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vicio da poesia

Monthly Archives: Junho 2011

Casar só uma mão ou a defesa do adultério segundo Bernardim Ribeiro

29 Quarta-feira Jun 2011

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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Bernardim Ribeiro

Não sou casado, senhora,/…/ não casei o coração.

Assim começa uma cantiga de Bernardim Ribeiro (14?? – 15??) que é uma fascinante legitimação do adultério.

Casou o poeta antes de conhecer aquela que agora ama, e para justificar o desejo desta nova amada, serve-se do inesperado argumento de que afinal só casou uma mão:

Antes que vos conhecesse, / sem errar contra vós nada, / uma só mão fiz casada,

Assistimos ao longo da canção à apresentação das razões que legitimam o adultério, quais sejam:

Dizem que o bom casamento / se há de fazer de vontade.
…
se a outrem dei a mão, / dei a vós o coração.
…
Como, senhora, vos vi, / sem palavras de presente / na alma vos recebi, / onde estareis para sempre,

Por detrás destas conversas poéticas espreita sempre o que já sabemos,

O casar não fez mudança /… / nem me negou a esperança / do galardão esperado.

e tentando obtê-lo termina o poeta:

Não me engeiteis por casado, / que, se a outra dei a mão, / a vós dei o coração.

Segue-se a Cantiga na integra:

Cantiga

Não sou casado, senhora,
que ainda não dei a mão,
não casei o coração.

Antes que vos conhecesse,
sem errar contra vós nada,
uma só mão fiz casada,
sem que mais nisso metesse.
Dou-lhe que ela se perdesse!
solteiros e vossos são
os olhos e o coração.

Dizem que o bom casamento
se há de fazer de vontade.
Eu, a vós, a liberdade
vos dei, e o pensamento.
Nisto só me achei contento:
que, se a outrem dei a mão,
dei a vós o coração.

Como, senhora, vos vi,
sem palavras de presente
na alma vos recebi,
onde estareis para sempre,
não de palavra somente;
nem fiz mais que dar a mão,
guardando-vos o coração.

Casei-me com meu cuidado
e com vosso desejar.
Senhora, não sou casado,
não mo queirais acuitar!
que servir-vos e amar
me nasceu do coração
que tendes em vossa mão.

O casar não fez mudança
em meu antigo cuidado,
nem me negou a esperança
do galardão esperado.
Não me engeiteis por casado,
que, se a outra dei a mão,
a vós dei o coração.

Ó quão constante é entre os homens, independentemente das épocas, a dicotomia entre amor e casamento.

A versão transcrita do poema de Bernardim Ribeiro retirei-a da antologia Poesia de Amor organizada por José Régio e Alberto de Serpa, e publicada em 1945 pela Livraria Tavares Martins do Porto.

Sobre a biografia do poeta nada se sabe com exactidão ainda que pela net continuem a circular as fantasias que têm passado por dados biográficos do poeta.

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Sonhei-a! A mulher imaginada dos Romanticos (um exemplo)

19 Domingo Jun 2011

Posted by viciodapoesia in A mulher imaginada, Poesia Antiga

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Luis Augusto Palmeirim

Os transportes de paixão abundam na poesia romântica e pós-romantica até à fragorosa chegada do modernismo à poesia, no inicio do século XX.

Não constituindo o seu único assunto, nem sequer, diria, o mais importante, são quase sempre formas encapotadas de dirigir declarações de amor a alguém, pois nestas gerações, os poetas foram-no, quase sempre, apenas enquanto moços.

Quando não estamos perante a louvação dos encantos de quem se ama, surgem-nos retratos da mulher idealizada por estes jovens no século XIX, que acabam por nos transmitir uma imagem de mulher sonhada, num paradigma que hoje nos é estranho.

No poema que escolhi, Sonhei-a!   temos  no inicio, como componentes do retrato: Era triste, mas serena,

 e a terminar

Era triste como eu gosto; / Era linda como aposto / Que não havia outra igual;

…

Sonhei-a como uma fada, / Que tem vivido encantada / Sozinha – na solidão!

Que ficaremos a saber desta mulher?

Era tão linda a donzela, / Que eu ficaria ao pé dela / A minha vida…, a sonhar!

e ainda

Rezava que quem a visse, / Pode ser que a confundisse / Com algum anjo do céu.

 

Descrita de forma impalpável, a mulher sonhada pelo poeta mostra-se um ser etéreo, em quem não são perceptíveis qualidades que não corar ao dizer Algumas falas de amor:

Já de mansinho dizia / Algumas falas de amor.

…

Dizia-as sempre corando, / Repetia-as soluçando /D’olhos pregados no chão;

…

E depois envergonhada, / De não ser mais recatada, / Corava ainda outra vez!

