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CHAMPAIGNE, Philippe de - retrato triplo de Richelieu - 1640

Para os amantes leitores de Alexandre Dumas e da sua saga inventada sobre os 3 Mosqueteiros, o Cardeal Richelieu era a alma danada que pretendia revelar a paixão da rainha de França pelo nobre inglês, duque de Buckingham, num tempo em que a luta religiosa fazia das duas potencias inimigos e o poder tinha contornos acentuados de luta pessoal.

Richelieu, senhor de um poder absoluto, quase conseguia impedir a recuperação do pingente em diamante, numa hora de paixão oferecido pela rainha ao inglês.

A história é arqui-conhecida, e quem não a leu pode agora aproveitar o pretexto e embarcar nesta aventura de todas as adolescências.

Bom, mas o que segue, é que nós, leitores, ficamos sempre com uma imagem pouco precisa do homem, não sendo frequentes os seus retratos.

Preencho esse vazio mostrando o retrato tirado por Philippe de Champaigne (1602-1674), com o inusitado de poder permitir olhar o maligno personagem no romance em 3 posições onde o rosto se revela.

A objectividade da história devolve ao ministro de Luis XIII o lugar de estadista que lutou por estabelecer a grandeza da França e na sua luta contra os espanhóis apoiou os revoltosos portugueses de 1640.

O pano de fundo histórico no romance de Dumas é a Guerra dos 30 Anos e prende-se com o facto de Ana de Áustria, a rainha esposa de Luis XIII, ser espanhola, da casa de Habsburgo, e a França ter, a certa altura, declarado guerra a Espanha. O envolvimento de Inglaterra nesta guerra que devastou o continente foi atravessado pelas lutas contra o rei Carlos I, que viria a ser decapitado, e pela existência temporária da república de Cromwell.

O retrato de Richelieu dá-nos a ver um homem melífluo, de olhar vivo e expressão dissimulada, a ajuizar pelas comisuras da boca, preocupado com a aparência como se adivinha da cuidada toilette de barba e bigode, acentuando um rosto triangular, e escondendo a falta de frontalidade e firmeza que um queixo robusto e quadrado costuma revelar, e nele não existe.

Enfim, considerações sem propósito outro que entreter os leitores, quais nesta noite de sábado escolham o blog como passatempo.

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