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Hoje, um poema de escândalo de Paul Verlaine (1844-1896) em tradução de Luiza Neto Jorge (1939-1989).

INTERNADAS

Quinze anos uma, a outra uns dezasseis,

Num só quarto dormiam, lado a lado.

Era em Setembro, à noite, o ar pesado.

Cor de morango, olhos azuis tão frágeis!

 

Despem, como quem livre se deseja,

A veste fina, d’ambar perfumada.

Ergue a mais nova os braços, arqueada,

Enquanto, mãos nos seios, a irmã a beija.

 

De joelhos já cai, e assim treslouca,

Cola o rosto ao ventre e sequiosa boca

Afunda no que é sombra e incandescência;

 

E a menina recenseia o que sente

P’los débeis dedos, um valsar fremente,

E  rosada sorri com inocência.

Noticia bibliográfica

Poema publicado em Poemas Malditos  de Paul Verlaine (1844-1896), edição O Oiro do Dia em 1981, com tradução da poetisa Luiza Neto Jorge (1939-1989)  e desenhos de José Rodrigues

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