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Enquanto nas terras do sul, embalo-me no espirito e memória do lugar. Vai mar, vai comida, vai paisagem. E poesia em castelhano.

Aproveito para discretear um pouco e partilhar com os leitores o que em Portugal é provavelmente segredo conhecido apenas de alguns: as canções de Carlos Cano (1946 – 2000).

Passaram em Dezembro último 10 anos sobre a morte deste Filho Predilecto de Andaluzia, Carlos Cano, cantautor como dizem os espanhóis, e poeta. Voltou a dar vida a géneros populares se não esquecidos, pelo menos desprezados, tal a copla andaluza.

Da copla escrevia Manuel Machado a Jorge Guillen:

Procura tú que tus coplas / vayan al pueblo a parar e também: y cuando las canta el pueblo, / ya nadie sabe el autor.

Cantou Carlos Cano em El rey Al-Mutamid le dice adiós a Sevilla, o poeta-rei de Sevilha Al-Mutamid, nascido em Beja e governador em Silves, e de quem já aqui deixei poesia. Musicou os poemas de Lorca de Diván del Tamarit, entre uma vasta colecção de fandangos, tangos, boleros, rumbas e outros géneros populares.

María la portuguesa, canção de homenagem a Amália, é uma comovente simbiose do canto andaluz com o fado que aqui podereis ouvir por Carlos Cano sozinho e em dueto com Amália Rodrigues.

Carlos Cano – Maria La Portuguesa

 

Carlos Cano – María la portuguesa – com Amália

 

Para não perder o gosto deixo um poema de Manuel Machado (1874-1947), irmão de António Machado, de cuja poesia já me aproximei aqui no blog.

 O poema, singelo, apenas recomenda a humildade da Poesia perante o povo e as suas tradições:

Que, al fundir el corazón /en el alma popular, / lo que se pierde de nombre / se gana de eternidad.

Agora o poema:

La Copla

Hasta que el pueblo las canta,
las coplas, coplas no son,
y cuando las canta el pueblo,
ya nadie sabe el autor.

Tal es la gloria, Guillén,
de los que escriben cantares:
oír decir a la gente
que no los ha escrito nadie.

Procura tú que tus coplas
vayan al pueblo a parar,
aunque dejen de ser tuyas
para ser de los demás.

Que, al fundir el corazón
en el alma popular,
lo que se pierde de nombre
se gana de eternidad.

Enjoy enquanto a poesia não regressa ao blog com a erudição do costume. Tempo de férias é tempo de preguiçar.

Aí fica esta mão cheia de cancões de Carlos Cano.

El Rey Al-Mutamid dice adios a Sevilla

La rumba del pai pai

Habaneras de la Habana

Cueca de los querubines

Sevillanas de Chamberi

Me llaman sudaca

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