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vicio da poesia

Monthly Archives: Fevereiro 2011

A dificil arte do soneto segundo Lope de Vega, Alexandre O´Neill e Manuel Alegre

19 Sábado Fev 2011

Posted by viciodapoesia in Crónicas

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Desde a sua invenção nunca o soneto deixou de desafiar poetas.

Poema de 14 versos em verso decassílabo rimado, ordenado em quatro estancias geralmente de duas quadras com dupla rima seguidas de dois tercetos.

No seu desenvolvimento o soneto exige ser construido numa espécie de silogismo, como bem lembrava Manuel Borralho nas suas Luzes de Poesia (1724), partindo de premissa(s) e rematando com uma conclusão, sendo o último verso do soneto, a certa altura,  chamado de chave de ouro.

Apresentado o tema na primeira quadra, deverá o poema dar continuidade ao assunto que se propõe, desenvolvendo a ideia que lhe subjaz, e concluindo-se de forma coerente com o argumentado.

Sendo uma forma poética de meu especial agrado, e existindo na literatura portuguesa elevado número de sonetos belíssimos, tenho por diversas vezes falado e transcrito sonetos. Hoje reúno um conjunto especial em que o assunto é a própria dificuldade em escrever um soneto.

Começo por Lope de Vega (1562-1635) que assim respondeu a Violante quando lhe pediu um soneto:

 

Un soneto me manda hacer Violante / Um soneto me faz fazer Violante

Y en vida nom me he visto en tal aprieto; / Nunca na vida estive tão inquieto;

Catorce versos dicen que es soneto: / Catorze versos dizem que é soneto,

Burla burlando, van los tres delante. / Brinca brincando vão os três diante.


Yo pensé que no hallara consonante / Pensei que não achava consoante

E estoy a la mitad de otro cuarteto; / E a metade estou deste quarteto;

Mas, si me hallo en el primer terceto, / Mas, se me vejo no primeiro terceto,

No hay cosa en los quartetos que me espante. / Nada há nos dois quartetos que me espante.


Por el primer terceto voy entrando / pelo primeiro terceto vou entrando

Y aún presumo que entré por pie derecho, / E parece que entrei com o pé direito,

Pues fin con este verso le voy dando. / Pois fim com este verso lhe estou dando.


Ya estoy en el segundo y aún sospecho / No segundo já vou e até suspeito

Que estoy los trece versos acabando: / que estou os treze versos acabando;

Contad si son catorze, y esté hecho. / Contai se são catorze e já está feito.

Rima: (ABBA / ABBA / CDC / DCD)  /  (ABBA / ABBA / CDC / DCD)

No livro Abandono Vigiado publicado por Alexandre O’Neill (1924-1986) em 1960 encontro o soneto QUATORZE VERSOS tendo como epígrafe o primeiro verso deste soneto de Lope de Vega.

Deliberada homenagem a um poeta maior, pois o poema anterior é outra homenagem, essa a

João Cabral de Melo e Neto, / Você não se pode imitar, / mas incita a ver mais perto, / com mais atenção e vagar, / o que está como que em aberto, / …,

o soneto QUATORZE VERSOS brinca, também ele, com a arte de escrever sonetos, na qual O’Neill foi exímio como nestes SONETOS GARANTIDOS… páginas antes no mesmo livro, e que não resisto a transcrever:

SONETOS GARANTIDOS…

Sonetos garantidos por dois anos.

E é muito já, leitor que mos compraste

para encontrar a alma que trocaste

por rádios, frigorificos, enganos…


essa tristeza sobre pernas faz-te

temeroso e cruel e tonto e traste.

Nem pior nem melhor que outros fulanos,

não vês a Bomba e crês nos marcianos…


e é para ti que escrevo, é para ti

que um verso lanço – ó mão! – como o destino,

nel’ ponho mesura, desatino,


rasgo, invenção, lugar-comum protesto?

Antes para soldado ou para resto,

escroto de velho, ronco de suíno…

Mas voltanto à dificil arte do soneto temos então no soneto QUATORZE VERSOS uma eloquente demonstração:


QUATORZE VERSOS

O primeiro é assim: fica de parte.

No segundo já posso prometer

que no terceiro vai haver mais arte.

Mas afinal não houve… Que fazer?


Melhor será calar, pois que dizer

nem no sexto conseguirei destarte.

Os acentos errados é favor não ver;

nem os versos errados, que também sei hacer…


Ó nono verso porque vais embora

sem que eu te sublime neste décimo?

Ao décimo-primeiro dediquei uma hora.


Errei-o. Mas que importa se a poesia,

mesmo que o não errasse, já não vinha?