 

 

Transtornado por este quadro diz-nos o nosso poeta o que fez:

 Beijei-lhe a mão com respeito; / Arfava-lhe o lindo peito, / Batia-lhe o coração.

 

 

Aqui chegados, fica por perceber com quem sonhou o poeta.

Talvez a leitura integral do poema ajude, e ele aí fica.

Sonhei-a!

 

Sonhei-a! Tenho na mente

O seu retrato inocente

A falar-me ao coração.

Sonhei-a como uma fada,

Que tem vivido encantada

Sozinha na solidão.

 

Sonhei-a d’olhos pisados,

Porque os prantos magoados

Lh’os tinham pisado assim:

Era triste, mas serena,

Como a gentil açucena,

Rainha do meu jardim.

 

Sonhei-a triste: – a tristeza

Tem nos olhos da beleza

Encantos qu’eu não direi.

Sonhei-a linda – trigueira,

Como se pinta a ceifeira,

Como eu pintá-la não sei.

 

Sonhei-a no fim do dia,

Quando tudo é melodia,

Quando tudo fala em Deus.

Vi-a sozinha pensando,

Talvez com prantos regando

Alguns pobres versos meus.

 

Sonhei-a como eu pequeno,

Naquele sonhar ameno,

Sonhava tudo o que é bom.

Cuidei vê-la que me olhava,

Tão triste que não falava

Nem da voz lhe ouvia o som.

 

Sonhei-a vindo da guerra,

A falar da minha terra

Como fala o trovador;

Mas então já se sorria,

Já de mansinho dizia

Algumas falas de amor.

 

Dizia-as como quem sente,

Não altas, mas como a gente

As diz em coisas assim:

Dizia-as como as diria

Beatriz quando as sentia

Falando de Bernardim.

 

Dizia-as sempre corando,

Repetia-as soluçando

D’olhos pregados no chão;

Dizia-as como eu jurara,

Que ninguém ainda amara

No mundo com tal paixão.

 

E depois envergonhada,

De não ser mais recatada,

Corava ainda outra vez!

Corava… corava ainda

Cada vez era mais linda,

Mais linda, que Deus a fez!

 

Qu’ria falar não podia,

Que a vergonha lh’impedia

De poder usar a voz.

Era então que se lembrava

De que o mundo a censurava

De nos ver falar a sós.

 

Sonhei-a depois rezando,

Talvez em segredo orando

Pela terra em que nasceu;

Rezava que quem a visse,

Pode ser que a confundisse

Com algum anjo do céu.

 

Tinha as tranças desprendidas,

Levemente sacudidas

Por ligeira viração.

Dos labios lhe baloiçava

Uma oração que rezava

Do fundo do coração.

 

Vista assim, em tal postura,

Crescia-lhe a formusura,

Se ela pudesse crescer.

Não podia, nem num canto

Se pode tamanho encanto

Com verdade descrever.

 

Sonhei em sonho fagueiro

Que era um amor verdadeiro

Aquele tão casto amor;

Costumado à desventura,

Só em sonhos a ventura

Visitou o trovador!

 

Falei-lhe tão meigas falas,

Que nunca as damas das salas

M’as podem ouvir assim:

Ela era linda, inocente,

Falei-lhe como quem sente,

Falei-lhe pouco de mim.

 

Beijei-lhe a mão com respeito;

Arfava-lhe o lindo peito,

Batia-lhe o coração.

Jurei-lhe… não digo a jura;

Tenho medo que a ventura

Me não deixe a discrição!

 

Sonhei-a então pensativa,

Como fica a sensitiva

Se lhe vão no pé tocar:

Era tão linda a donzela,

Que eu ficaria ao pé dela

A minha vida…, a sonhar!

 

Era triste como eu gosto;

Era linda como aposto

Que não havia outra igual;

Sendo tantas como as rosas,

As filhas belas, mimosas,

Das terras de Portugal!

 

Sonhei-a: se foi mentira

Cantei-a de mais na lira,

Morri por ela de mais.

Se o sonho foi verdadeiro,

Nem o canto é lisonjeiro,

Nem as trovas desleais.

 

Sonhei-a! Tenho na mente

O seu retrato inocente

A falar-me ao coração!

Sonhei-a como uma fada,

Que tem vivido encantada

Sozinha – na solidão!

Esta mulher sonhada, foi-o na pena de Luis Augusto Palmeirim (1825-1893).

Embora cronologica e estilisticamente poeta da segunda geração romântica, Luis Augusto Palmeirim não integrou nem o grupo de O Trovador, nem o grupo de O Bardo, ou sequer o grupo de O Novo Trovador. A poesia Sonhei-a! foi publicada em Poesias, pela primeira vez em 1851 com um retrato do poeta que reproduzo a seguir.

