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É sempre preciso o maior cuidado com o que se diz. Raramente somos compreendidos.

O poema de hoje dá, na sua simplicidade alegórica, a extensão desta incomunicação, mesmo entre os que são próximos.

Entre o gesto e a aparência corre um mundo de significados cuja compreensão nos escapa em grande parte.

Deixo-vos com a interrogação maior: quando alguém fala, quem houve, ouve o quê?

Outono

Uma vez um homem encontrou duas folhas e entrou em casa segurando-as com os braços esticados dizendo aos pais que era uma árvore.

Ao que eles disseram então vai para o pátio e não cresças na sala pois as tuas raízes podem estragar a carpete.

Ele disse eu estava a brincar não sou uma árvore e deixou cair as folhas.

Mas os pais disseram olha é outono

Segue-se o original em inglês

The Fall

There was a man who found two leaves and came
indoors holding them out saying to his parents
that he was a tree.

To which they said then go into the yard and do
not grow in the living room as your roots may
ruin the carpet.

He said I was fooling I am not a tree and he
dropped his leaves.

But his parents said look it is fall.

Poema publicado em O TÚNEL, com tradução do poeta José Alberto Oliveira, edição ASSÍRIO & ALVIM, Lisboa 2002.

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