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vicio da poesia

Monthly Archives: Abril 2011

Herois e fantasias medievais de regresso com um poema-versão de Alexandre Herculano (1810 – 1877)

30 Sábado Abr 2011

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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Alexandre Herculano

O universo medieval, nos seus valores, onde se movem herois maiores que a vida cruzando o sobrenatural, continua popular. É ver o exito actual nos EUA da série Game of Thrones, depois do sucesso planetário, e também em Portugal, da saga literária Song of Ice and Fire de George R.R. Martin que lhe deu origem.

Para quem, como eu, segue as aventuras do Robin dos Bosques de Errol Flynn com um entusiasmo infantil, se embeveceu na adolescência com as aventuras escritas por Sir Walter Scott, e hoje vibra com a paixão e loucura de Lucia di Lammermoor na opera do mesmo nome, encontrar a poesia romântica do primeiro século XIX de atmosfera medieva, onde damas e cavaleiros vivem paixão, ciúme e morte, assombrados por fantasmas de amantes preteridos, é como a descoberta de um novo escritor policial, um prazer inesperado.

Levado por esse prazer, transcrevo hoje a versão livre que Alexandre Herculano (1810 – 1877) fez sobre um poema de M. G. Lewis, Afonso e Isolina, respeitando a sequência do argumento.

 Afonso e Isolina

Balada livremente traduzida do inglês de Lewis pelo Sr. Alexandre Herculano de Carvalho

1

De Isolina a mui formosa

Já se parte o seu guerreiro

–  A Palestina me chama,

Adeus que sou Cavaleiro.

 

2

Sinto senhora, os teus choros,

E nessas lágrimas creio:

Mas hei medo a novo amante,

De inconstâncias me arreceio.

 

3

– Afonso não te arreceies

Não tens que te arrecear:

Juro amar-te vivo ou morto,

Mais ninguém me há-de gozar.

 

4

Tua sombra me apareça

Se eu quebrar o juramento,

Comigo se ponha à mesa

No dia do casamento.

 

5

Ali declare em voz alta

Que o seu direito requer:

Para o sepulcro me arraste,

Gritando – és minha mulher… –

 

6

Largos anos são passados,

Quando extremado infanção

De Isolina a mui formosa

Se afoita a pedir a mão.

 

7

Graças e amores são prendas,

Nele Isolina as vê todas:

Finezas quebraram juras:

Grande turba acode às bodas.

 

8

Rompem com o banquete aplausos,

Aplausos à noiva bela,

Quando entra desconhecido

Que vem sentar-se ao pé dela.

 

9

Seu ar de agoiro, armas negras,

Altura descomunal,

Intimam geral respeito

Infundem terror geral.

 

10

Ninguém conhecê-lo pode

Que o elmo bem o encobria;

Voltado contra Isolina,

Imovel, nada dizia.

 

11

Isolina, a mui formosa,

Convulsa esta fala fez:

– Erguei, Senhor, a viseira,

Deixai a triste mudez.

 

12

Em dia de regozijos

Que vindes vós agoirar?

Cavaleiro que assim usa

Não sabe as armas honrar. –

 

13

Fez-lhe o incógnito a vontade.

Toda a sala absorta pasma!

Que levantada a viseira,

Se viu medonho fantasma.

 

14

Pálido, em pé, e crescendo,

Diz à trémula Isolina: –

Lembrada estarásd de Afonso

Que morreu na Palestina.

 

15

Fugir de novos amores

Outrora lhe prometias,

Juravas que, vivo ou morto,

Leall te conservarias.

 

16

Tu me convidaste à boda,

O teu convite aceitei:

Palavras que me hás ditado

Palavras são que eu direi

 

17

Meu fantasma aqui declara

Que o seu direito requer:

Para a cova me acompanha,

Vem, vem, que és minha mulher… –

 

18

Com a torpe mão arrasta

A infiel que em vão bradava:

Nenhum deles já se via,

Seu clamor inda soava.

 

19

Em prantos de noite e dia

Breve o Infanção se finou:

Lá no Castelo desero

Ninguém depois habitou.

 

20

Salvo que nas longas noites

Noiva em pranto ali se via.

E trás ela hediondo espectro

Que nas garras a prendia.

Noticia bibliográfica

Este poema não foi recolhido nas Poesias de Alexandre Herculano pela primeira vez publicadas em 1850, e onde o autor reuniu a sua produção poética.

 O poema foi publicado em 1836 pela Tipografia Lisbonense inserido no livro.

“A Noite do Castelo e os Ciúmes do Bardo, Poemas seguidos da Confissão de Amélia traduzida de Mlle Delfine Gay”.

As obras do livro são da autoria de António Feliciano de Castilho, e é o próprio quem, em extensa nota, explica a coincidência de o seu poema A Noite do Castelo versar o mesmo assunto do poema de Lewis, e qual a forma como tal veio ao seu conhecimento através de Alexandre Herculano. Daí a inclusão desta versão de Alonzo e Imogene, em português Afonso e Isolina, no livro.