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Uma gaivota – dizes. 3 poemas de Eugénio de Andrade

15 Quarta-feira Jun 2011

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

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Eugénio de Andrade

ARIMA

Uma gaivota – dizes.

Sim, uma gaivota

passa distante e arde.

O teu rosto é azul,

e contudo está cheio

do oiro da tarde.

 

Uma gaivota.

Alma do mar e tua,

abandona-se à luz.

 

E na boca nem eu sei

se me nasce o coração

ou é a lua.

QUE VOZ LUNAR

Que voz lunar insinua

o que não pode ter voz?

 

Que rosto entorna na noite

todo o azul da manhã?

 

Que beijo de oiro procura

uns lábios de brisa e água?

 

Que branca mão devagar

quebra os ramos do silêncio?

QUE DIREMOS AINDA?

Vê como de súbito o céu se fecha

sobre dunas e barcos,

e cada um de nós se volta e fixa

os olhos um no outro,

e como deles devagar escorre

a última luz sobre as areias.

 

Que diremos ainda? Serão palavras,

isto que aflora aos lábios?

Palavras, este rumor tão leve

que ouvimos o dia desprender-se?

Palavras, ou luz ainda?

 Palavras, não. Quem as sabia?

Foi apenas lembrança doutra luz.

Nem luz seria, apenas outro olhar.

Os poemas, de Eugénio de Andrade, foram publicados no livro Mar de Setembro editado pela primeira vez em 1961.

Nota sobre as fotografias: É deliberada a desfocagem observada nas fotos – Nem luz seria, apenas outro olhar.

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Luis Augusto Palmeirim — uma Arte Poética do Romantismo

09 Quinta-feira Jun 2011

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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Luis Augusto Palmeirim

Este Portugal, mantido e conservado pelas classes omnipotentes, não é um cadáver ilustre, é apenas um moribundo, aterrado pela ideia da morte, mas sem coragem para se abraçar com a vida…

Isto escrevia Lopes de Mendonça há 160 anos, em 1851, na apresentação das Poesias de Luis Augusto Palmeirim (1825-1893), e continuava:

… três séculos de monarquia absoluta esgotaram-lhe a glória: dezassete anos de realeza representativa desbotartam-lhe a fé: estas revoluções parciais, sem elevados intuitos, nem ideias definidas, definharam-lhe a esperança, e entregaram o seu destino à mais horrivel das fatalidades – aos acasos tremendos da insurreição popular, cega nas suas cóleras, implacável nos seus desejos, atroz, quase sempre, nas explosões omnipotentes da sua vontade.

Quem levou o problema politico até estes fatais extremos? Quem é que podendo encaminhar a sociedade, pausada e progressivamente, a coloca no fim de tantos anos perto das calamidades duma dissolução iminente?

Não somos nós, decerto, os homens da geração nova, que protestamos todos os dias contra as torpezas e desvaríos dessa raça espoliadora e inepta, que ou no poder ou na oposição, apenas se agita no prurido de vaidades turbulentas, e de interesses perversos, que havemos de carregar com essa responsabilidade.

…

Todos sois cúmplices; progressistas medrosos, conservadores corruptos, absolutistas cépticos, devoristas insaciáveis.

O que fizestes durante dezassete anos?

O silêncio da ignomínia é a vossa sentença final.

Foi longa a citação mas a actualidade dos juizos justifica-a. E tudo isto escrevia o nosso penetrante e respeitado critico para a seguir referir:

E todavia, meu caro poeta, se há alguma coisa que possa sobreviver no meio desse cataclismo, que eu prevejo, e que não olho sem terror, é a arte, é a poesia, são esses cantos, que a tua musa (perdoa a trivialidade da expressão) fiou descuidosa e tranquila, ao canto da lareira, nas noites de inverno, e que o nosso povo repete desde os pântanos do Ribatejo até às formosas várzeas de Trás-os-Montes.

Enganou-se o escritor pois hoje Luis Augusto Palmeirim é apenas um nome referido en passant em histórias de literatura, e nem sequer frequente em nomes de rua, como a outros acontece.

Reivindicando-se poeta da Liberdade, Luis Augusto Palmeirim, militar formado no Colégio Militar, foi actor activo das lutas da Maria da Fonte:

Sou um poeta soldado, / Não sei à missão mentir;/ Neste canto magoado,/ Disse tudo sem fingir./ Poeta da liberdade./ Fiz dessa nova deidade/ A dama do meu pensar

Dificilmente conseguimos imaginar hoje a popularidade de que gozou à época a poesia de Palmeirim recitada e declamada em privado e em público.

