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Puga_Antonio-Old_Woman_SeatedÉ este retrato de uma mulher quase velha, pintado por António Puga (1602-1648), pintor galego natural de Orense, uma eloquente imagem da dignidade na parcimónia material da vida.

Sentada frente a nós, num interior despido de supérfluo, a mulher medita, e não teremos dificuldade em o imaginar, na dureza da vida e no que é preciso para a levar pela frente.

Pintado no século XVII, num tempo que em Portugal se exercia o domínio espanhol, a mulher  pintada, ainda que sendo eventualmente galega,  bem podia ser portuguesa, e pensaríamos que eram apenas história as dificuldades entrevistas na pintura. Será assim?

A profissão leva-me todos os dias ao encontro dos efeitos sociais da crise económica, e a evidência de como cada um, no silêncio da sua intimidade aceita as dificuldades do dia a dia, é uma lição de quanto os governantes não merecem o povo que governam.

Ser velho hoje, em Portugal, parece ser uma maldição, gritada a cada hora que passa. Interrogo-me, quando o ouço, que país encontrou esta gente ao nascer, quem os alimentou, quem os levou à escola, quem lhes deu o que não tinham e só por nascer ganharam?

 

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