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Matisse - janela 1

Noutra varanda assim num Setembro de outrora

Que em mil estátuas e roxo azul se prolongava

Amei a vida como coisa sagrada

E a juventude me foi eternidade

Matisse - janela 2Acontece-me com frequência associar o intenso lirismo de poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) à aparente fragilidade  das pinturas de Matisse (1869-1964) onde a indecisão do desenho se casa com a intensidade tantas vezes eufórica do colorido.

Matisse - janela 3São pintura de uma perene alegria e de alguém que certamente amou a vida como coisa sagrada para tomar o verso de Sophia do poema Varandas, pretexto desta visita a Matisse.

Matisse - janela 4

VARANDAS

 

É na varanda que os poemas emergem

Quando se azula o rio e brilha

O verde-escuro do cipreste — quando

Sobre as águas se recorta a branca escultura

Quasi oriental quasi marinha

Da torre aérea e branca

E a manhã toda aberta

Se torna irisada e divina

E sobre a página do caderno o poema se alinha

 

Noutra varanda assim num Setembro de outrora

Que em mil estátuas e roxo azul se prolongava

Amei a vida como coisa sagrada

E a juventude me foi eternidade

Matisse - janela 5À feérica paleta junta-se a poesia de harmonia entre a intimidade do eu e a beleza do mundo exterior que pelas janelas abertas nos é mostrado. São mundos onde o frenético da existência está ausente e ganhamos, ao vê-los, a certeza de que é seguramente possível viver de outra maneira.

Matisse - janela 6Matisse - janela 7

Matisse - janela 8O poema foi inicialmente publicado no livro O Búzio de Cós e Outros Poemas, 1997, e transcrito de Obra Poética, Editorial Caminho, 2ª edição, Lisboa 2001.

Matisse - janela 9

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