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De vilegiatura por terras do SE algarvio, as memórias são inevitáveis, e a proximidade de Espanha traz a familiaridade de uma vida com as gentes e a cultura.

Na infância, nestas remotas terras isoladas do pais, onde a radio apenas chegava a espaços e com fraco sinal, as emissoras de Espanha eram omnipresentes e inevitavelmente cresci ouvindo as canções que ali passavam. Estou por tal forma impregnado delas que ouvi-las traz-me de volta o perfume dos tempos encantados.

Os acasos da leitura de poesia, que por estes dias é em castelhano, fizeram-me encontrar um poema de Ángel González (1925-2008), Canción, glosa y cuestiones, onde ecoa uma dessas canções, Cielito Lindo, na ironia saborosa do grande poeta.

Canción, glosa y cuestiones

Ese lugar que tienes,
cielito lindo,
entre las piernas,
ese lugar tan íntimo
y querido
És un lugar común.

Por lo citado y por lo concurrido.

Al fin, nada me importa:
me gusta en cualquier caso.

Pero hay algo que intriga.

Cómo
solar tan diminuto
puede ser compartido
por una poblatión tan numerosa?

Qué estatutos regulan el prodigio?

A canção deu a volta ao mundo na voz de Nat King Cole, mas é outra a versão familiar da minha infância, e essa, é cantada por um trio masculino, Los 3 Paraguaios.

Deixo-vos com ela:

Nota talvez necessária: Cielito lindo é uma forma de tratamento carinhosa para alguém de quem gostamos.

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