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É conhecido em moderna tradução portuguesa o monumental poema Orlando Furioso de Ludovico Ariosto (1474-1533). São menos conhecidos os seus sonetos.

Arquivo no blog mais um daqueles retratos de mulher contido no soneto XXV, desta vez de uma traidora amante, cuja beleza física é laudatoriamente descrita para acentuar o contraste no fecho do soneto:

E embora seja tudo assim perfeito, / permiti que vos diga ousadamente: / mais perfeita era a fé que em vós eu tinha.

Soneto XXV

Que bela sois, senhora! Tanto, tanto,

que por mim nunca vi cousa mais bela!

Contemplo a fronte e penso que uma estrela

a meu caminho dá seu brilho santo.

Contemplo a boca e pairo no encanto

do sorriso tão doce que é só dela;

olho o cabelo de ouro e vejo aquela

rede que amor me impôs com terno canto.

É de terso alabastro o colo, o peito,

os braços mais as mãos, e finalmente

quanto de vós se vê ou se adivinha.

E embora seja tudo assim perfeito,

permiti que vos diga ousadamente:

mais perfeita era a fé que em vós eu tinha.

Tradução de David Mourão-Ferreira

Soneto XXV (original italiano)

Madonna, sète bella e bella tanto,

ch’io non veggio di voi cosa più bella;

miri la fronte o l’una e l’altra stella

che mi scorgon la via col lume santo;

miri la bocca, a cui sola do vanto

che dolce ha il riso e dolce ha la favella,

e l’aureo crine, ond’Amor fece quella

rete che mi fu tesa d’ogni canto;

o di terso alabastro il collo e il seno

o braccia o mano, e quanto finalmente

di voi si mira, e quanto se ne crede,

tutto è mirabil certo; nondimeno

non starò ch’io non dica arditamente

che più mirabil molto è la mia fede.

A pintura é obra de BARTOLOMEO VENETO 1502-31, dos anos 1520-25. Pintor de quem pouco se sabe, e a quem são atribuídos alguns requintados e notáveis retratos.

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