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Entre a vanguarda musical erudita da segunda metade do século XX, são poucas as peças que me emocionam. Entre estas ocupa lugar especial a Sinfonia de Luciano Berio (1925 – 2003).

Ouvi-a pela primeira vez pouco depois da estreia em NY em 1969, num disco de vinil CBS que conservei como um tesouro. Executavam-na os interpretes dessa estreia: a Filarmónica de Nova York, para a qual a Sinfonia foi composta em comemoração dos seus 125 anos, o compositor na direcção, e o coro The Swingle Singers, que hoje vem à FCG executar a Sinfonia com a orquestra da casa.

Foram sem conto as vezes que nestes 40 anos voltei a ouvir a Sinfonia, nesta gravação e nas outras que entretanto surgiram no mercado, já em CD.

A surpresa do universo sonoro, a harmonia surgida entre o aparente desarranjo da amálgama desencontrada de sons, onde as vozes ganham uma eloquência especial, o inesperado das citações de peças conhecidas e amadas, e em especial o thrill com a citação de Wozzeck no final do 3º andamento, as quais, opera e peça de teatro, descobertas pela mesma época da Sinfonia, tudo isto conserva a frescura da primeira audição e permite um renovado prazer em cada nova visita.

Como alguém já escreveu: Berio’s seminal Sinfonia is an amazing piece of music, a modern masterpiece that stands at the crossroads of avant garde innovation and postmodern pastiche, academic experimentation and popular accessibility.

Para os curiosos da obra aqui fica a gravação radiofónica de uma interpretação ao vivo da Sinfonia, tocada em Janeiro de 2008 pela orquestra Filarmónica de Nova York, com o maestro Lorin Maazel na direcção e o coro britânico Synergy Vocals:

Movimentos:

I e II – O King

III – In ruhig fliessender Bewegung

IV e V

A página http://en.wikipedia.org/wiki/Sinfonia_(Berio) e as ligações para onde remete, contém tudo o que de relevante vale a pena saber sobre a Sinfonia.

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