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Façamos uma pausa na poesia para descer ao  prosaísmo do quotidiano e conhecer Os Elliot.

Mrs Elliot chegou.

Rodeada de malas, sua preocupação e espanto. Por entre a excitação de rever a amiga, Mrs Primm, pretexto para esta viagem a Lisboa, espreita a responsabilidade maternal: será que existem McDonald nesta terra? O Fred não come outra coisa e a alimentação das crianças é uma prioridade absoluta. Afinal o aeroporto até é mais interessante que alguns aeroportos americanos. Todos aqueles tubos à vista têm um ar tão moderno! – Estou ansiosa para ver como ela mudou durante este ano – pensa consigo enquanto empurra o carrinho com as malas em periclitante equilíbrio.

Marcha solenemente como é seu hábito, segura da sua importância, enquanto os filhos a seguem entre frustrados e curiosos.

Alta de cerca de 1,80m, a figura em formato cónico impõe-se a quem passa, num misto de surpresa e estupefacção. O cabelo ondulado até aos ombros de um amarelo palha desmaiado, contrasta com a espécie de tunica até bem abaixo dos joelhos num azul ferrugem. Quando a vista desce encontra uns pés em perfeita adequação com a figura em movimento.

As crianças, como ela se lhes refere, são um rapaz nos seus oito anos, arruivado e sardento, com as bochechas agora acastanhadas de chocolate, que nos seus calções olha em redor a Europa, e uma menina de talvez dez anos, magra, esguia e alta para a idade, espécie de Barbie pós 09-2001, profundamente entediada com as perguntas do irmão e suportando contrariada a tola ideia da mãe de a fazer passar as férias longe das amigas. – Se ao menos nesta terra houvesse rede, cogita, sempre podiam estar em contacto por iPhone. Assim, quem sabe o que poderá acontecer. Além do mais, aquelas parvas, sem ela, não fazem nada certo!

 

Mrs Elliot e a escola

Mrs Elliot é protestante mas os filhos frequentam uma escola católica. Nem poderia ser de outro modo. A escola é a mais reputada e de mais difícil acesso nas redondezas, e as crianças precisam ganhar curriculum desde pequenas para poderem frequentar uma boa universidade.

Mrs Elliot vive intensamente a escola dos filhos. Organiza os pais nos mais variados encontros semanais, acompanha o trabalho dos professores sobre os deveres escolares distribuídos aos alunos, verifica a vida social e privada de cada um, num desejo irreprimível de ser útil e ajudar a resolver qualquer problema mal ele surja, ou prevenir para que o problema não chegue a surgir.

Mrs Elliot foi a Sintra

Adorou!

O sol da manhã deixava ver uma luz ainda coada, dando ao verde da serra um brilho de caleidoscópio e fazendo pensar que a natureza juntou ali todos os verdes de que foi capaz, e são o encanto mesmo da serra.

Visto o Palácio da Vila foi de excursão ao Castelo da Pena.

– Tantos séculos! Só falam de séculos. Será tudo assim tão antigo? Não importa, os azulejos são lindos e quando voltar para a Califórnia vou revestir toda a casa de azulejos, assim.

Comeu travesseiros. A principio não se atrevia, mas a insistência da amiga esqueceu a dieta que está sempre a começar e experimentou. Um, depois outro, e ainda outro. Parou ao final de seis.

– Será possível encomendar estas doçuras estando na Califórnia, quis saber.

Era de alguma forma um elogio mas com pessoas às vezes tão estranhas nunca se sabe.

As crianças detestaram. Tudo! O lugar, o passeio, os monumentos e os bolos. Ainda se se parecessem com donuts ou muffins do Mc Donald, talvez.

Mrs Elliot de tão satisfeita não deu muita importância ao desagrado. Afinal a viagem também fazia parte da educação das crianças.

Mr Elliot escreve

Hi Honey!

The Irish meeting has been delayed for two days. I’ll arrive at 14th.

Good news from my diet, I lost two pounds and a quarter.

I hope you and the kids are enjoing your stay there.

Best regards to you, the kids and Mrs. Primm

Elliot

Apresentação de Mr Elliot

Mr Elliot nos seus 40 e picos anos e 120 kilos, é expert em informática. Ganha o dinheiro que Mrs Elliot se esforça por gastar. Ocupa-lhe o tempo livre uma dieta oriental com exercicios espirituais que ele segue à risca.

Talvez duas vezes por ano, ao deitar, Mr Elliot já na cama, despe as calças do pijama. É o sinal, e Mrs Elliot já sabe.

Apagam a luz da mesa-de-cabeceira, Mrs Elliot levanta o necessário da camisa de dormir e Mr Elliot põe-se em cima dela. Pouco depois goza e adormece a seguir.

 

Mrs Elliot sonhou com sexo

Sentada na esplanada da praia com a baia de Cascais por horizonte, Mrs Elliot bebia Coke Zero e olhava o mar.

Na outra ponta da mesa sentou-se alguém e nem reparou com atenção até ouvir um qualquer comentário. Levantou a cabeça e encontrou um desconhecido a sorrir. Bronzeado, talvez 40 anos, com gestos largos comentava como era agradável estar ali.

A conversa pegou e o convite para visitar a casa do novo amigo surgiu quase de imediato.

Pagaram e saíram a rir e a conversar.

A casa possuía uma ampla varanda virada ao mar, com um enorme colchão no chão.

Enquanto o desconhecido foi buscar qualquer coisa para beber, estendeu-se no colchão verdadeiramente inebriada com o cheiro do ar vindo do mar.

Voltou o anfitrião apenas com shorts vestidos, dois copos na mão e uma bebida amarela. Sentou-se a seu lado, deu-lhe um copo e beberricou. Pôs o copo de lado e pousou-lhe as mãos sobre as pernas. Lentamente foi subindo numa caricia suave.

Mrs Elliot inconscientemente soltou um suspiro de prazer, virou-se ligeiramente e o desconhecido beijou-a.

Que beijo! Sabia a sal, a cerejas, quem sabe. Uma boca que tomava conta dela, a sugava, a mordia e a fazia sentir-se húmida. A mão do desconhecido explorava entre as pernas o sexo. Nas voltas do entusiasmo o desconhecido voltou-se para a beijar entre as pernas e abriu os shorts deixando à vista um pénis rijo e erecto. A mão de Mrs Elliot aproximou-se e o desconhecido empurrou-lhe suavemente a cabeça para que ela o beijasse.

Acordou Mrs Elliot encharcada em suor, afogueada e com o coração aos saltos.

Como foi ela sonhar uma coisa que nunca tinha feito? Que horror!

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