O poema original Alonzo e Imogene foi inserido no romance The Monk, de Matthew Gregory Lewis, publicado em 1796, e encontra-se no seu capitulo 9. O poema surge na história apenas para impressionar os protagonistas, não a integrando no seu desenvolvimento ficcional.

The Monk  é um romance gótico-fantástico contemporâneo dos romances de Ann Radcliff, e faz parte de um género ficcional popular à época, e a seguir desenvolvido por Mary Shelley em romances ainda hoje famosos como Frankenstein.

Os romances de Ann Radcliff penso estarem hoje esquecidos ainda que na minha adolescência se encontrassem traduzidos nas edições Romano Torres, lado a lado com Walter Scott e outros.

Para o leitor curioso, e que domina a língua inglesa, aqui fica o que suponho ser a versão original do poema. A ressalva deve-se apenas a que não tive acesso à 1ªedição do livro e como tal, não garanto que tenha sido esta a versão que Alexandre Herculano conheceu quando do seu exílio em Inglaterra integrando o grupo de refugiados liberais.

A Warrior so bold, and a Virgin so bright
Conversed, as They sat on the green:
They gazed on each other with tender delight;
Alonzo the Brave was the name of the Knight,
The Maid’s was the Fair Imogine.

`And Oh!’ said the Youth, `since to-morrow I go
To fight in a far distant land,
Your tears for my absence soon leaving to flow,
Some Other will court you, and you will bestow
On a wealthier Suitor your hand.’

`Oh! hush these suspicions,’ Fair Imogine said,
`Offensive to Love and to me!
For if ye be living, or if ye be dead,
I swear by the Virgin, that none in your stead
Shall Husband of Imogine be.

`If e’er I by lust or by wealth led aside
Forget my Alonzo the Brave,
God grant, that to punish my falsehood and pride
Your Ghost at the Marriage may sit by my side,
May tax me with perjury, claim me as Bride,
And bear me away to the Grave!’

To Palestine hastened the Hero so bold;
His Love, She lamented him sore:
But scarce had a twelve-month elapsed, when behold,
A Baron all covered with jewels and gold
Arrived at Fair Imogine’s door.

His treasure, his presents, his spacious domain
Soon made her untrue to her vows:
He dazzled her eyes; He bewildered her brain;
He caught her affections so light and so vain,
And carried her home as his Spouse.

And now had the Marriage been blest by the Priest;
The revelry now was begun:
The Tables, they groaned with the weight of the Feast;
Nor yet had the laughter and merriment ceased,
When the Bell of the Castle told, — `One!’

Then first with amazement Fair Imogine found
That a Stranger was placed by her side:
His air was terrific; He uttered no sound;
He spoke not, He moved not, He looked not around,
But earnestly gazed on the Bride.

His vizor was closed, and gigantic his height;
His armour was sable to view:
All pleasure and laughter were hushed at his sight;
The Dogs as They eyed him drew back in affright,
The Lights in the chamber burned blue!

His presence all bosoms appeared to dismay;
The Guests sat in silence and fear.
At length spoke the Bride, while She trembled; `I pray,
Sir Knight, that your Helmet aside you would lay,
And deign to partake of our chear.’

The Lady is silent: The Stranger complies.
His vizor lie slowly unclosed:
Oh! God! what a sight met Fair Imogine’s eyes!
What words can express her dismay and surprize,
When a Skeleton’s head was exposed.

All present then uttered a terrified shout;
All turned with disgust from the scene.
The worms, They crept in, and the worms, They crept out,
And sported his eyes and his temples about,
While the Spectre addressed Imogine.

`Behold me, Thou false one! Behold me!’ He cried;
`Remember Alonzo the Brave!
God grants, that to punish thy falsehood and pride
My Ghost at thy marriage should sit by thy side,
Should tax thee with perjury, claim thee as Bride
And bear thee away to the Grave!’

Thus saying, his arms round the Lady He wound,
While loudly She shrieked in dismay;
Then sank with his prey through the wide-yawning ground:
Nor ever again was Fair Imogine found,
Or the Spectre who bore her away.

Not long lived the Baron; and none since that time
To inhabit the Castle presume:
For Chronicles tell, that by order sublime
There Imogine suffers the pain of her crime,
And mourns her deplorable doom.

At midnight four times in each year does her Spright
When Mortals in slumber are bound,
Arrayed in her bridal apparel of white,
Appear in the Hall with the Skeleton-Knight,
And shriek, as He whirls her around.

While They drink out of skulls newly torn from the grave,
Dancing round them the Spectres are seen:
Their liquor is blood, and this horrible Stave
They howl. — `To the health of Alonzo the Brave,
And his Consort, the False Imogine!’

 

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A Nova Poesia Portuguesa em 1854

19 Terça-feira Abr 2011

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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A nova poesia portuguesa, Faustino Xavier de Novaes, Novaes

Tal como a nossa, todas as épocas têm uma Nova Poesia Portuguesa.

Atenho-me hoje à Nova Poesia Portuguesa em 1854 pela mão de Camilo Castelo Branco (1825-1890).