 A tranquilidade da vida e o progresso material conhecidos na sociedade portuguesa com a Regeneração, acontecida pouco depois da publicação da primeira edição destas poesias, recolocaram socialmente os tipos populares nela saudados, vindo a empurrar para o esquecimento estes poemas de exaltação do heroísmo ditados pela guerra civil e suas peculiaridades.

Poesia maioritariamente escrita nas formas populares de sextilhas e décimas, em versos de cinco (redondilha menor) e sete sílabas (redondilha maior), o ritmo da métrica e a sonoridade da rima proporcionam uma leitura fluida e encantatória, onde a singeleza de ideias e assunto garantem uma aprazivel leitura.

Dir-se-á que hoje se pede mais à poesia. Talvez. Mas o prazer de leitura que esta proporciona permanece à nossa espera.

Poesia

 Vou cantar, foi minha sina

Cantando levar a dor:

Hei-de cumpri-la. É divina

A missão do trovador.

Quiz-me Deus por seu profeta,

Fadou-me, fez-me poeta,

Deu-me este mago condão;

Não hei-de mentir à lira,

Nem envolver na mentira

As vozes do coração.

 

Não hei-de; que a poesia

Dentro d’alma me nasceu,

Tão casta como a sentia

O namorado Dirceu.

Tão pura como desliza

Das palavras d’Heloísa

A descrever Abeilard;

Tão robusta, tão provada,

Como contam da espada

Do Camões – a guerrear!

 

Brotou-me puro e singelo

O meu singelo trovar,

Como nasce o lirio belo

Sem cultura à beira-mar.

Nunca teve outro cimento,

Que não fosse o sentimento

D’este mundo desleal;

Nunca teve outra alegria,

Senão em sonhar um dia

Venturas a Portugal.

 

Cantei em trovas sentidas,

Como cantou Bernardim,

Todas as juras mentidas

Que me fizeram a mim!

Fui poeta dos amores;

Como os demais trovadores

Uns lindos olhos cantei;

Como a Tasso desprezado,

Ainda não sei, coitado!

Como à vida me voltei!

 

Mas voltei; tinha saudades

Da minha terra infeliz,

Esqueceram-me as maldades

D’esta nova Beatriz.

Tinha prisões mais doiradas:

Eram as crenças herdadas

Da minha terra natal;

Eram os contos viçosos,

Noutros tempos mais ditosos,

Contados de Portugal.

 

Era tudo o que no peito

Sente quem tem coração;

Era temporal desfeito

De saudades e de paixão;

Ao amor faziam guerra,

As lembranças desta terra

Em que vi, gozei a luz;

Em que, pela vez primeira,

Tive crença verdadeira

Na santa lei de Jesus.

 

Nascera-me dentro d’alma

Um mais forte e puro amor.

Que a todos levava a palma,

Que tinha maior valor.

Eram cantos decorados,

Dos altos feitos marcados

Com o cunho português;

Eram as quinas erguidas,

Nas arestas denegridas

De Ceilão, Ormuz e Fez!

 

De novo voltei à vida,

Saudei o luso pendão,

Numa lágrima nascida

Do fundo do coração!

Chorei o tempo perdido

Nesse amor estremecido,

Que me fora tão cruel;

Chorei antigos delitos,

Como outrora esses proscritos

Sobre a terra d’Israel!

 

Chorei o ter-me esquecido

De tudo o que Deus mandou

Que fosse no mundo tido

Como Ele o ensinou!

Chorei sobre a liberdade,

Que nos braços da beldade

Por pouco que não morreu;

Chorei tudo, chorei tanto,

Que pude com o meu pranto

Lavar o delito meu.

 

Desde então a minha terra

Foi só tudo para mim;

As crenças que o peito encerra,

Depôr-lhas aos pés eu vim.

Nunca mais a minha lira

Se adornou de vã mentira

Dum falso mentido amor;

Ergui-me de pé – altivo,

Depuz ferros de cativo

Por honra do trovador.

 

Sou um poeta soldado,

Não sei à missão mentir;

Neste canto magoado,

Disse tudo sem fingir.

Poeta da liberdade.

Fiz dessa nova deidade

A dama do meu pensar:

Prostrei-me aos pés da donzela,

Hei-de com ela, e por ela,

A minha terra cantar.

 

Hei-de, sim, que as rudes falas

De soldado as puz aqui;

Mentiras que são das salas,

Nunca eu as traduzi.

Não as sei – nem que soubera,

Nestes versos as pusera,

Que todos verdades são;

Nem tem lugar a mentira,

Traduzindo aqui na lira

As vozes do coração!

Para a biografia do poeta remeto o leitor para o competente e informado artigo PALMEIRIM, LUÍS AUGUSTO (XAVIER) de F. Freitas Morna publicado no DICIONÁRIO DO ROMANTISMO LITERÁRIO PORTUGUÊS  editado pela Caminho em 1997.

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