É este o último e, como os outros, péssimo…

Ficaria por aqui não fora Manuel Alegre (1936) no seu livro Sonetos do Obscuro Quê publicado em 1993, vir explicitamente a este soneto de O’Neill quando se debruçava sobre a arte de escrever poesia em forma de soneto. Temos então, agora de Manuel Alegre:

Desata-se-me o verso no primeiro

no segundo de vento vai vestido

no terceiro de mar e marinheiro

no quarto está perdido está perdido.


Recupero-o no quinto sem sentido

no sexto deito-o à sombra de um sobreiro.

No sétimo com dante digo:”Guido

sê tu no oitavo verso o companheiro”.


Porque não espero de voltar no nono

leva-me O’Neill no décimo a um terceto

que aponte já no onze o sul e o sal.


Ao décimo segundo chega o sono.

No treze está a chave do soneto

mas nem sempre o catorze é o final.

Vamos pois dormir, a conselho do poeta, não sem antes referir que a tradução do poema de Lope de Vega é de José Bento e que se lê com proveito, o artigo SONETO publicado no DICIONÁRIO DE LITERATURA, sob a direcção de Jacinto do Prado Coelho e assinado por António Coimbra Martins.

 

Nota final: Quatorze ou Catorze? Escolha o leitor. Apenas reproduzi o conteúdo das edições impressas que possuo. Antes do Acordo Ortográfico Quatorze seria para Portugal e Catorze para o Brasil.

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Periclitam os grilos/ a noite é nada e mais poemas de Alexandre O’Neill

09 Quarta-feira Fev 2011

Posted by viciodapoesia in Poetas e Poemas

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Alexandre O'Neill

Enquanto olho Lisboa, saltita-me o pensamento entre a metafísica dos sinais de transito no percurso da volta,e a importância do tempo no boletim meteorológico. É preciso ver o caminho. E inevitavelmente chego a Alexandre O’Neill.


Periclitam os grilos:

a noite é nada.

Quem tem filhos tem cadilhos,

(Que quadra tão bem rimada!)


Não espere, leitor, que eu diga:

“Debaixo daquela arcada…”.

Não venho fazer intriga:

versejo só – e mais nada.


Assim o terceiro verso

desta tirada

(reparou que é um provérbio?)

não significa mais nada.


Se a noite é nada e os grilos

não estão de asa parada,

não vou puxar, só por isso,

o fio à sua meada,


leitor que me pede história

que já traz engatilhada,

leitor que não se habitua

a que não aconteça nada


em poesia que comece

como esta foi começada

e acabe como esta

vai agora ser acabada…

A esta luz, é a possibilidade da metáfora no jogo do bingo que me ocorre, mas este céu duma tristeza cor de farda leva-me a esse outro SONETO onde a aposta é na vida, mesmo errada.

No céu duma tristeza cor de farda,

Uma angustia de nuvens se desenha.

O amor já morreu: que o tempo venha

Desmantelar o que a memória guarda.


Jogai!, jogai! Quem não jogar não ganha

Nem perde. É a última cartada.

Eu aposto na vida, mesmo errada.

Talvez outro destino me sustenha.


Avião de Lisboa para o mundo,

Apaga-me a tristeza com as asas,

Tão nítidas no céu em que me afundo!


Depois desaparece atrás das casas

E deixa-me o azul, o azul profundo,

E duas nuvens de razão tocadas.

Ei-las:

Deixo-vos com um AUTO-RETRATO do poeta em 1962 onde lembra a imensa verdade de que amor não há feito:

AUTO-RETRATO

 

O’Neill (Alexandre), moreno português,

cabelo asa de corvo; da angústia da cara,

nariguete que sobrepuja de través

a ferida desdenhosa e não cicatrizada.

Se a visagem de tal sujeito é o que vês

(omita-se o olho triste e a testa iluminada)

o retrato moral também tem os seus quês

(aqui, uma pequena frase censurada..)

No amor? No amor crê (ou não fosse ele O’Neill!)

e tem a veleidade de o saber fazer

(pois amor não há feito) das maneiras mil

que são a semovente estátua do prazer.

Mas sofre de ternura, bebe de mais e ri-se

do que neste soneto sobre si mesmo disse…

Noticia bibliográfica:

Soneto foi publicado em 1958 no livro NO REINO DA DINAMARCA, Periclitam os grilos foi publicado em 1960 no livro ABANDONO VIGIADO, AMBOS PELA Guimarães Editores . AUTO-RETRATO foi publicado em POEMAS COM ENDEREÇO, em 1962 pela Livraria Moraes Editora.

 

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Outro dia, com Irene Lisboa

06 Domingo Fev 2011

Posted by viciodapoesia in Crónicas, Poetas e Poemas

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Irene Lisboa

Alguns escritores, talvez já aqui o tenha referido, desarmam-me quaisquer planos. É abrir-lhes um livro ao acaso e embalo na leitura, esquecido de compromissos ou obrigações. É o caso de Irene Lisboa.