Publicou o nosso autor em Maio de 1854 uma folha impressa com 8 páginas, O Bico de Gaz. Foi publicação de número único e hoje é das mais raras peças da bibliografia camiliana, juntamente com  A Infanta Capelista. No final do século XIX conheciam-se apenas 4 exemplares de O Bico de Gaz.

Em O Bico de Gaz, ironia, sarcasmo e sátira têm roda livre. O jornal foi inteiramente escrito por Camilo e um dos artigos respeita a A Vespa do Parnaso!, publicação de versos satíricos da autoria de Faustino Xavier de Novaes (1820-1869), surgida na altura, no Porto, e assinada POR UM MORDOMO DAS ALMAS DE CAMPANHÃ que vem de colarinhos tesos meter a fala ao bucho ao seu juiz, autor das FOLHAS CAIDAS.

A Vespa do Parnaso! pretendia deliberadamente evocar o livro de poesia de Camilo publicado já no inicio desse ano de 1854,  FOLHAS CAÍDAS, APANHADAS NA LAMA, assinadas por O AMIGO JUIZ DAS ALMAS DE CAMPANHÃ. O livro de Camilo é uma feroz sátira aos costumes do tempo e às personalidades enfatuadas do seu dinheiro e ignorância, surgidos com a mudança da situação politica. Deixo como exemplo estas quadras do poema AOS BARÕES:

...

Vossa avó de pé descalço,/ traz canastra com toucinho/ pão de broa corpulenta, borracha de verde pinho.

Inda ontem eu vi isto!…/ e vocês sus patuscões, / devem espantar-se comigo/ de serem hoje barões!

…

Burros ficam sempre burros,/ embora tragam selim, / cravado de diamantes / e estofado de cetim.

O brilhar dessas comendas/ não vos muda a condição:/ o instinto vos arrasta/ para o côvado e balcão.

É vasta e fascinante a produção de Camilo fora do romace e novela, nestes primeiros anos da década de 50, e a sátira aos costumes do tempo ocupa aí um lugar privilegiado.

O propósito do artigo em O Bico de Gaz foi saudar na publicação de A Vespa do Parnaso!, a nova poesia portuguesa em 1854, ou pelo menos o poder demolidor da sátira nessa nova poesia, da qual Novaes era um dos expoentes, além de editor de O Bardo desde 1852.

Acompanha a apresentação um poema extraído de A Vespa do Parnaso!, O BARÃO E O DOUTOR, onde se relata uma conversa entre um médico e um barão de recente fornada. Escrito em forma corrida, o diálogo mosta a ignorância da lingua e a vacuidade de conversação social com laivos de pretensão a conversa culta, onde o dislate impera. O barão é dado às letras e gosta de se istruir.

Deixo agora o leitor com a apresentação de A Vespa do Parnaso!  feita por Camilo em O Bico de Gaz, o qual, de caminho, refere, em resumo, a sua opinião sobre a poesia dos tempos antigos.

Como é de(ver), nada presta antes do que nós fizémos. As vaidades juvenis, e Camilo tinha à data 29 anos feitos a 16 de Março,  falam sempre da mesma maneira qualquer que seja a época.

Vamos ao texto:

A imprensa do Porto custa-lhe a conceber, mas, quando concebe, vem sempre à luz do mundo literário com um parto robusto, esperançoso, e digno dos pais.

A vespa do Parnaso, recém-nascida, ocupa o espirito público, e inaugura uma nova época nos fastos da poesia.

No principio, quando os patriarcas do género humano fizeram versos, beberam as inspirações na magestade da natureza, no pasmo dos corpos luminosos, que rolam no espaço, e no terror da mão omnipotente de Jeová.

Depois a Grécia inventou os deuses. A poesia alteava-se a regiões do mito, embelezava a mentira pagã dos grandes modelos, e arranjava com Marte, Cupido, Neptuno, e Platão um pastel de onzenices parvas, cujos restos nossos pais amargaram no sonetos insofriveis da escola arcadiana.

Veio a escola romantica. Os arcanjos e as estrelas, os silfos e os arrebóis, as brisas e os crepuscúlos, o murmurio das fontes e o ciciar da ramagem, o hino da floresta e a nuvem de cetim, e muitas outras coisas bonitas proscreveram as fórmulas eruditas e compactas da mitologia de insonsa memória.

Era esta a poesia dominante, quando a Vespa do Parnaso, sob o modesto título, que só por si espreme um epigrama nas bochechas dos antiquários, apareceu radiosa como todas as ideias novas.

A índole desta ligeira colecção de poemas extrema-se de todas as escolas para fundar uma, peculiarmente sua.

Quem lhe arrebata os voos, e lhe faísca o lume do entusiasmo sonoroso são os marotos de todo o género, os estupidos de todas as formas, os imbecis de todos os quilates, e os pedantes de toda a força de bestialidade conhecida.

Já vêem que o género é inteiramente novo.

