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Quem conheça a obra de Nicolau Gogol (1806-1852) apreciará a eloquência com que esta se encontra condensada na pintura que Marc Chagall (1887-1985) lhe dedicou. Encontramos nela o indizível da surpresa e de non sense que os textos de Gogol nos dão, numa harmonia de colorido em que ao amarelo solar da envolvente, que é ao fim e ao cabo o efeito da escrita no leitor,  se acrescenta o negro do humor com que o personagem pintado se veste.
Há na pintura uma atmosfera de ternura poética que emana da delicada elegância da figura humana, na sua imponderável curvatura, a que a surpresa da escala do palácio, suportado na ponta do sapato, acrescenta a dimensão de absurdo que a escrita do mestre contém.

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