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Contemplar a perfeição com um soneto de Dante

09 Segunda-feira Jul 2018

Posted by viciodapoesia in Poesia Antiga

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Dante Alighieri

A evidência da perfeição ao contemplar a beleza na terra transmite-nos uma sensação do divino, por vezes expressa em poesia.
Nas suas manifestações poéticas mais frequentes é a beleza física nos seus detalhes que é cantada dando conta da perfeição que o belo transmite. Hoje o poeta — Dante Alighieri (1265-1321) — encontra a beleza no recato e gentileza de maneiras, transmitindo uma certa ideia de perfeição da mulher tal uma cousa que do céu acuda / à terra, por milagre revelada.

 

 

Soneto no cap. XXVI de Vita Nuova

Parece tão gentil, tão recatada,
minha senhora quando alguém saúda,
que toda a língua treme e fica muda
e olhá-la até seria ideia ousada.

Quando ela passa, ouvindo-se louvada,
benignamente a humildade a escuda,
tal uma cousa que do céu acuda
à terra, por milagre revelada.

Tal graça ao coração de quem na mira
está pelos olhos uma doçura a pôr
que não pode entender quem a não prove;

e dos lábios parece que se move
um espírito suave e só de amor
que vai dizendo à alma assim: Suspira.

Tradução de Vasco Graça Moura

 

 

Para o mesmo poema podemos ler ainda outra tradução, esta de Jorge Vaz de Carvalho, mais fiel ao texto original mas não tão fluente quanto ao poema em português:

 

 

Soneto no cap. XXVI de Vita Nuova

Parece tão gentil e honesta estar
a dama minha quando alguém saúda,
que toda a língua treme e fica muda,
e os olhos não se atrevem olhar.

Ela avança, ouvindo-se louvar,
benignamente em vestia sisuda;
parece coisa que do céu acuda
à terra um milagre a mostrar.

Mostrar-se tão perfeita a quem mira,
que ao coração p’los olhos dá dulçor,
que o não pode entender quem não o prova:

parece que dos lábios seus se mova
suave espírito pleno de amor,
que vai dizendo à alma: Tu, suspira.

Tradução de Jorge Vaz de Carvalho

 

 

Soneto original

Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia, quand’ella altrui saluta,
ch’ogne lingua devèn, tremando, muta,
e li occhi no l’ardiscon di guardare.

Ella si va, sentendosi laudare,
benignamente d’umiltà vestuta,
e par che sia una cosa venuta
da cielo in terra a miracol mostrare.

Mostrasi sì piacente a chi la mira
che dà per li occhi una dolcezza al core,
che ‘ntender no la può chi no la prova;

e par che de la sua labbia si mova
un spirito soave pien d’amore,
che va dicendo a l’anima: Sospira.

 

 

Poemas transcritos respectivamente de A Vita Nuova de Dante Alighieri, tradução e estudo introdutório de Vasco Graça Moura, Bertrand Editora, Lda, Lisboa, 1995; e Vida Nova, tradução, introdução e notas de Jorge Vaz de Carvalho, Relógio d’Agua Editores, Lisboa, 2010.
Ambas as edições são bilingues.

 

 

Abre o artigo a imagem de um fragmento de um fresco no Castelo del Buonconsiglio em Trento, Itália. Trata-se se uma alegoria ao mês de Junho, no ciclo dos meses, parte dos esplendidos frescos do castelo. A autoria dos frescos é anónima, e terão sido realizados provavelmente em finais do século XIV.

 

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