A poesia, assim concebida, torna-se d’um proveito real para a sociedade. O sumo do ridículo, espremido nas faces que a vergonha encontra de porcelana, há-de coar-lhe na alma de cântaro, áquele que, apesar das grandes orelhas, tem de enterrar a carapuça até ao pescoço.

Convidamos a geração nova a impregnar-se, se assim posso exprimir-me, do sabor picante da Vespa do Parnaso.

Ao acaso transcrevemos, com permissão do seu autor, uma poesia que nos deu momentos de conscienciosa gargalhada, sendo certo que não é nosso costume rir de bagatelas:

O BARÃO E O DOUTOR.

       B. – Senhor Doutor, dá licença? –

       D. – Não sei quem é que está aí! – 

       B. – Seu criado – eu vou entrando…

       D. – Oh! Vossência por aqui!


        A Senhora Baronesa

       Como passa? – Tem saúde?…

       Quis ir ontem visitá-la…

       Tive que fazer, não pude.


        B. – Eu le digo… vai andando;

       Mas sempre com suas teimas,

       Não quer tomar o remédio

       Que le deu pras almorreimas! 


        Tem-se queixado do Omnibus, 

       Anda muito incomodada;

      Mas tem lá seus carrapichos,   

       E então, não quer tomar nada.


        D. – Pois, Senhor, queira Vossência 

       Ver se pode resolvê-la

       A entregar-se à Medicina,

       Que eu amanhã irei vê-la.


        Vá-lhe dando alguns passeios,

       Roubando-a à meditação;

       Que é sempre, nessas moléstias,

       Proveitosa a distração.


       B. – Ai… bô… bô!… alguns passeios!…

       Ela em casa nunca está;

       Não há por i uma festa 

       Onde eu com ela não vá!


        Já foi à Foz ver o hydroppico,

       E onte fomos ó triato; 

       E por sinal, que chegamos

       No fim do purmeiro acto. 


       A propósto, meu amigo, 

       Que me diz à Companhia?

       Aquela Lucrécia Borges   

       Foi bem… apois  não iria?


        Olhe qu’aquele… o… Finório, 

       Qu’é cunhado da Jordana,

       Canta bem… é bô maritmo, 

       E nunca… nunca se engana!


       E o outro tenor baixito,

       Chamo-le o basso profundo,

       Tamém é bô  … e bem mostra

       Que tem pratega do mundo. 


       E a Jordana! Isso é que canta

       Com’eu inda não ouvi!

       Não sei por que esses janotas

       Dão mais palmas à Ponti!


        D. – A Ponti é como artista

       Cousa muito sup’rior,

       B. – O quê?… melhor qu’a Jordana?…

       Nada… nada… não senhor!


        A Ponti, não gosto dela;

       – Não digo qu’é mau contralto; 

       Mas é muito presumida…

       A outra canta mais alto.


        Não faz uns tais gargarejos; 

       Mas quem sabe o que ela foi?…

       Tem um cantar grosso e forte,

       Qu’as vezes parece um boi!


        Quando, há dias, dava palmas

       À Ponti, certo magote,

       Enfim – pequenas misérias – 

       Disse eu lá do cambarote.  


        É gente que não entende,

       Gosta duma bacatela; 

       A Ponti se é boa dama,

       Eu não engraço com ela!


        Diga-me – que livro é esse,

       Que lia quando eu cheguei?

       D. – Era o Hahnemann. – B. – Conheço,

       Grande poeta… bem sei!


        O Senhor Doutor se lesse

       A Fremosa Mangalona,

       Havia de gostar muito;

       Olhe que é muito ratona!


        E quando quiser bons livros

       Faça favor d’ir por lá:

       Também tenho o Calros Mano…  

       Eu l’os  mandarei pra cá.

 

      D. – São bons livros – eu conheço-o;

       Fico obrigado a Vossência;

       Mas o tempo que me resta

       Emprego-o só na ciência.


        B. – Na ciência?… e é bô livro?

       E quantos balumes tem?… 

       Ah!… já sei… eu ‘stava tolo…

       São quatro… tenho-os tamém!


        Olhe que eu sou dado às letras,

       E gosto de me istruir: 

       Pois de falar?… quando falo

       Todos gostam de m’ouvir.


        Mas passemos a oitra coisa:

       Estes retratos quem são?

       Vamos cá dar volta à sala,

       E faça-me a explicação.


        Daquele estão-me a dar ares;

       Não será um meu besinho?

       D. – É Lamennais. – B. É o mesmo,

      Já lhe merquei muito binho.


        Ora diga-me – e aquele

       Que tem anéis no cabelo?

       Aquele home  é estrangeiro,

       Que eu não me lembro de vê-lo.


       D. – De certo não, que é antigo,

       Já não é dos tempos seus;

       Nem é possível, Vossência

       Ter visto o Rei dos Judeus.


        B. – O Rei dos Judeus! – É este? – 

      Oh que soberbo tratante!

       Não sei como quer em casa

       Um retrato semelhante!…

       Eu cá sou escrupuloso

       Nisto de religião:

      O Rei dos Judeus! – Arruda! 

