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Quem circular pela cidade quando se faz noite mas a noite ainda não chegou, cruza-se demasiado frequentemente, com alguém vasculhando caixotes do lixo. É Lisboa em 2011 e dói!

Na secura do verso de Manuel Bandeira (1866-1968), em relato do Rio de Janeiro de 1947, registo esta tragédia à porta, hoje, Dezembro de 2011.

O bicho

 

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

 

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

 

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

 

O bicho, meu Deus, era um homem.

 

Rio, 27 de Dezembro de 1947

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