Amanhecera azul num céu de Tiepolo e fui trabalhar de olhos cheios. A certa altura choveu sob o arco-iris e os suburbios-dormitório onde o trabalho me leva, ganharam um brilho transparente de cristal. Pareceram por momentos lugares onde apetecia viver.

Era dia de rua Irene Lisboa, e no infinito daquele subúrbio, lá apareceu entre lixo e grafitti, com edifícios pouco menos que degradados. Serão habitados por gente parente de quem a escritora fez a crónica, pensei.

Fiz o que precisava, e no regresso fui à sua poesia. Aqui fica apenas um poema:

outro dia

Ontem,

cansada, cansada,

cheguei a casa,

à noite.

O céu estava limpo.

Cheguei à porta e olhei,

antes de entrar.

Lá em baixo,

nem perto nem longe,

no escuro,

luziam uns pingos…

Caíam rectos

e brilhantes

na água…

Deixavam um rasto!

Os meus olhos riram,

vendo-os

imobilizaram-se.

E tive desejos

de seguir pelas ruas,

de cabeça no ar,

com um riso parado…

Mas subi as escadas.

Lisboa 1935

O poema encerra o livro um dia e outro dia…. A versão transcrita é a do vol I das Obras de Irene Lisboa organizada por Paula Morão e publicada pela Editorial Presença em 1991.

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Essa Negra Fulô e outros poemas de Jorge de Lima

03 Quinta-feira Fev 2011

Posted by viciodapoesia in Crónicas, Poetas e Poemas

≈ 3 comentários

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Jorge de Lima

 

Conheço mal a obra de Jorge de Lima. De muito novo acompanha-me Essa Negra Fulô dito na voz de João Villaret e gravado num recital no Teatro S. Luis em Lisboa, em 1957 se não erro, recital esse editado em dois discos de vinil.

 

Nota: Há pequenas trocas na ordem porque os versos são ditos por Villaret em relação à versão impressa do poema que possuo e que aqui transcrevo.

 

Poema de onde sai um mundo, é um mundo apenas aparentemente extinto.

Hoje são outras as práticas e outras as relações de domínio entre seres humanos, mas a sua verdade, tão pungentemente aqui descrita, permanece.

Essa Negra Fulô

Ora, se deu que chegou

(isso já faz muito tempo)

no bangüê dum meu avô

uma negra bonitinha,

chamada negra Fulô.

 

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!

 

Ó Fulô! Ó Fulô!

(Era a fala da Sinhá)

— Vai forrar a minha cama,

pentear os meus cabelos,

vem ajudar a tirar

a minha roupa, Fulô!

 

Essa negra Fulô!

 

Essa negrinha Fulô

ficou logo pra mucama,

pra vigiar a Sinhá

pra engomar pro Sinhô!

 

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!

 

Ó Fulô! Ó Fulô!

(Era a fala da Sinhá)

vem me ajudar, ó Fulô,

vem abanar o meu corpo

que eu estou suada, Fulô!

 

vem coçar minha coceira,

vem me catar cafuné,

vem balançar minha rede,

vem me contar uma história,

que eu estou com sono, Fulô!

 

Essa negra Fulô!

 

“Era um dia uma princesa

que vivia num castelo

que possuía um vestido

com os peixinhos do mar.

Entrou na perna dum pato

saiu na perna dum pinto

o Rei-Sinhô me mandou

que vos contasse mais cinco.”

 

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!

 

Ó Fulô? Ó Fulô?

Vai botar para dormir

esses meninos, Fulô!

“Minha mãe me penteou

minha madrasta me enterrou

pelos figos da figueira

que o Sabiá beliscou.”

 

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!

 

Ó Fulô? Ó Fulô?

(Era a fala da Sinhá

Chamando a negra Fulô.)

Cadê meu frasco de cheiro

Que teu Sinhô me mandou?

 

— Ah! Foi você que roubou!

Ah! Foi você que roubou!

 

O Sinhô foi ver a negra

levar couro do feitor.

A negra tirou a roupa.

 

O Sinhô disse: Fulô!

(A vista se escureceu

que nem a negra Fulô.)

 

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!

 

Ó Fulô! Ó Fulô!

Cadê meu lenço de rendas,

Cadê meu cinto, meu broche,

Cadê o meu terço de ouro

que teu Sinhô me mandou?

Ah! foi você que roubou.

Ah! foi você que roubou.

 

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!

 

O Sinhô foi açoitar

sozinho a negra Fulô.

A negra tirou a saia

e tirou o cabeção,

de dentro dêle pulou

nuinha a negra Fulô.

 

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!

