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Ab3 550pxÉ ao mistério da palavra poética que este poema, A Magnólia, de Luiza Neto Jorge (1939-1989) nos conduz: A exaltação do mínimo, /…/ um mínimo ente magnífico / desfolhando relâmpagos / sobre mim.

Para além da experiência directa da autora, pretexto para a enunciação do poema, ficam as múltiplas pistas que em sucessivas leituras se desdobram, devolvendo a cada palavra o poder de faiscar a imaginação. E temos, talvez o mais importante, o sabor dos versos que gulosamente lemos sem cuidar da sua inteligibilidade imediata: onde a palavra se elide / na matéria — na metáfora — / necessária, e leve, a cada um / onde se ecoa e resvala.

Estamos bem longe daquela espécie de contar a vidinha que em tanta poesia reluz, com maior ou menor fulgor, deixando o leitor sem espaço para fazer a sua imaginação voar.

 

A Magnólia

 

A exaltação do mínimo,

e o magnifico relâmpago

do acontecimento mestre

restituem a forma

o meu resplendor.

 

Um diminuto berço me recolhe

onde a palavra se elide

na matéria — na metáfora —

necessária, e leve, a cada um

onde se ecoa e resvala.

 

A magnólia,

o som que se desenvolve nela

quando pronunciada,

é um exaltado aroma

perdido na tempestade,

 

um mínimo ente magnífico

desfolhando relâmpagos

sobre mim.

 

Transcrito de Luiza Neto Jorge, poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001.

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