       E na casa dum cristão!…


        Este sim… não é o Bispo?…

       O D. Jiromeno? … é… 

       Morreu… coitado… era um home 

      Em que eu tinha muita fé.


        E por via das exéquias…

       Por se meter a pregar,

       É que se foi… que era rijo,

       Inda podia durar.


       D. – Eu não sei que lhe viesse

       Daí, moléstia de morte!

       Com o estudo… a vigília…

       Podia bem, que era forte!


        B. – Mas olhe cá, meu amigo,

      Aqui pra nós: – qu’ é vigília?…

       D. – Falta de sono. – B. – Isso, isso…

       Tudo por causa da Emília… 


        Um home que tem idade

       E quer fazer de rapaz,

      Metido nesses excessos,

       Não sabe a asneira que faz!


        Enfim, Doutor, vou-me à praça,

       Que deve agora estar cheia:

       – Até à noite, qu’ habemos 

      De bêr-nos   na Sumboleia.  

Supus desnecessário um glossário para os dislates do barão. Para os não iniciados registo apenas que Lucrécia Borga se refere à opera de Donizetti Lucrécia Borgia.

Noticia bibliográfica:

A Vespa do Parnaso! É um raro folheto com 53 páginas. Os poemas de Faustino Xavier de Novaes foram posteriormente incluidos nas suas Poesias. O frontespicio de A Vespa do Parnaso! acompanha este artigo.

O conteúdo de O Bico de Gaz, a menos do poema de Novaes, pode encontrar-se no volume II dos Dispersos de Camilo publicados por Júlio Dias da Costa em 1925 na Imprensa da Universidade de Coimbra.

 O DICIONÁRIO DE CAMILO CASTELO BRANCO de Alexandre Cabral, publicado, em 2ªedição revista e aumentada em 2003, pela Editorial Caminho é, com pequenissimas excepções, fonte de confiança sobre Camilo, os homens e as obras do seu tempo.

Nota à margem

É possivel que Camilo, com a cultura e o sarcasmo que lhe são conhecidos, quisesse significar o ânus com a expressão O Bico de Gaz, pois é a forma como o orgão é conhecido por terras do Ceará, no Brasil, de onde vinham enriquecidos alguns “Brasileiros” fustigados, por esses anos, na sua prosa e poesia.

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Um Peido Alfabético em verso, datado de 1710 – Autor Anónimo

13 Quarta-feira Abr 2011

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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Poesia Anónima, Poesia do Século XVIII, Poesia escatológica

Com uma enorme vénia ao editor pelo imenso prazer proporcionado com a leitura de tanta ignorada poesia portuguesa dos séculos XVII e XVIII, que o seu trabalho tem revelado, transcrevo este folguedo escatológico, como lhe chamou.

UM PEIDO ALFABÉTICO em verso, datado de 1710

Transmitido por três testemunhos manuscritos e anónimo em todos eles, … a  paródia  começa  por  se  revelar  ao  nível  dos  elementos paratextuais,  a  começar  pelo  cólofon:

«Com  licença  da  Câmara,  à  custa  da Limpeza»;

«Impresso em certa parte, na Oficina Secreta».

Também o desenho e o acróstico sublinham de imediato esta vertente subversiva do poema, apoiada num humor  por  vezes  bastante  feliz:

«É  Entendido porque  tudo  o  que  se  lhe  ouve  é muito fundo e ninguém lhe sabe responder com palavras».

Mas  a  parte  mais  interessante  da  obra  é,  sem  dúvida,  o  ABC,  que  adopta  a forma da oitava-rima. Cada estrofe é uma acumulação de sinónimos metafóricos, justificados de forma muito sucinta.

Peido Alfabético definido e explicado por um Mestre de Meninos de Lisboa

Para todos os autores que escreveram sobre a regra do ABC

Com licença da Câmara, à custa da Limpeza

Parte 2.ª

No ano de MDCCX

Impresso em certa parte, na Oficina Secreta

Tem o Peido em cada uma das letras do seu nome a melhor prova das suas virtudes, e em cada uma das suas virtudes se prova toda a grandeza do seu nome.

É Prudente porque ninguém o ouve diante de pessoas de autoridade; recolhe a prosa e, quando muito, larga pela boca pequena  algum  suspiro  ou  bocejo,  que  mal  o  percebem  os ouvidos,  ainda  que  o  entendam  os  narizes.

É  Entendido porque tudo o que se lhe ouve é muito fundo e ninguém lhe sabe responder com palavras.

É Inteiro porque ninguém o viu partido e porque se não sabe desdizer tanto que chega a falar.

É Desinteressado porque sempre dá, e de tal sorte que se dá a si mesmo.

É Orgulhoso porque finge várias formas para não ser   conhecido,   e   para   o   seu   intento   sai   quase   sempre disfarçado; com tudo se parece, mas nada o iguala, e melhor o louva a seguinte quintilha acróstica:

Para todos é igual
Este que Peido se chama.
Juntamente é bem e mal;
Dele corre boa fama
Onde se sabe o que vale.