 

Ó Fulô! Ó Fulô!

Cadê, cadê teu Sinhô

que Nosso Senhor me mandou?

Ah! Foi você que roubou,

foi você, negra fulô?

Essa negra Fulô!

Poesia multifacetada, tantas vezes coloquial, culmina em A Invenção de Orfeu, longo poema publicado em 1952, pouco antes da morte do poeta, e do qual disse João Gaspar Simões:

Tudo entra no poema de Jorge de Lima concebido na febre que exalta, no sonho que dilata, no transe que confunde. E o passado junta-se ao presente. Memória e invenção, sonho e realidade, história e futuro, infância e ancestralidade confundem-se, como se, em verdade, o poeta formasse com o seu poema uma espécie de caos preparatório de onde surgirá um dia uma ordem ideal.

Nos anos 30 do século XX o poeta converteu-se ao catolicismo reflectindo-se na sua poesia essa dimensão religiosa.

Rasto dessa conversão são os 2 poemas escolhidos a seguir.

Primeiro este A mão enorme guiando a nau da existência num dos grandes poemas da lingua portuguesa, onde à cadência do verso se une a meditação teológica do destino.

A mão enorme

Dentro da noite, da tempestade,

a nau misteriosa lá vai.

o tempo passa, a maré cresce,

o vento uiva.

A nau misteriosa lá vai.

Acima dela

que mão é essa maior que o mar?

Mão de piloto?

Mão de quem é?

A nau mergulha,

o mar é escuro,

o tempo passa.

Acima da nau

a mão enorme

sangrando está.

A nau lá vai.

O mar transborda,

as terras somem,

caem estrelas.

A nau lá vai.

acima dela

a mão eterna

lá está.

E este singular Inverno, onde, numa ligação à terra e à natureza tão característica da poesia brasileira antiga, e é o eco de Glaura de Manuel Inácio da Silva Alvarenga que me ressoa nesta Zefa com quem o poeta fala, também aqui temos no final a marca da devoção religiosa:

Mas tudo isso, Zefa, / vamos dizer, / só com os poderes / de Jesus Cristo!


Inverno

Zefa, chegou o inverno!
Formigas de asas e tanajuras!
Chegou o inverno!
Lama e mais lama
chuva e mais chuva, Zefa!
Vai nascer tudo, Zefa,
Vai haver verde,
verde do bom,
verde nos galhos,
verde na terra,
verde em ti, Zefa,
que eu quero bem!
Formigas de asas e tanajuras!
O rio cheio,
barrigas cheias,
mulheres cheias, Zefa!
Águas nas locas,
pitus gostosos,
carás, cabojés,
e chuva e mais chuva!
Vai nascer tudo
milho, feijão,
até de novo
teu coração, Zefa!

Formigas de asas e tanajuras!
Chegou o inverno!
Chuva e mais chuva!
Vai casar, tudo,
moça e viúva!
Chegou o inverno
Covas bem fundas
pra enterrar cana:
cana caiana e flor de Cuba!
Terra tão mole
que as enxadas
nelas se afundam
com olho e tudo!
Leite e mais leite
pra requeijões!
Cargas de imbu!
Em junho o milho,
milho e canjica
pra São João!
E tudo isto, Zefa…
E mais gostoso
que tudo isso:
noites de frio,
lá fora o escuro,
lá fora a chuva,
trovão, corisco,
terras caídas,
córgos gemendo,
os caborés gemendo,
os caborés piando, Zefa!
Os cururus cantando, Zefa!
Dentro da nossa
casa de palha:
carne de sol
chia nas brasas,
farinha d’água,
café, cigarro,
cachaça, Zefa…
…rede gemendo…
Tempo gostoso!
Vai nascer tudo!
Lá fora a chuva,
chuva e mais chuva,
trovão, corisco,
terras caídas
e vento e chuva,
chuva e mais chuva!
Mas tudo isso, Zefa,
vamos dizer,
só com os poderes
de Jesus Cristo!

Termino a escolha com Este Poema De Amor Não É Lamento

Este poema de amor não é lamento
Nem tristeza distante, nem saudade,
Nem queixume traído nem o lento
Perpassar da paixão ou pranto que há de

Transformar-se em dorido pensamento,
Em tortura querida ou em piedade
Ou simplesmente em mito, doce invento,
E exalta visão da adversidade.

É a memória ondulante da mais pura
E doce face (intérmina e tranqüila)
Da eterna bem-amada que eu procuro;

Mas tão real, tão presente criatura
Que é preciso não vê-la nem possuí-la
Mas procurá-la nesse vale obscuro.

 

Em nota final refiro que o espectáculo O Grande Circo Místico, de Edu Lobo e Chico Buarque de Hollanda, foi baseado na obra do poeta.

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