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Enrico BajÉ pouca em Portugal a curiosidade sobre a poesia do Al-Andaluz, ou seja a poesia de origem árabe ( e também judaica) que floresceu na península ibérica antes da reconquista cristã.

Para hoje, e rompendo o prolongado silêncio, venho com a visão do amor de um poeta do Al-Andaluz natural de Silves, ‘Abd al-Mâlik Ibn ‘Abd Allâh Ibn Badrûn al-Hadramî, que terá vivido até ao inicio do século XIII (era vivo em 1211) e foi autor de uma muito célebre obra — Cálice das flores e concha das pérolas.

Percorremos épocas diversas e culturas variadas, e o entendimento do amor permanece uma constante, ainda que a sua vivência surja no tempo, e na geografia, matizada pelas condicionantes culturais de cada sociedade. No essencial é sempre o mesmo: enquanto dura dá prazer, quando termina faz sofrer, e sem ele não se pode viver. É o que nos diz também Ibn Badrûn neste seu poema.

O AMOR

o amor é feito de prazer:
então vive de beijos e abraços.
depois chega a hora de sofrer:
palavras amargas seguem nossos passos
e nos apartamos, como quem vai morrer.
mas ah!, se no amor não mais acreditasse
melhor fora que minha vida se acabasse!

O poema foi transcrito da antologia de poesia luso-árabe, O meu coração é árabe, organizada por Adalberto Alves e publicada por Assírio & Alvim em 3ª edição revista e aumentada, Lisboa, 1999.

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