Para quem ler

Com licença das barbas dos Leitores,
Veremos no Alfabeto, pois nos toca,
Que cousa é Peido e todos seus Louvores,
Para com isto se tapar a boca
A alguns reverendíssimos autores,
Cuja arrogância a tanto nos provoca;
Porque as sinificações que dão à vida
No nosso Peido têm melhor saída.

Ao seu discurso muito pouco deve
Quem mostra no ABC que é erudito
E que estas letras são as de que escreve,
Sendo assunto comum e infinito.
Responder aos seus livros bem se atreve
Qualquer rapaz dos meus, e por escrito!
Mas porque logo aqui se lhe responda,
O Peido também tem letra redonda.

Se no Peido consiste a nossa vida,
E se a vida do Peido é dependente,
Faltou a vida em Peido definida,
Que o Peido à vida é mais conveniente.
A vida é Peido se não tem saída,
O Peido é vida quando sai contente,
E pelo Peido a vida é, num instante,
Por detrás Peido, e vida por diante.

Argumento da Obra

A B C D E F G H I L M N O P Q R S T V X Z

A
É o Peido natural de que tratamos,
Para prova de tudo que dizemos,
Árvore de que os traques são os ramos,
Átomo tal que só com um olho o vemos;
É Ave que sem tiro não caçamos,
Abismo em que de riso nos perdemos,
Água de trovoada, e é Aurora
Que por um olho mesmo ri e chora.

B
É Banquete de cousa já comida,
Posto que os pratos sejam mal cheirosos,
É Bainha em que sempre vai metida
A espada dos narizes mais mimosos;
É Barranco em que certa está a caída,
É Baile de instrumentos, mas ventosos,
Em que todo o rojão é de assobio;
É Barro, porém Barro de Bacio.

C
É Cárcere em que tudo são fedores,
Cítara que apertada desafina,
É Carreira em que atrás vão os maiores,
É Casa em que ninguém co’a porta atina,
E fogem dela os mesmos moradores;
É Cana que com o vento abaixo inclina,
É Censura entre gente bem criada
E é Carga em todo o ventre bem pesada.

D
É Desterro cruel dos circunstantes,
Depósito fiel de todo o flato,
Demarcação das nalgas mais distantes,
Delírio do besbelho mais sensato;
Desacordo de quem dormia dantes,
Desafio da voz de qualquer gato,
Quando de dentro saï com voz cheia
E apertada no cu fica co’ meia.

E
É Espelho de vidro embaciado,
É Espinho que as almorreimas pica,
Engodo para quem não tem cursado,
Empréstimo que em casa sempre fica,
Estio quando é seco ou vem molhado,
Estopa que arde e o fogo não publica;
É Estrela de rabo, ou é cometa,
Mas a sua influencia é mais secreta.

F
É Fábula que finge voz humana,
A quem já venerou a Antiguidade,
Folha que de papel rasgada engana,
Fio podre que quebra de humidade;
É Flor que pelo cheiro desengana,

Faísca a que qualquer ventosidade
Faz acender, e é Feno que arde logo;
É Fantasma sem ser, Fumo sem fogo.

G
É Galé quando dentro está forçado,
E se acaso se solta sai fugido;
É Guerra em que o nariz é o soldado,
Só do fumo da pólvora vencido;
Girândola de fogo tão calado
Que se acende depois de ter ardido;
É Grimpa de tão fácil movimento
Que aponta aqui e ali com todo o vento.

H
Hospedagem de pobres quando há frio,
Hospital, mas é só dos enjeitados;
É Hora de cagar dada em bacio,
Que tem quartos traseiros e atrasados,
Horror porque o lugar é mui sombrio;
É História de casos engraçados,
Porque faz rir e acaba com estouro,
Holocausto, pois saï como um touro.

I
É Íris que aparece em trovoada
Por sinal de bonança aos flatulentos,
Incêndio cuja chama já apagada
Ainda faz fugir aos mais nojentos,
Inverno em tempestade desatada,
Porque sempre debaixo são os ventos,
Jogo do cu e Ironia, se bem noto,
E Imagem verdadeira de um arroto.

L
Labirinto se há muitos circunstantes,
Porque ninguém acerta com a saída;
É Lua que também tem seus minguantes,
É Laço em que afogar-se pode a vida,
Luz cujo morrão fede aos mais distantes;
É recolhido às tripas grande Lida,
É Luto, pois talvez chora no cabo
E também porque [sempre] sai de rabo.

M
Manhã que quase sempre traz orvalho,
Miséria quando a fralda se salpica;
É Moinho de vento sem trabalho,
Maná que em tudo fede em má botica;
É Música que canta por atalho,
Mas dos papéis a letra não explica;
Na pressa com que saï é Momento,
E a toda a parte corre como vento.

N
É Nau que sai das costas com tromenta
E largando os traquetes faz viagem;
É Noute que fantasma representa,
É Névoa de que só faz mal a aragem,
É Nuvem negra, como se exp’rimenta,
Porque lança trovões, mas de passagem;
Neve, mas de sorvete ou limonada,
E porque é ar o Peido, o Peido é Nada.

