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Andando com as leituras poéticas por territórios do castelhano, aproveito para trazer ao blog o poema En el principio de Blas de Otero (1916-1979), admirável síntese onde se destaca o poder da palavra para lá das vicissitudes da vida e do tempo.

En el principio

Si he perdido la vida, el tiempo, todo
Lo que tiré, como un anillo, al agua,
si he perdido la voz en la maleza,
Me queda la palabra.

Si he sufrido la sed, el hambre, todo
lo que era mío y resultó ser nada,
si he segado las sombras en silencio,
me queda la palabra.

Si abri los labios para ver el rostro
puro y terrible de mi patria,
si abri los labios hasta desgarrármelos,
me queda lá palabra.

O poema foi traduzido por José Bento na Antologia da Poesia Espanhola Contemporânea, que a seguir transcrevo.

No Principio

Se perdi minha vida, o tempo, tudo
O que atirei, como um anel, à agua,
Se entre o joio perdi a minha voz,
Resta-me a palavra.

Se suportei a sede, a fome, tudo
O que era meu e redundou em nada,
se ceifei as sombras em silêncio,
Resta-me a palavra.

Se abri os lábios para ver o rosto
puro e terrível de minha pátria,
se abri os lábios até os rasgar,
Resta-me a palavra.

 

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