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Lucas Cranach, o velho (1472-1553), pintor germânico em actividade na primeira metade do século XVI, ficou para a história da pintura ocidental pela excelência dos seus retratos e por introduzir na pintura alemã a sensualidade dos nus femininos através das alegorias pictóricas de Adão e Eva, sobretudo, mas também utilizando outras figuras e cenas mitológicas.

Reúno a seguir algumas dessas pinturas figurando Adão e Eva numa sequência  que suponho cronológica, onde é um prazer seguir as peripécias da maçã e observar a variedade intencional nas feições e atitudes do par Adão e Eva através das várias obras.

Pinturas de sedução, as representações de Adão e Eva permitem dar conta em cada época  a que a pintura pertence, do papel da mulher nestes jogos de provocação e desejo, que a incitação  a comer a maçã traduz.

Com estes casais representando Adão e Eva estamos longe de qualquer beleza canónica  ou ideal, mas perante imperfeitos e comuns mortais, jovens homens e mulheres, nas idades em que é adequada a descoberta do amor.

De todas as pinturas talvez a terceira seja a mais eloquente na indecisão de Adão em aceitar a maçã, traduzida no gesto de coçar a cabeça. Mas em todas a linguagem corporal permite acompanhar um mundo de intenções e de não ditos que à época eram afinal, interditos.

Estas são pinturas dos exaltados tempos da Reforma de Martinho Lutero, de quem Lucas Cranach foi amigo e prosélito. Encontram-se entre as melhores e mais famosas pinturas suas os retratos de Lutero.

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