O
Do Sol da Índia o Peido é Oriente,
E por isso não luz neste Orizonte;
Lá debaixo aos Antípodas é quente,
Porque nasce entre um e outro monte;
Órgão que vaza o vento de repente,
Sem que ninguém o tanja nem aponte;
É Outono no muito que semeia
E é Orvalho se o cu tem diarreia.

P
Primavera de mal cheirosas flores,
De várias tintas é fresca Pintura,
Porque borradas se lhe vêm as cores;
É Pomo que apodrece e podre dura,
Porta que abrem Senhoras e Senhores,
Roncando-lhe a couceira e fechadura;
Péla que o vento vaza, mas no cabo
É Pó que se levanta e Pó Diabo.

Q
Questão entre os narizes e os ouvidos,
Mas sempre o nariz prova a consequência;
É Queixa porque se ouvem os gemidos,
É Queda que evitar pode a prudência,
Mas mais perigo têm os mais sofridos,
Pois no Peido também há continência;
Se há peleja ou revolta na barriga,
É Quitação que as tripas desobriga.

R
É Rio, porém Rio de Cuama,
Que de um olho entre montes nasce e corre
E por suas cascatas tem mais fama,
Mas não pode saber-se adonde morre;
É Raio que nos altos mais se inflama,
É Relógio que cursa e mais discorre,
É Roda, mas de traques Roda viva,
É Rosa, mas é Rosa purgativa.

S
É Seta que voando fere e mata,
É Sono porque ronca fortemente,
É Sonho de cagar sem patarata,
É Sombra porque assombra a muita gente,
Silogismo sutil que se desata
E que se prova logo em continente;
É Sumário de crimes muito atrozes,
É Solfa porque faz todas as vozes.

T
É Teia que se rasga, cujo pano
Tem só para fundilhos serventia;
Teatro em que as figuras são engano,
Transformação que faz a fantesia;
É Trânsito perciso a todo o humano,
É Tragédia que tem a Poesia,
De verso solto menos elegante,
Porque Peido não acha consoante.

V
É Vestido que em todo o corpo ajusta
E de todo o nariz sai à medida,
Vapor do cu que com o fedor assusta,
Vidro que para copo se convida,
Vento cuja tormenta muito custa,
Voz em todas as línguas entendida;
E para desengano da verdade,
É o Peido das tripas Vaidade.

X
É Xara porque corre velozmente,
É Xadrez, jogo só [de] desenfado,
E lhe quadra este jogo propriamente
Porque o Peido de estômago danado
É Rei, a Bufa Dama, e juntamente
Os traques são Peões, e está ganhado
O jogo só com o Xaque aos circunstantes,
Pois sem esperar mate fogem antes.

Z

Zizânia de visitas em estrado,
Onde a dúvida faz desconfiança,
Pois negando que é seu quem o tem dado,
Na roda se enjeitou como criança;
É Zunido ao nariz que causa enfado,
Zombaria que não se estranha em França,
Zodíaco que os sinos toca em cheio,
E é Zona que o cu parte pelo meio.

Noticia Bibliográfica:

Consta o poema Peido Alfabético definido e explicado por um Mestre de Meninos de Lisboa da publicação FOLGUEDOS ESCATOLÓGICOS INÉDITOS DO SÉCULO XVIII — Versos de Entrudo em metáforas fedorentas, uma Peidorrada e três Peidologias, editado pelo Professor Francisco Topa, em Edição do Autor, em 1998, no Porto.

Nesta transcrição suprimi a noticia das variantes assinaladas pelo editor, e respeitando às 3 diferentes versões manuscritas de que o autor refere a existência.

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Os anos 50 e algumas canções menos ouvidas

11 Segunda-feira Abr 2011

Posted by viciodapoesia in Convite à música

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Os jovens agora nos setenta e mais anos tiveram na adolescência, como todas as gerações, aventuras, amaram, mas sobretudo viveram o nascimento do que hoje conhecemos como musica pop.

Para lá do rock n’roll, surgiram nessa época as musicas que permitiram socialmente, e pela primeira vez em séculos, ao dançar, sentir as curvas do corpo do par.

Foram aquelas canções melodiosas, que ainda hoje comovem qualquer alma sensível, a operar o prodígio, e foram elas, também, o motor de tantas aventuras amorosas por esse mundo. Há anos alguém se interrogava sobre quantas crianças tinham sido concebidas ao som da voz de Frank Sinatra. É um pouco o mesmo com estas outras canções de que falo.

Umas são arqui-conhecidas e não vou ocupar espaço do blog com elas. Deixo, por isso, algumas que conheceram um menor favor das gerações seguintes.

Sobre os interpretes a Wikipedia fornece informação extensa e fiável. Vamos por isso às canções.

