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Estas mulheres pintadas por Paula Rego (1935) são outras que não as musas inspiração dos poetas que povoam o blog.

Mulheres fora da poesia, talvez assomem uma que outra vez em alguns poemas de Herberto Hélder.

À dureza da vida que as fez assim, juntaram continuar meninas. E os sonhos estão lá, num prodígio pictórico em que a variação de escala joga um papel essencial.

A estas mulheres, conhecêmo-las. Até talvez nos tenham acompanhado na vida mas não as vemos.

Mulheres, qual uma Joaquina que longo tempo nos serviu e a quem, certo Natal ofereci um colar de contas de fantasia: foi a primeira vez que alguém lhe ofereceu algo para por em si que não fosse apenas cobrir-se por higiene ou pudor.

Duras na expressão, talvez também no afecto, que razões terão para ser diferentes? O mundo que para a beleza abre passadeiras vermelhas, a estas, confina-as num qualquer vão de escada, físico ou mental, teimando em não as ver.

E eis que Paula Rego no-las mostra com toda a força inescapável da Arte.

Estas pinturas são de algum modo o equivalente da Carta da corcunda ao serralheiro, que Fernando Pessoa nos deixou, e forçam-nos a olhar o que nem sempre queremos ver.

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