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O general Wellington, alvo recente da curiosidade de escritores de romances históricos no seu combate com Napoleão, foi em Portugal o comandante vitorioso da luta contra os franceses das invasões.

Nas noites em que Sua Excelência honrou o Theatro de S. Carlos em Lisboa com a sua presença, foram lançados no Theatro 12 sonetos em seu louvor.

Os poemas lidos na ocasião encontram-se publicados num folheto de 4 páginas em suplemento ao nº6 do Telegrafo Portuguez no ano de 1813, e hoje practicamente perdido.

Para a nossa memória colectiva, aquele período é uma espécie de deserto poético. Divulgar hoje tais poemas é um pouco como preencher com gente uma paisagem vazia dela.

Escolho o soneto IX da autoria de Curvo Semedo (1766-1838)Belmiro Transtagano na Nova Arcádia

IX

Sobre auri-verde[i] concha que puxava

Tiro[ii] veloz de cisnes voadores,

A linda mãe[iii] dos trêfegos[iv] amores

Do fulvo[v] Tejo as ribas[vi] demandava,

 

Lísia[vii], serás o encanto meu, bradava,

Enquanto o berço do heroismo fores;

Quem te protege alcança os meus favores,

E ofende a Vénus quem a Lísia agrava.

 

O Corso[viii] audaz, teu pérfido inimigo,

Do que terna adorei, Marte iracundo,

Sofre em seus esquadrões cruel castigo;

 

E o Lord[ix] excelso, teu fautor[x] segundo,

Que d’Anglia ao Tejo vem por dar-te abrigo

Terá de semi-deus honras no mundo.

 

Rima ABBA ABBA CDC DCD

 

Os restantes sonetos do folheto têm a seguinte autoria:

Senhora D. M. A. P. M. (não identificado): Sonetos I e II

Um magistrado amante da sua Pátria, e grande admirador do Heroe famoso: Sonetos III, IV e V

Y.F.B. (não identificado): Soneto VI

Anonymo: Sonetos VII e VIII

N. A. P. P. M. – Nuno Alvares Pereira Pato Moniz: Sonetos X, XI e XII

Se os leitores manifestarem o desejo de conhecer estes sonetos, transcreve-los-ei.

 

Iconografia:

A imagem que acompanha o artigo representa Marte e Vénus. Trata-se de um quadro pintado por Jacques-Louis David (1748-1825)Marte desarmado por Vénus, óleo sobre tela com 308 cm × 265 cm  – concluido em 1824.

David, expoente da pintura francesa do inicio do sec. XIX, foi primeiro o pintor da Revolução, e depois o pintor do império tendo pintado a coroação de Napoleão como imperador na Catedral de Notre-Dame, e de quem, À morte de Marat, continua a ser uma obra-prima absoluta.


[i] verde-ouro

[ii] parelha de puxar carros

[iii] Vénus, mãe de Cupido, deus do amor

[iv] ardilosos

[v] dourado

[vi] margens

[vii] Lisboa

[viii] Napoleão

[ix] Wellington

[x] o que auxilia

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