– My Future Just Passed na voz de Carmen McRae, gravada em 1955 e saida no LP Torcky

https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/viciodapoesiamedia/Carmen+McRae+-+My+Future+Just+Passed.mp3

– It’s almost tomorrow – primeiro o sucesso de 1955 com os seus criadores: The Dream Weavers

https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/viciodapoesiamedia/The+Dream+Weavers+-+It%27s+almost+tomorrow.mp3

e a seguir a voz quente de Jo Stafford também sucesso, embora menor, em 1955.

https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/viciodapoesiamedia/Jo+Stafford+-+It%27s+Almost+Tomorrow.mp3

Por fim Pretend com  a versão que Eileen Barton cantava quando nasci.

https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/viciodapoesiamedia/Eileen+Barton+-+Pretend.mp3

Pretend you’re happy when you’re blue

It isn’t very hard to do

And you’ll find happiness without an end

Whenever you pretend.

Remember anyone can dream

And nothing’s bad as it may seem

The little things you haven’t got

Could be a lot if you pretend

You’ll find a love you can share

One you can call all your own

Just close your eyes, (s)he’ll be there

You’ll never be alone.

And if you sing this melody

You’ll be pretending just like me

The world is mine, it can be yours, my friend

So why don’t you pretend?

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Picasso Suite 347

10 Domingo Abr 2011

Posted by viciodapoesia in Convite à arte

≈ 1 Comentário

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Avant-Garde, Picasso, Suite 347

Enquanto não regressa em força a poesia, deixo à admiração dos visitantes algumas gravuras da Suite 347 de Picasso, produzida em 1968.

O nome decorre do total de gravuras produzido entre 16 de Março e 5 de Outubro de 1968. Constituem um tributo do artista aos luxuriantes prazeres de Eros quando tinha apenas 87 anos.

No seu conjunto traduzem uma soberba afirmação da sexualidade como uma revivificante força na vida e na arte.

Durante oito meses, os impressores Aldo e Pierre Crommelynck, instalaram-se na Villa de Picasso em Mougins, na Riviera francesa, com um prensa litográfica que permitiu a impressão das litografias à medida que iam sendo criadas directamente na chapa pelo mestre. O conjunto constitui uma assombrosa variedade das aptidões do artista no dominio da técnica da litografia.

Exibidas simultâneamente na Galeria Louise Leiris em Paris e no Art Institute of Chicago, nesse inverno, circularam posteriormente por algumas capitais do mundo. e os 50 exemplares assinados da tiragem desapareceram nos cofres dos coleccionadores.

Afortunadamente, a Random House/Maecenas Press de Nova Iorque procedeu à edição integral do conjunto em dois  volumes, em 1971.

Uma pequeníssima parte das gravuras foi objecto de publicação num  número especial da revista Avant Garde de Nova Iorque em 1969, com um belissimo arranjo gráfico.

E agora algumas gravuras, não muitas, pois o espaço do blog não o permite.

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Gosto e memória e as estatísticas do blog

01 Sexta-feira Abr 2011

Posted by viciodapoesia in Crónicas

≈ Deixe um comentário

 

Pensado o blog como um arquivo de gosto e memória, numa perspectiva inteiramente pessoal, fui sendo surpreendido ao longo do passado ano com o aumento gradual do número de visitas ao blog.

Tendo iniciado o blog em Janeiro de 2010, no mês de Fevereiro o blog tinha tido 25 visitas e durante todo o mês de Março, 50. E assim se manteve com pequenas oscilações, até que em Agosto do ano passado deu um salto para 188 visitas nesse mês. De então para cá o crescimento do número de visitantes tem sido exponencial.

Terminado o ano com 601 visitas em Dezembro de 2010  e um total no ano de 2010 de menos de 2500 visitas, decidi continuar o blog alargando os assuntos, como, de resto, já tinha esboçado em Dezembro.

E a surpresa aconteceu: se em Janeiro de 2011, com 629 visitas, o número de visitas esteve próximo de Dezembro de 2010, Fevereiro deste ano disparou para quase o dobro (1147 visitas) e Março atingiu provavelmente um pico que não voltará a acontecer: 2099 visitas.

Ou seja, neste Março 2011, o blog quase tantas visitas como em todo o ano de 2010.

Grande parte deste acréscimo deveu-se a o blog ter sido blog em destaque no wordpress, o que leva a reforçar a minha convicção de que os computadores gostam de poesia, e agora também, de fotografia e música.

Para quem chega ao blog é irrelevante esta audiência. Os 4 fiéis que seguem o blog quase desde o início concluirão que há mais gente a gostar de por aqui andar. Para mim tem sido um gosto escrever no éter e seguir, no anonimato das visitas, a forma como cada assunto encontra a quem interessar.

Quase invariavelmente, o que eu suponho interessar a pouca gente acaba por ter picos de procura.

Há um comportamento dos visitantes que me deixa especialmente satisfeito, e é, ver como alguém que em resultado de uma pesquisa no Google chegou ao blog, surpreendido aqui permanece, lendo um e outro artigo, procurando saber mais sobre o autor, em suma, navegando dentro do blog, que é para isso que ele existe.

Tendo como tema dominante a poesia, continuarei a alargar os assuntos para além do que já existe. Sempre sem preocupações de actualidade.

Obrigado pela companhia silenciosa que me dispensaram.

 

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