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Edgar Degas (1834-1917) conhecido sobretudo como pintor da figura humana em movimento, vejam-se as cenas de corridas de cavalos ou de bailarinas de ballet, pintou a mulher, não enquanto individuo mas evidenciando a forma do corpo em atitudes despreocupadas. Dizia ele que pretendia pintar como se observasse através do buraco de uma fechadura. Deste aspecto da obra reúno um conjunto de pinturas, sobretudo a pastel, técnica preferida do pintor, sobre a mulher depois do banho. São pinturas onde a individualidade desaparece e vemos mulheres não idealizadas mas sim corpos na banalidade das suas formas. A atmosfera de cada pintura garante-lhes a frescura de um instantâneo, sentindo nós, ao observá-las, estar a presenciar aqueles gestos no momento em que olhamos olhamos.

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Acusado de misóginia por Huysmans, e mais tarde por Paul Valery, sobretudo por nestas pinturas não mostrar o belo feminino, a acusação ainda hoje permanece, ainda que o que se conhece da biografia do pintor  não permita tal conclusão.

Acrescento o Auto-retrato do pintor existente na colecção Calouste Gulbenkian e que pode ser visto no respectivo museu em Lisboa.

Tentado pela poesia, Degas deixou inéditos poéticos, de que foi feita, ao que sei, uma edição póstuma em 1946, com oito sonetos e desenhos.

Desses sonetos transcrevo o nº4:

 

Elle danse en mourant, comme autour d’un roseau,

  D’une flute ou le vent triste de Weber joue;

  Le ruban de ses pas s’entortille et se noue,

  Son corps s’affaisse et tombe en un geste d’oiseau.

 

  Sifflent les violons, Fraiche, du bleu de l’eau,

  Silvana vient, et la, curieuse s’ebroue.

  Le bonheur de revivre et l’amour pur se joue

  Sur ses yeux, sur ses seins, sur tout l’etre nouveau,

 

  Et ses pieds de satin brodent, comme l’aiguille,

  Des dessins de plaisir. La capricante fille

  Use mes pauvres yeux, a la suivre peinant.

 

  Mais d’un signe toujours cesse le beau mystere:

  Elle retire trop les jambes en sautant:

  C’est un saut de grenouille aux mares de Cythere.

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