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GaivotaXXXX

Em vez de pôr mãos ao trabalho mal acabado o almoço, peguei ao acaso num livro da estante: eram obras de Alberto Pimenta (1937).

Embalei e pouco fiz do que precisava. Diverti-me e saboreei muita da melhor poesia experimental que por Portugal se fez.

Do muito que li, escolhi para transcrever um poema que me trouxe à memória os desafios matemáticos que no liceu nos ocupavam.

Para os jovens estudantes que procuram frequente e insistentemente o blog em busca de interpretações poéticas, talvez o problema de hoje lhes soe familiar na sua formulação, que não no conteúdo, certamente.

Para os outros leitores, em quem a memória escolar pode já ser difusa, é provável que a brincadeira de Alberto Pimenta (1937) em forma de poema lhes recorde os desafios matemáticos do ensino básico.

E para aqueles que fizeram o liceu até à reforma Veiga Simão no final dos anos 60, e o “Palma Fernandes” causou dores de cabeça, certamente a memória regressará vivíssima.

 

Leiam então o problema proposto por Alberto Pimenta e respectiva solução.

 

problema com vista a orientar os interesses infantis para as realidades quotidianas

sabendo que, no  momento  de  defecar,  a

ave   ia   a  voar   a  50  metros  de   altura

do  solo  e   à   velocidade   de  30 km.  po

r  hora,  acrescendo  que  o  vento,  no mo

mento   da  expulsão  das  fezes,  soprava

na  direcção  do  voo  da  ave  a  25 km.  p

or  hora, e  sabendo  ainda  que  as   feze

s, no momento da expulsão,  pesavam 12

gramas,  calcule   a   distância  a   que  as

fezes  caíram  em  relação   ao  ponto  da

terra   situado     na   vertical   do   ponto

em    que    a    ave    abriu     a     cloaca. I

 

problema com vista a orientar os interesses infantis para as realidades quotidianas

 

I

responder  que  as   fezes  se dissolv

eram no ar é  considerado  uma falta

de respeito para com o professor, po

rque se as fezes se dissolvessem no

ar não haveria problema a não ser o

ar    e s t a r    cheio    d e    f e z e s

 

in metamorfoses do vídeo, José Ribeiro, editor, 1986

 

A gaivota fotografei-a sobre o Gilão há alguns anos.

 

Nota sobre a formatação

No original os versos do poema vêm justificados à esquerda e à direita, o que a formatação do wordpress não me permitiu respeitas. As minhas desculpas.

 

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