Etiquetas

,

É na poesia de Sophia que encontramos, quase em permanência, o eco da grande poesia clássica grega.
Decantado o verso, sobra apenas o essencial que faz a palavra — Ποίηση — POESIA —, qual esta poética definição dela:

Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos actos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

São as cores mediterrânicas da pintura tardia de Nicolas de Staël (1914-1955) que escolho para acompanhar a Poesia de Sophia.

 

 

 

 

Anúncios