lúgubre, que o mundo é vão, era ainda uma última vaidade… lá vai o soneto –

 

Na mão de Deus, na sua mão direita,

Descansou afinal meu coração.

Do palácio encantado da Ilusão

Desci a passo e passo a escada estreita.

 

Como as flores mortais, com que se enfeita

A ignorãncia infantil, despojo vão,

Depus do Ideal e da Paixão

A forma transitória e imperfeita.

 

Como criança, em lobrega jornada,

Que a mãe leva no colo agasalhada,

E atravessa, sorrindo vagamente,

 

Selvas, mares, areias do deserto…

Dorme o teu sono, coração liberto,

Dorme na mão de Deus eternamente.

 

 

 

É ainda numa carta a João de Deus datada de Vila do Conde que no inicio desse mesmo ano, a 13 de janeiro de 1882, dá conta do estado de espírito que o anima –

“Eu dou-me aqui bem, apesar de viver completamente só. Quando quero falar, vou ao Porto conversar com Oliveira Martins. Se tu ali estivesses também, tinha tudo quanto desejo.

Aqui as praias são amplas e belas, e por elas passeio ou me estendo ao sol, com a voluptuosidade que só conhecem os poetas e os lagartos, adoradores da luz.”

Estes extractos são esclarecedores do ânimo do poeta e a placidez que transparece nas cartas reflecte-se no poema.

Como estamos longe do pessimismo de tanta da sua poesia, numa aceitação da harmonia do mundo qual “criança ... Que a mãe leva no colo… E atravessa sorrindo… Selvas, mares, areias do deserto…”

Fiquemos por agora com este Deus em poesia que nos permite dormir o sono com o coração liberto.

 

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Lisbon Revisited (1923)

03 Domingo Jan 2010

Posted by viciodapoesia in Cânone XXI

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Fernando Pessoa

Ao relato do nascimento da poesia com que pensei iniciar este blogue anteponho em forma de prólogo uma autobiografia tomada de empréstimo ao meu conterrâneo Álvaro de Campos.

Com a avalanche editorial da e sobre a poesia de Pessoa, é pouco razoável pretender acrescentar algo sobre ela que ainda valha a pena ler. A força das palavras, no poeta, sobrepõe-se sempre a quaisquer considerações de interpretação ou sentimento. Por isso aí fica o poema da solidão desafiante na sua força emotiva,

“…

Queriam-me casado, futil, quotidiano, tributável?

…

Assim, como sou, tenham paciencia!”

…

E emquanto tarda o Abysmo e o Silencio quero estar sòsinho! “

A versão apresentada é o fac-símile da edição publicada em vida por Fernando Pessoa na revista Contemporânea. A novidade deste fac-simile reside por um lado na particularidade da grafia escolhida pelo poeta e que hoje não se encontra acessível nas edições em livro, motivo de reflexão nos tempos que correm com Acordo Ortográfico à mistura, e por outro a gralha tipográfica evidente que deixo ao cuidado do atento leitor corrigir.

Nota técnica: A leitura do fac-simile pode ser facilitada por simples click sobre a imagem e sua ampliação por exemplo com Ctrl +

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