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David Hockney (1937) - Mr. and Mrs. Clark and Percy - 1970-71

Há uma tocante simplicidade na penetrante verdade sobre o amor e o tempo no poema Time Passing, Beloved, (O tempo passa, meu bem) de Donald Davie (1922-1955). Se o tempo tudo apaga, apaga também das memórias o que de amargo o amor viveu, mas a incerteza sobre o futuro, essa é uma indeterminação que permanece, sempre.

 

Infelizmente não conheço, do poema, tradução portuguesa. Deixo o original inglês, certamente acessível à maior parte dos leitores do blog.

 

Time Passing, Beloved

 

Time passing, and the memories of love

Coming back to me, carissima, no more mockingly

Than ever before; time passing, unslackening,

Unhastening, steadily; and no more

Bitterly, beloved, the memories of love

Coming into the shore.

 

How will it end? Time passing and our passages of love

As ever, beloved, blind

As ever before; time binding, unbinding

About us; and yet to remember

Never less chastening, nor the flame of love

Less like an ember.

 

What will become of us? Time

Passing, beloved, and we in a sealed

Assurance unassailed

By memory. How can it end,

This siege of a shore that no misgivings have steeled,

No doubts defend?

 

Transcrito de Collected Poems, Carcanet Press, 1990.

 

Abre o artigo a imagem de uma pintura de David Hockney (1937)Mr. and Mrs. Clark and Percy, 1970-71.

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