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Há pouco tempo transcrevi aqui no blog três sonhos descritos por Georg Trakl, mais pesadelos que sonhos memoráveis, dando conta de como os desastres da vida nos alucinam. Hoje viro-me para os prazeres que a vida também traz e dou aos leitores um lamento de Macédonios (c.550) por ver interrompido um sonho deleitoso e digno de memória. O poema, um epigrama, consta do volume V da Antologia Grega.

 

Epigrama

Tinha em meus braços, esta noite em sonho
Uma adolescente travessa e risonha.
Pouco preocupada em contrariar
Meus mínimos desejos, a tudo diz sim.
Mas Eros ciumento, que nos espiava
Cortando-me o sono pôs fim às delícias.
É assim que Amor, mesmo em nossos sonhos
Se mostra invejoso dos nossos prazeres.

 

Adaptação a partir da tradução francesa de Pierre Laurens por Carlos Mendonça Lopes.

Abre o artigo a imagem de uma pintura de Picasso, Dorminhocos, de 1965-7.

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