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Pondo fim ao tempo em que  A chuva chove mansamente … como um sono , a primavera anuncia-se subitamente em Lisboa, e as árvores explodem em flor.

Evoco o soneto de Cecília Meireles (1901 – 1964) a contrario, ou seja, para deixar para trás tudo o que ele convoca.

A chuva chove mansamente … como um sono

que tranquilize, pacifique, resserene…

A chuva chove mansamente… Que abandono!

A chuva é a musica de um poema de Verlaine…


E vem-me o sonho de uma véspera solene,

em certo paço, já sem data e já sem dono…

Véspera triste como a noite, que envenene

a alma, evocando coisas líricas de outono…


num velho paço, muito longe, em terra estranha,

com muita névoa pelos ombros da montanha…

paço de imensos corredores espectrais,


onde murmurem velhos órgãos árias mortas,

enquanto o vento, estrepitando pelas portas,

revira in-fólios, cancioneiros e missais…


Soneto imbuído de atmosfera musical, é outra a musica que quero lembrar, e não

o sonho de uma véspera solene/ … / Véspera triste como a noite, que envenene / a alma…/ …/ velho paço…/ … / onde murmurem velhos orgãos árias mortas, / enquanto o vento, estrepitando pelas portas, / revira in-fólios, cancioneiros e missais…

Ouçamos, pois, a atmosfera festiva de Vozes da Primavera para estrear uma nova forma de ouvir musica no blog.

Frühlingsstimmen op. 410 (Vozes da Primavera), valsa de Johann Strauss (1825 – 1899) tocada pela Orquestra Filarmónica de Viena no Concerto de Ano Novo de 1987.

Dirige a orquestra Herbert von Karajan e a parte solista é cantada por Katleen Battle, Soprano, que na altura surgiu esplendorosa, em vermelho, entre as flores que decoravam o palco.

Para Solombra (1963), último livro publicado em vida da poetisa, fez Julio Pomar 4 ilustrações magníficas, a evidenciar o corta estético do pintor com o neo-realismo.

Pode, seguindo este link, saber mais sobre Cecília Meireles

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