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Z 131

Desconhecidos, pintor e retratada, tudo neste retrato singular chama a atenção.

O olhar prende-se na originalidade do traje. Mas a retratada não nos deixa: fixa, e insistentemente chama por nós, espicaçando-nos a curiosidade sobre a sua pessoa. Personalidade forte pela firmeza da boca nos lábios cerrados, transmite uma impressão de ordem e rigor na simetria sem falhas de toda a sua figura, do penteado ao padrão riscado da gola da camisa. Esta elegante cuja beleza de formas o vestido não deixa adivinhar, seria uma mulher austera? Nada o permite supor. A absoluta ausência de adereços que autorizem inferir afetos, assegura-lhe o mistério que a fará viver enquanto a pintura existir.

Olhada a retratada, centremos-nos na originalidade pictórica. Com uma paleta mínima e austera de azul, amarelo e branco, e sem concessões a maneirismos, o pintor varia o fundo com aquela espécie de nuvens verdes (obtido a partir de amarelo com azul, como se sabe), e cria dinamismo na rigidez hierática da figura pela introdução de perspectiva, fazendo surgir o tronco ligeiramente rodado e oblíquo em relação ao plano da tela, continuando a cabeça a olhar-nos de frente. Acrescenta-se a esta representação um desenho no vestir de geometria contrastada, desenvolvendo-se entre o arredondado das mangas, os triângulos da gola e o rectângulo do cinto. As linhas desenhadas pelos cordões de ouro, em assimetria, acrescentam a leveza que dão humanidade à pintura, fazendo com que tudo no quadro respire simultaneamente verdade e irrealidade.

A pintura, pela moda do vestir, será provavelmente do segundo quartel do século XIX, de uma burguesa do império Austero-húngaro, ou Alemanha do Sul, cabendo na que é conhecida por pintura do período Biedermeier. A austeridade de que a obra dá mostras transforma-a numa pintura peculiar no contexto de escola.

O retrato, de colecção particular, terá sido vendido em leilão em 2009.

 

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